“Uma guerra mundial está à nossa frente”, diz o ideólogo de Putin
O filósofo russo Alexander Dugin, influente pensador ligado à ditadura de Vladmir Putin, afirma que só um grande conflito poderá romper a hegemonia ocidental e instaurar a “multipolaridade”
O filósofo russo Alexander Dugin, ideólogo de Vladmir Putin, acredita que o mundo caminha para um choque inevitável entre potências.
Em artigo no Arktos Journal, nesta quinta, 2, ele escreve que “mudanças de ordem mundial quase sempre acontecem por guerras” e sustenta que a transição atual não será diferente.
Conhecido como “Rasputin de Putin”, Dugin é considerado o principal intelectual ligado ao Kremlin. Ele criou a teoria do eurasianismo e a “Quarta Teoria Política”, que combate a democracia liberal e o globalismo ocidental.
Desde 2014, suas teses ecoam no discurso oficial russo, quando apoiou a anexação da Crimeia e defendeu intervenção militar na Ucrânia.
O centro de sua visão é a “multipolaridade”. Para Dugin, essa ideia rejeita o universalismo ocidental e questiona que valores como democracia, direitos humanos e individualismo possam servir de modelo único para toda a humanidade.
A “multipolaridade” significa, para Dugin, a construção de blocos civilizacionais independentes.
Ele propõe sete polos estratégicos: o Ocidente coletivo sob liderança dos EUA, a Rússia-Eurásia, a China, a Índia, o mundo islâmico, a África subsaariana e a América Latina.
Cada civilização teria valores próprios, tradições religiosas distintas e autonomia para definir seus rumos, sem submissão a Washington ou à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Na sua análise, a guerra na Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio são apenas o início de um choque maior.
Ele os descreve como “o prenúncio da guerra fundamental”, que redistribuiria soberania entre potências. Dugin afirma que o Ocidente ainda está em vantagem, mesmo em crise, e que “a hegemonia unipolar ainda é mais forte que a multipolaridade”.
O filósofo diz que o Ocidente age há décadas no espaço pós-soviético, cita Ucrânia, Moldávia e Ásia Central e acusa manipulação eleitoral e assassinatos políticos, apresentados como “acidentes”. Sustenta que a Rússia é “o principal obstáculo para os globalistas e o condutor da história mundial”.
Ao discutir a possibilidade de evitar um confronto global, descarta a rendição. Escreve que “se a grande guerra só pode ser evitada pela derrota, então não é o nosso caso”, e coloca nas mãos do Ocidente a decisão de escalar o conflito.
Dugin prevê que um choque global arrastaria China, Índia, Oriente Médio, África e América Latina. Ele afirma que a humanidade enfrentará “provas monstruosas” maiores do que as atuais.
Suas ideias reforçam a narrativa russa de que a guerra não é apenas territorial, mas civilizacional. Ao apresentar a “multipolaridade” como destino inevitável, Dugin descreve o conflito como passo necessário para romper a ordem liberal ocidental.
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