A corrida espacial de Elon Musk está em marcha lenta
Relatório da Nasa aponta que a SpaceX tem dois anos de atraso no desenvolvimento da nave, e tecnologias essenciais ainda não prontas
Um relatório divulgado nesta terça-feira, 10, pelo órgão fiscalizador da Nasa, indica que a Starship, nave da SpaceX escolhida para levar astronautas à superfície da Lua, está pelo menos dois anos atrasada em seu cronograma, e que a empresa de Elon Musk precisa superar problemas técnicos antes de qualquer tentativa de alunissagem tripulada.
A missão Artemis 4, na qual a Starship deverá funcionar como módulo de pouso lunar, está programada para 2028. A data original era 2024 – prazo que, à época, já era tratado com ceticismo pelas próprias autoridades da agência.
O problema do reabastecimento
O reabastecimento de propelente no espaço como o maior entrave técnico do projeto. Para que uma Starship leve astronautas à Lua, a SpaceX precisará lançar mais de dez outras naves ao espaço, que funcionarão como tanques intermediários para encher um depósito orbital. Desse depósito, o combustível será transferido para a nave que, então, seguirá em direção ao satélite.
O processo envolve a transferência de metano líquido e oxigênio líquido, substâncias altamente voláteis que precisam ser mantidas a temperaturas abaixo de −150°C. Acoplar naves e mover esses fluidos pelo menos dez vezes na órbita baixa da Terra, região com tráfego de satélites em crescimento, é uma operação que nunca foi realizada nessa escala.
Funcionários da Nasa que acompanham o desenvolvimento da Starship descrevem a demonstração dessa transferência como “um dos desafios técnicos mais significativos enfrentados” pela SpaceX, conforme registrado no relatório.
O documento acrescenta que “a Nasa está monitorando um risco importante de que algumas das tecnologias e capacidades criogênicas que a SpaceX está desenvolvendo não estarão suficientemente maduras” antes de 2028.
Concorrência e alternativas
Desde 2023, a SpaceX realizou 11 lançamentos da Starship em uma sequência de testes acompanhados pela Nasa. Parte desses voos terminou em explosão. O veículo completo – composto pela espaçonave Starship e pelo propulsor Super Heavy – tem 123 metros de altura e nove metros de diâmetro.
Em outubro do ano passado, o então administrador interino da Nasa, Sean Duffy, afirmou que a agência buscaria alternativas à SpaceX para o voo lunar tripulado. “Vamos ter uma corrida espacial em relação a empresas americanas competindo para ver quem pode realmente nos levar de volta à Lua primeiro”, declarou. A fala gerou reação de Musk, que o atacou publicamente pela rede social X.
A Blue Origin, empresa de Jeff Bezos, mantém um contrato de US$ 3,6 bilhões com a Nasa para o desenvolvimento do módulo lunar Blue Moon, previsto para a missão Artemis 5. No início de 2025, a empresa anunciou a suspensão dos voos do foguete New Shepard, usado para turismo espacial, para concentrar recursos no Blue Moon.
O administrador da Nasa, Jared Isaacman, anunciou mudanças no programa Artemis. A missão Artemis 3, prevista para 2027, foi reformulada para testar os módulos lunares da SpaceX e da Blue Origin antes da tentativa de alunissagem.
Ao fundo, está a disputa com a China, que planeja sua própria missão tripulada à Lua até 2030.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)