A cidade que construiu barreiras invisíveis no fundo do mar para impedir que os seus edifícios históricos afundem
Veneza vive um dilema digno de cinema: como continuar sendo a cidade romântica das gôndolas e canais sem virar cenário permanente debaixo d’água?
Veneza vive um dilema digno de cinema: como continuar sendo a cidade romântica das gôndolas e canais sem virar cenário permanente debaixo d’água?
Entre enchentes históricas, mar subindo e um solo que afunda, surgiu o MOSE, um megaprojeto bilionário para segurar o oceano. Mas até que ponto ele realmente protege a cidade a longo prazo?
O que está afundando Veneza?
Veneza sempre conviveu com a água, mas as enchentes cresceram em frequência e intensidade. A combinação de mudanças climáticas, aquecimento do Mar Adriático e subsidência do solo reduz a margem de segurança.
O nível do mar sobe, o chão desce e a cidade histórica fica cada vez mais vulnerável. Esse cenário torna eventos extremos menos raros e aumenta os riscos ao patrimônio, ao turismo e à rotina dos moradores.
Como funciona a Acqua Alta em Veneza?
A Acqua Alta resulta da interação entre maré alta, ventos, pressão atmosférica e formato da Lagoa de Veneza. Quando esses fatores se alinham, a água do mar avança com força e invade canais, ruas e praças.
A Praça de São Marcos costuma ser um dos primeiros pontos a alagar. Moradores e comerciantes usam passarelas, barreiras nas portas e bombas, mas esses arranjos tradicionais já não bastam diante de marés mais altas e frequentes.

Como o sistema MOSE tenta proteger a cidade?
O MOSE é um sistema de barreiras móveis instalado nas três entradas da lagoa: Lido, Malamocco e Chioggia. São 78 portões articulados que podem isolar temporariamente a lagoa do Mar Adriático.
Em dias normais, os portões permanecem deitados no fundo, cheios de água e quase invisíveis. Assim, interferem menos na circulação marinha e na navegação, permitindo que o ecossistema mantenha parte de sua dinâmica natural.
De que forma os portões do MOSE operam na prática?
Quando a previsão indica maré muito alta, os portões recebem ar comprimido, expulsam a água interna e ficam flutuantes. Em cerca de 30 minutos, erguem-se e formam uma barreira física contra o avanço do mar.
Cada portão pode ser acionado individualmente, o que permite ajustes finos ao nível da maré e às rotas de navegação. Porém, quando o sistema está levantado, o tráfego marítimo é bastante limitado e exige coordenação intensa das centrais de controle.
O canal Construction Time explicou o projeto MOSE:
O MOSE é solução duradoura para a elevação do mar?
O MOSE já evitou inundações catastróficas, como em 2020, mas falhas de operação e previsão ainda geram alagamentos evitáveis. Além disso, o projeto ultrapassou 7 bilhões de euros, com manutenção estimada em cerca de 100 milhões por ano.
Diante do avanço do nível do mar, especialistas questionam se o sistema continuará eficiente. Entre os principais pontos de atenção estão:
- Frequência crescente de acionamento com mares mais altos e extremos.
- Impactos ambientais na lagoa devido à circulação de água reduzida.
- Compatibilidade com o tráfego marítimo e atividades econômicas locais.
- Custos futuros de manutenção, modernização e adaptação tecnológica.
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