Redes sociais e algoritmos: veja como eles afetam a saúde mental

06.04.2026

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Redes sociais e algoritmos: veja como eles afetam a saúde mental

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4 minutos de leitura 06.04.2026 17:04 comentários
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Redes sociais e algoritmos: veja como eles afetam a saúde mental

Ferramentas são projetadas para maximizar o tempo de tela, o que pode levar ao vício digital e ao isolamento social

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Redes sociais e algoritmos: veja como eles afetam a saúde mental
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Os algoritmos das redes sociais fazem parte de uma inteligência artificial que organiza o conteúdo dos feeds, priorizando as postagens com temas de maior interesse de cada usuário. Para isso, eles analisam dados como curtidas, comentários, compartilhamentos e tempo de tela.

Nesse sentido, é possível notar a importante influência que essa inteligência artificial desempenha no cotidiano dos usuários. Afinal, é ela que vai determinar o que continuará a ser apresentado para cada usuário na rede social e, consequentemente, debatido fora dela. Com isso, os algoritmos também são capazes de influenciar o humor e as interações cotidianas.

Mudanças no humor provocadas pelos algoritmos

Quando os algoritmos identificam os padrões de comportamento dos usuários, eles passam a privilegiar conteúdos emocionalmente intensos sobre os temas de interesse. Isso gera reações afetivas fortes, como felicidade, tristeza, raiva, euforia e irritabilidade. 

“Estudos mostram que essa dinâmica pode favorecer ciclos de recompensa intermitente, algo semelhante observado em comportamentos compulsivos. Além disso, a personalização algorítmica pode reforçar padrões cognitivos pré-existentes, criando uma espécie de ‘ambiente emocional sob medida’. Isso pode amplificar tanto emoções positivas quanto vulnerabilidades”, explica a Dra. Giovanna Braga Quinet, psiquiatra da Clínica Revitalis. 

Consequências para a saúde mental

As mudanças de humor e os ciclos de recompensa ocasionados pelas redes sociais em decorrência dos algoritmos, a curto e longo prazo, podem prejudicar a saúde mental. Em um primeiro momento, a Dra. Giovanna Braga Quinet esclarece que pode haver diminuição da autoestima, piora da qualidade do sono, aumento da ansiedade e insatisfação corporal. No longo prazo, os efeitos geralmente envolvem dependência comportamental e o agravamento de sintomas depressivos, sobretudo em pessoas emocionalmente vulneráveis. 

“O efeito é bidirecional: pessoas com maior vulnerabilidade emocional tendem a usar mais as redes sociais, e o uso excessivo pode intensificar sintomas pré-existentes”, acrescenta a psiquiatra.

Ilustração de um celular com diversos emojis de reações diferentes, felizes, alegres com coração, rindo em fundo amarelo escuro
As consequências dos algoritmos das redes sociais também se estendem para outras áreas da vida (Imagem: ideadesign | Shutterstock)

Demais efeitos dos algoritmos na rotina

Para além da saúde mental, as consequências dos algoritmos das redes sociais também se estendem para outras áreas da vida, como os relacionamentos, o trabalho e as dinâmicas em grupo. Isso acontece, sobretudo, porque há uma exposição constante a versões idealizadas de relações. 

Conforme a psiquiatra, no trabalho, pode haver redução da concentração e aumento da procrastinação. Nas dinâmicas sociais, é possível ocorrer comparações excessivas e percepções distorcidas da realidade alheia. Por fim, nos relacionamentos, o problema se concentra no ciúme digital, na vigilância online, nas expectativas irreais e nas inseguranças afetivas.

Como evitar os efeitos negativos dos algoritmos? 

As redes sociais fazem parte do dia a dia de muitas pessoas. Logo, é quase impossível descartar o uso delas. No entanto, para minimizar os seus impactos, Michele Silveira, psicóloga e logoterapeuta, sugere:

  • Estabelecer um limite de tempo diário para utilizar as redes sociais;
  • Filtrar conteúdos que tenham relevância na rotina, mas que não despertem gatilhos emocionais;
  • Silenciar perfis que geram desconfortos;
  • Fortalecer a conexão com a vida fora das telas.

Além disso, Ivan do Nascimento Cruz, psicólogo e professor de Psicologia do Centro Universitário FMU, recomenda utilizar as redes sociais de modo ativo. Isto é, em vez de apenas rolar o feed, optar pela produção de conteúdos e conversas diretas com outros usuários. 

Quando buscar ajuda

Caso os efeitos das redes sociais e algoritmos já tenham prejudicado a saúde mental e as interações rotineiras, o melhor é investir em um tratamento adequado, o que geralmente envolve uma abordagem terapêutica. 

“A psicoterapia ajuda a reconstruir a autonomia emocional, reduzir a dependência de validação externa e resgatar o sentido da vida”, lista Michele Silveira. Além disso, sessões terapêuticas também são importantes em casos de depressão e ansiedade, que podem ser causadas pelo uso excessivo das redes sociais.

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