A cidade termal do Japão que virou um vale fantasma com hotéis abandonados, quartos intactos e pisos prestes a ceder
A antiga cidade termal revela como o auge turístico japonês desabou em hotéis vazios, donos desaparecidos e estruturas perigosas
Existe um lugar no Japão onde o tempo parece ter parado de repente, deixando atrás de si quartos arrumados, chinelos no chão e máquinas de jogo cobertas de poeira. Kinugawa, antiga cidade termal cercada por montanhas, hoje é conhecida entre exploradores urbanos como um dos cantos mais instáveis e arriscados do país, um verdadeiro vale de hotéis abandonados que ninguém teve coragem, ou condições, de derrubar.
Onde fica essa cidade termal que se transformou em vale fantasma
Kinugawa é uma cidade onsen, ou seja, construída em torno de banhos termais tradicionais japoneses, às margens de um rio e rodeada por floresta densa. O lugar foi pensado para receber turistas em busca de descanso, principalmente em fins de semana e períodos de férias.
Ainda há moradores e algum movimento local, mas a sensação predominante é de decadência. Restaurantes fechados, fachadas apagadas e hotéis vazios se espalham pelo vale, criando um contraste incômodo entre vida cotidiana e abandono evidente.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube GuilleWhat mostrando sua tragetória durante 24 horas na cidade abandonada do Japão.
Como o auge turístico dos anos 1980 deu lugar à ruína
A cidade viveu seu apogeu entre as décadas de 1970 e 1980, quando a chegada do trem e o crescimento econômico japonês transformaram Kinugawa em destino certo para quem saía de Tóquio. No período mais movimentado, o local teria recebido mais de 3 milhões de pernoites por ano.
A partir dos anos 1990, o turismo em grupo perdeu força e as viagens corporativas praticamente desapareceram. O golpe final veio com a falência de bancos no início dos anos 2000, que deixou diversos hotéis com dívidas milionárias e proprietários que simplesmente desapareceram.
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O que ainda está guardado dentro dos hotéis abandonados
Quem entra nesses complexos encontra uma espécie de cápsula do tempo, com objetos do dia a dia preservados quase intactos. Entre os achados mais comuns durante explorações registradas estão:
Apesar da aparência conservada, a estrutura interna costuma estar comprometida. Pisos cedendo, escadas instáveis e setores inteiros sem condição de acesso tornam essa exploração uma das mais perigosas do país.

Por que esses prédios gigantes nunca foram demolidos
O custo de demolir um hotel desse porte pode chegar a vários milhões de ienes, já que as estruturas são enormes e estão espremidas entre a estrada e o rio. A presença de fontes termais sob os edifícios complica ainda mais qualquer obra de grande escala.
Há também um obstáculo legal importante: como muitos donos desapareceram, a prefeitura não pode intervir em propriedade privada sem um processo de expropriação, algo raro e demorado no Japão. O resultado é um vale inteiro congelado entre passado e ruína.
Vale a pena conhecer essa Kinugawa que o tempo esqueceu
Kinugawa não é apenas um cenário de abandono, é um retrato vivo de um Japão que poucos turistas chegam a ver, distante dos roteiros tradicionais de Tóquio e Kyoto. Cada corredor vazio guarda uma história de um país que mudou de hábitos mais rápido do que suas próprias cidades conseguiram acompanhar.
Se você se interessa por lugares que misturam beleza, mistério e um toque de perigo real, Kinugawa é dessas histórias que ficam na memória depois de fechar a página. Antes que a natureza termine de engolir o que resta desse vale, talvez seja a hora de conhecer, ainda que só pelas imagens, um dos segredos mais intensos escondidos no Japão.
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