A cidade onde não existem estradas, carros são proibidos e o único meio de transporte são barcos
Canais substituem ruas e transformam Veneza em uma das cidades mais únicas e desafiadoras do planeta.
Entre canais estreitos, pontes de pedra e barcos que passam a poucos metros das janelas, Veneza se destaca como um raro exemplo de cidade onde praticamente não existem carros ou estradas. Localizada no norte da Itália, ela funciona como um centro urbano completo organizado sobre a água, em que a locomoção a pé ou de barco cria uma rotina que mistura patrimônio histórico, desafios de mobilidade e uma forma muito particular de viver a cidade.
Como funciona o dia a dia em uma cidade sem carros?
Ao chegar, o visitante percebe rapidamente que o automóvel não faz parte do cotidiano local. Os veículos ficam em estacionamentos fora da área histórica e, a partir dali, o deslocamento ocorre de vaporetto, táxi aquático, gôndola ou caminhando por becos e pontes.
A ausência de ruas asfaltadas molda não só o transporte, mas também a maneira como serviços públicos, comércio e turismo se organizam em Veneza. Tudo é pensado para um fluxo de pedestres e embarcações, em vez de carros, avenidas e semáforos.

Como a cidade usa canais, barcos e pontes para se movimentar?
Em Veneza, os canais cumprem o papel que, em outras cidades, é reservado às avenidas e rodovias. Barcos de diferentes tamanhos atuam como “linhas de ônibus”, “táxis”, veículos de entrega, coleta de lixo e até ambulâncias aquáticas, com o Grande Canal como eixo principal.
Os pedestres atravessam a cidade por uma rede com mais de 400 pontes, entre elas a famosa Ponte Rialto e a Ponte da Liberdade, que liga a parte histórica à terra firme. Postes de madeira fincados na água organizam as paradas rápidas de barcos para carga, descarga ou embarque.
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Quais são os principais tipos de transporte por barco em Veneza?
Nessa cidade sobre a água, o transporte é estruturado em rotas aquáticas que conectam bairros residenciais, praças, igrejas e edifícios públicos. Os vaporettos funcionam como um sistema de ônibus aquático, usado por moradores, trabalhadores e turistas no dia a dia.
Além do transporte público, a cidade conta com diferentes embarcações que atendem necessidades específicas de mobilidade e serviços:
- Táxis aquáticos: barcos menores, usados em deslocamentos rápidos ou privados.
- Gôndolas: embarcações tradicionais, hoje muito associadas ao turismo e passeios românticos.
- Barcos de serviço: fazem entregas, abastecimento de restaurantes, mudanças e remoção de resíduos.
Como Veneza foi construída e se adapta à água e ao saneamento?
A origem de Veneza remonta ao século V, quando habitantes buscaram refúgio em pântanos e ilhas da lagoa veneziana. Para erguer construções sobre solo lamacento, foram cravados milhões de postes de madeira em camadas profundas, formando uma espécie de “floresta invertida” que sustenta edifícios há mais de mil anos.
Rodeada por água salgada, a cidade criou cisternas sob praças públicas para captar e filtrar água da chuva, protegidas por camadas de barro, areia e cascalho. No saneamento, túneis de pedra chamados gatoli conduzem resíduos aos canais, complementados, desde a década de 1990, por tanques de tratamento em alguns edifícios mais modernos.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Joe HaTTab mostrando por dentro da cidade onde não existe estradas ou carros.
Quais desafios ameaçam hoje a continuidade desse modelo urbano?
Mesmo sem carros, Veneza enfrenta problemas urbanos intensos, como o turismo em massa, que eleva o custo de vida e reduz o acesso à moradia. Muitos imóveis migram para aluguel por diária, esvaziando bairros tradicionais, aumentando a desigualdade e pressionando os moradores, sobretudo os mais jovens.
Ao mesmo tempo, episódios de Acqua Alta e a elevação do nível do mar exigem obras constantes, barreiras móveis e políticas firmes de preservação. Se você se importa com cidades mais humanas e sustentáveis, o momento de apoiar iniciativas de proteção, controle do turismo e permanência dos moradores em Veneza é agora — cada escolha de viagem, consumo e engajamento pode ajudar a decidir se essa cidade única continuará viva ou se tornará apenas um cenário à beira da água.
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