Falta de gestão financeira na Reforma Tributária pode afetar o caixa das empresas até 2033
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Falta de gestão financeira na Reforma Tributária pode afetar o caixa das empresas até 2033
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EdiCase
6 minutos de leitura 07.05.2026 11:34 comentários
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Falta de gestão financeira na Reforma Tributária pode afetar o caixa das empresas até 2033

A nova lógica tributária exige domínio sobre toda a jornada financeira, da venda ao recebimento, e não apenas sobre o faturamento

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Falta de gestão financeira na Reforma Tributária pode afetar o caixa das empresas até 2033
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Segundo o Panorama do Contas a Pagar 2026, levantado pela plataforma Qive, cerca de 62% das empresas brasileiras ainda não iniciaram o mapeamento dos impactos da Reforma Tributária. As mudanças começam em 2026 e seguem até 2033, exigindo adaptação estrutural na gestão financeira dos negócios.

Para a consultora de finanças empresariais Marlene Martins, diretora da Afórtua Consultoria Financeira, o principal risco não está apenas na carga tributária, mas na forma como o dinheiro circula dentro da empresa. “Não é só imposto. É fluxo de caixa. A reforma muda a dinâmica financeira do negócio. Se o empresário não tiver controle, ele pode continuar vendendo e mesmo assim perder caixa”, afirma.

A especialista destaca que a nova lógica tributária exige domínio sobre toda a jornada financeira, da venda ao recebimento, e não apenas sobre o faturamento. “Hoje, muitas empresas não conseguem conectar venda, emissão de nota fiscal e recebimento. Com a reforma, isso se torna obrigatório. O financeiro precisa estar integrado e automatizado, principalmente nos meios de pagamento como Pix, cartão e boleto”, explica.

Crédito tributário passa a ser tratado como ativo financeiro

O crédito tributário é outro ponto de atenção que impactará diretamente o caixa das empresas. “Crédito tributário é dinheiro. Se não for controlado, a empresa perde valor sem perceber. A gestão financeira precisa tratar esse crédito como um ativo estratégico, protegido antes de ser utilizado”, destaca Marlene Martins.

Ela também ressalta que a relação com fornecedores ganha papel ainda mais relevante. “Empresas que estruturarem bem seus fornecedores estratégicos terão vantagem competitiva, porque vão gerar crédito de forma inteligente e melhorar o caixa”, afirma.

Fases da Reforma Tributária exigem controle financeiro progressivo

Além das mudanças estruturais, a Reforma Tributária será implementada em fases até a extinção completa de tributos como PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza). Para Marlene Martins, esse processo deve ser visto como uma transição financeira com riscos progressivos.

Fase 1 – 2026: Início da adaptação (risco de desorganização)

Neste período, as empresas começam a lidar com novas exigências e ajustes operacionais, ainda com predominância do modelo atual, no qual os tributos permanecem embutidos no preço.

Risco principal: falta de leitura financeira confiável e decisões baseadas em dados inconsistentes. “Aqui o problema não é o imposto. É a desorganização. A empresa ainda não consegue enxergar o impacto real no caixa”, alerta.

Fase 2 – 2027 a 2032: convivência entre modelos (risco de perda de caixa invisível)

Nesta fase, o sistema antigo e o novo operam simultaneamente, com incidência gradual de IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e aumento da relevância dos créditos tributários.

Risco principal: perda de caixa por falhas na gestão de créditos e ausência de ajuste na precificação. “Essa é a fase mais perigosa. A empresa pode perder dinheiro sem perceber, porque o erro não aparece no lucro, mas, sim, no caixa”, explica Marlene Martins.

Fase 3 – 2033: consolidação do novo modelo (risco de competitividade)

Com a extinção definitiva de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISSQN, o novo sistema passa a ser predominante.

Risco principal: perda de competitividade e dificuldade de permanência no mercado. “Aqui não é mais adaptação, é sobrevivência. Quem não organizou o financeiro até aqui perde competitividade”, esclarece.

Mãos de uma pessoa segurando uma etiqueta de roupa
A precificação dos produtos e serviços deve acompanhar as fases da Reforma Tributária (Imagem: aslysun | Shutterstock)

Precificação se torna decisiva durante a transição tributária

A forma de precificação dos produtos e serviços também sofre impacto direto ao longo da implantação da reforma. Segundo Marlene Martins, a precificação passa a ser dinâmica durante a transição. “O preço deixa de ser apenas um número e passa a ser uma estrutura. Parte carrega imposto embutido, outra parte reflete a nova lógica tributária. Quem não entender isso perde margem e caixa sem perceber”, contextualiza.

A especialista explica que a estratégia de precificação deve acompanhar as fases da reforma:

Fase 1 – 2026: separação interna da estrutura de preço

Mesmo com os tributos ainda embutidos, a empresa precisa organizar internamente sua formação de preço.

Direção estratégica: separar receita, custo, tributos e margem dentro da gestão, eliminando decisões baseadas em estimativas. “O empresário precisa entender o que é dele e o que é imposto, mesmo que o cliente não veja essa separação”, orienta.

Fase 2 – 2027 a 2032: precificação híbrida e ajustável

Com dois sistemas convivendo, a precificação precisa considerar tanto os tributos embutidos quanto o impacto da nova lógica tributária.

Direção estratégica: trabalhar com estrutura de preço em camadas (operação, tributos antigos e nova tributação), revisando margens com frequência e considerando o efeito dos créditos tributários no caixa. “Nessa fase, quem continuar precificando como antes não percebe, mas começa a perder caixa todos os meses”, diz.

Fase 3 – 2033: precificação estruturada no novo modelo

Com a consolidação do sistema, o preço passa a refletir de forma mais clara a operação da empresa, com tributos tratados separadamente.

Direção estratégica: basear a precificação na margem de contribuição real e na geração de caixa. “O preço precisa refletir o negócio. O imposto é repassado. A margem é o que sustenta a empresa”, afirma.

Marlene Martins explica que a reforma não impacta os setores igualmente. Empresas de serviço, com alta folha de pagamento, tendem a gerar menos crédito tributário, enquanto negócios com maior volume de compras podem se beneficiar mais.

“Quem vende serviço com pouca estrutura de compra tende a sofrer mais. Já empresas organizadas, que compram bem e controlam seus processos, conseguem transformar a tributação em vantagem competitiva. Não dá mais para precificar no escuro. O empresário precisa entender quanto sobra de caixa, não só de lucro”, conclui.

Por Enzo Tres

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