"A China está pronta para a guerra"

24.04.2026

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“A China está pronta para a guerra”

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Alexandre Borges
4 minutos de leitura 11.04.2025 08:04 comentários
Economia

“A China está pronta para a guerra”

O economista britânico John Rapley mostra por que Pequim pode vencer o confronto comercial com os Estados Unidos.

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Alexandre Borges
4 minutos de leitura 11.04.2025 08:04 comentários 1
“A China está pronta para a guerra”
Imagem: IA por Alexandre Borges

O economista e escritor britânico John Rapley publicou no site UnHerd o artigo intitulado A China está pronta para a guerra. No texto, ele analisa o agravamento do conflito comercial entre Estados Unidos e China após a decisão do presidente americano Donald Trump de elevar as tarifas sobre produtos chineses para 125%.

A resposta de Pequim foi imediata: tarifas de 84% sobre bens americanos. Nesta sexta, 11, a tarifa foi aumentada para 125%.

Durante um jantar de arrecadação em Washington, Trump ironizou líderes estrangeiros dizendo que “estavam beijando minha bunda” para fechar acordos. Mas, diante da China, encontrou resistência. “A resposta da China à declaração de guerra comercial de Washington foi: pode vir.”

Na mesma semana, Trump anunciou uma suspensão de 90 dias nas tarifas superiores a 10% para quase todos os países – com exceção da China. “Mesmo enquanto ele pausava tarifas para o resto do mundo, Trump anunciou que aumentaria a tarifa sobre a China para 125%.”

O mercado financeiro reagiu com pânico. “Os americanos viram mais de 6 trilhões de dólares evaporarem do mercado de ações”, afirma Rapley.

“As taxas de juros dispararam e o poder de compra do dólar caiu.” A leitura dos investidores foi clara: os Estados Unidos podem perder a guerra comercial. “Se isso é o resultado da chamada armadilha de Tucídides, as apostas iniciais dos investidores não favorecem uma vitória americana.”

Para o autor, Trump cometeu o erro clássico de impérios em declínio. “Ele superestimou sua força e subestimou o inimigo.”

Sem um plano definido, o governo abriu várias frentes comerciais ao mesmo tempo e se isolou. A China, por outro lado, focou exclusivamente nos Estados Unidos, que representam apenas cerca de 4% de sua economia, se considerados os países intermediários. “Pequim está disposta a aguentar o impacto, certa de que assume um risco econômico menor.”

A estratégia chinesa é clara: preservar o sistema global de comércio que impulsionou seu crescimento e liderar setores de futuro, como energia renovável, veículos elétricos e inteligência artificial. “A China está se posicionando como a nova garantidora da ordem comercial global que os EUA abandonaram.”

Além disso, segundo Rapley, a China está mais preparada politicamente e economicamente.

“A questão não é só quanta punição cada país pode impor, mas quanta dor pode suportar.” Enquanto o americano médio sente a inflação e os preços subindo, o governo chinês diz à sua população que não começou essa guerra.

Trump prometeu reduzir a inflação e fazer a economia crescer. Agora, enfrenta queda de aprovação, instabilidade nos mercados e risco de recessão. “O colapso financeiro provocou uma queda vertiginosa na sua popularidade.”

Já a China vem adaptando sua economia ao consumo interno e pode amortecer os efeitos da perda de exportações. “A China tem profundidade estratégica econômica.” Com alta poupança doméstica e espaço fiscal, o país tem margem para sustentar um conflito prolongado, ao contrário dos Estados Unidos, que dependem de investidores externos já desconfiados.

A divisão política em Washington também pesa. Enquanto membros do governo se contradizem publicamente e empresários como Elon Musk atacam os responsáveis pela política comercial, o governo chinês mantém unidade. “O que chama a atenção não é apenas a coesão da liderança autoritária, mas também a união da elite empresarial.”

Mesmo que parte do discurso chinês seja bravata, a disposição para o confronto é real. “Resta saber se a suspensão de 90 dias é um cessar-fogo ou uma rendição. Mas, de qualquer forma, não parece um gesto de força.”

Quem é John Rapley

John Rapley é economista político e escritor britânico. Divide seu tempo entre Londres, Joanesburgo e Ottawa.

É autor dos livros Por que os impérios caem: Roma, América e o futuro do Ocidente (Penguin, 2023), em coautoria com Peter Heather, e O crepúsculo dos deuses do dinheiro: a economia como religião (Simon & Schuster, 2017). Atua como analista em instituições acadêmicas e centros de pesquisa internacionais.

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Alexandre Borges

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Comentários (1)

Marian

11.04.2025 08:31

Está pronta mesmo? Não sei não.


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