Livros para pensar a finitude: 3 obras sobre morte, luto e as imprevisibilidades da vida
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Livros para pensar a finitude: 3 obras sobre morte, luto e as imprevisibilidades da vida
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4 minutos de leitura 20.08.2026 12:04 comentários
Variedades

Livros para pensar a finitude: 3 obras sobre morte, luto e as imprevisibilidades da vida

Romances, contos e poemas em prosa abordam a perda, a memória e a fragilidade da existência e mostram como a literatura pode nos aproximar de um dos temas mais difíceis da experiência humana

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A morte é uma das poucas certezas da vida e, ao mesmo tempo, uma experiência para a qual dificilmente estamos preparados. A perda de quem amamos, a consciência da própria finitude e as mudanças inesperadas que interrompem planos e transformam trajetórias são questões que atravessam a existência e encontram na literatura um espaço privilegiado para serem elaboradas.

Em diferentes gêneros e perspectivas, alguns livros fazem da finitude não apenas um tema, mas um ponto de partida para refletir sobre o próprio sentido de estar vivo. É o caso “da morte sua”, de Bruno Crispim, “Caligrafias”, de Adriana Lisboa, e “Fronteiras visíveis”, de João Anzanello Carrascoza e Juliana Monteiro. As três obras se aproximam da morte, da ausência e da passagem do tempo por caminhos distintos.

1. da morte sua, de Bruno Crispim

Capa do livro "Da morte, sua", com fundo rosa e a ilustração de um anjo abraçando uma criança
“da morte sua” alterna o presente do luto com lembranças do casal de protagonistas, reproduzindo literariamente o movimento da memória diante da perda (Imagem: Divulgação | Faria e Silva)

Finalista do Prêmio Kindle de Literatura, “da morte sua” acompanha Igor nos primeiros dias após a morte devastadora de Bibi, sua companheira desde a adolescência. Entre o funeral, o hospital, a necessidade de assumir sozinho os cuidados com o filho e a dificuldade de aceitar a despedida, o personagem tenta encontrar uma maneira de continuar vivendo depois que aquilo que sustentava sua existência desaparece.

Construído de forma não linear, o romance alterna o presente do luto com lembranças da história do casal, reproduzindo literariamente o movimento da memória diante da perda. Além da morte e da ausência, Bruno Crispim aborda a masculinidade e a dificuldade dos homens em demonstrar fragilidade e viver plenamente a própria dor. Como resume o autor, “a dor é inerente à existência”.

2. Caligrafias, de Adriana Lisboa

Capa do livro "Caligrafias", com a ilustração de rabiscos em azul sobre fundo bege-claro
“Caligrafias” reúne narrativas curtas e poemas em prosa que transitam pela memória, pela natureza, pela passagem do tempo e pela efemeridade da vida (Imagem: Divulgação | Maralto Edições)

Em “Caligrafias”, a premiada escritora Adriana Lisboa reúne narrativas curtas e poemas em prosa que transitam pela memória, pela natureza, pela passagem do tempo e pela efemeridade da vida. Em edição especial comemorativa dos 20 anos da publicação original, revista e ampliada pela autora, o livro combina uma escrita delicada às ilustrações do artista visual Gianguido Bonfanti.

A finitude percorre diferentes momentos da obra, chegando de maneira especialmente pessoal ao texto inédito “Dia de Iemanjá”, no qual Lisboa parte da experiência da morte dos pais para refletir sobre o que permanece essencial diante da perda. Entre cenas cotidianas e reflexões metafísicas sobre existência e morte, “Caligrafias” observa a transitoriedade da vida sem perder de vista sua beleza.

3. Fronteiras visíveis, de João Anzanello Carrascoza e Juliana Monteiro

Capa do livro "Fronteiras visíveis", com a foto de uma idosa entrando no mar e uma criança saindo, sobre fundo preto. O nome do livro aparece em azul, na parte superior
Em “Fronteiras visíveis”, literatura e fotografia dialogam para explorar os limites entre a vida e a morte (Imagem: Divulgação | Maralto Edições)

Em “Fronteiras visíveis”, literatura e fotografia se encontram para abordar justamente a fronteira que separa a vida e a morte. João Anzanello Carrascoza e a artista visual Juliana Monteiro constroem a obra a partir de sete pares de contos acompanhados por cenas fotográficas, explorando forças opostas como luz e sombra, contentamento e desencanto, começo e fim.

O próprio projeto visual materializa o ciclo da existência: enquanto uma criança sai do mar e caminha em direção ao leitor, uma mulher idosa faz o percurso inverso e retorna às águas. As imagens avançam pelas páginas como um flipbook, acompanhando simbolicamente o movimento entre chegar e partir. Nos contos, João Anzanello Carrascoza leva esse diálogo para as relações afetivas, a perda e as ambiguidades que acompanham a experiência de viver.

Por Iara Filardi

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