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Dia Mundial da Educação: 7 temas em alta para refletir na data

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9 minutos de leitura 28.04.2026 11:04 comentários
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Dia Mundial da Educação: 7 temas em alta para refletir na data

Questões sobre tecnologia educacional, saúde mental, desenvolvimento socioemocional, capacitação de professores e o impacto da leitura no aprendizado ganham força

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Em meio a transformações aceleradas no ensino, impulsionadas por avanços tecnológicos constantes e novas demandas sociais, o Dia Mundial da Educação convida à reflexão sobre os desafios e o futuro do segmento. Celebrada em 28 de abril, a data foi estabelecida no Fórum Mundial de Educação, em Dakar, em 2000, com o objetivo de promover a educação como direito humano fundamental. 

Nesse contexto, temas como tecnologia educacional, saúde mental, desenvolvimento socioemocional, capacitação de professores e o impacto da leitura no aprendizado ganham força no debate público. A seguir, especialistas de diferentes áreas da educação analisam como essas mudanças têm sido incorporadas na prática e como se adequar à inovação com o objetivo de melhorar a qualidade de ensino e a formação de crianças e jovens para o futuro. Confira!

1. Atenção ao digital está redobrada

O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (Lei nº 15.211/2025), em vigor desde 17 de março, estabelece diretrizes para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, abordando temas como privacidade, segurança, respeito nas interações e uso consciente das tecnologias. Embora a legislação tenha como foco a regulação de produtos e serviços digitais, no contexto educacional, ela reforça a importância de práticas já consolidadas nas escolas. 

“A educação para a cidadania digital precisa ser trabalhada de forma intencional e contínua ao longo da trajetória dos alunos. Em nossa escola, por meio de aulas e projetos integrados ao currículo, especialmente nas áreas de Tecnologia Educacional (EdTech) e Aprendizagem Socioemocional (Social Emotional Learning), são abordados temas como proteção de dados, uso responsável de plataformas digitais, prevenção ao cyberbullying, uso de imagem e comportamento ético no ambiente online”, explica Maria Eduarda Menezes, coordenadora de EdTech na Beacon School, localizada na Vila Leopoldina, em São Paulo.

Além disso, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) incluiu, como fortalecimento da competência 5 – Cultura Digital, o complemento obrigatório da computação no ensino básico, focada no desenvolvimento do pensamento crítico e digital. Para Victor Haony, assessor pedagógico da Mind Makers, isso representa um marco para a educação brasileira ao reconhecer que a educação digital é tão essencial quanto ler, escrever e calcular.

Ainda de acordo com o especialista, essa implementação contribui para a formação de cidadãos que compreendam a tecnologia, ao invés de utilizá-la apenas como uma ferramenta. “Na prática, chamamos de letramento digital e pensamento computacional, ou seja, os alunos serão ‘letrados’ na máquina para compreendê-la e replicar estruturas lógicas em cenários do dia a dia, resolvendo problemas e compreendendo como a máquina funciona, não apenas utilizando-a sem finalidade específica”, ressalta. 

2. Desenvolvimento socioemocional impacta em mais de uma área

As competências socioemocionais dizem respeito à capacidade de mobilizar conhecimentos, habilidades e atitudes para resolver problemas e enfrentar desafios de forma eficaz. Elas envolvem aspectos como autoconhecimento, autogerenciamento, consciência social, habilidades de relacionamento e tomada de decisão responsável, sendo fundamentais para o desenvolvimento integral dos estudantes.

“Para que essas competências sejam efetivamente desenvolvidas, é necessário ir além do ensino pontual de habilidades isoladas, promovendo experiências que integrem atitudes, valores e práticas no cotidiano escolar”, afirma Fabiana Santana, assessora pedagógica do programa de educação socioemocional da SOMOS Educação, Líder em Mim.  

Segundo ela, o fortalecimento das competências socioemocionais tem impacto direto no desempenho acadêmico, na permanência escolar e no engajamento dos alunos. “Habilidades como autocontrole, perseverança, empatia e comunicação eficaz favorecem a concentração, a participação em sala de aula e o desenvolvimento de estratégias de estudo mais eficientes”, destaca.

Alunos emocionalmente competentes, indica a assessora pedagógica, lidam melhor com o estresse, a frustração e os desafios do aprendizado, o que se reflete em melhores resultados acadêmicos e em maior motivação para aprender. Além disso, o desenvolvimento socioemocional contribui para ambientes escolares mais positivos e acolhedores, reduzindo conflitos, fortalecendo o senso de pertencimento e ampliando o vínculo dos estudantes com a escola. 

3. Bilinguismo cresce como tendência

O inglês nunca esteve tão presente no dia a dia de todos nós. Estima-se que mais de 1,5 bilhão de pessoas utilizem o idioma em todo o mundo, sendo oficial em mais de 60 países. No Brasil, entretanto, apenas 5% da população domina a língua de forma fluente, segundo dados do British Council. Essa lacuna tem impacto direto tanto no mercado de trabalho, em que a fluência pode representar até 61% de aumento salarial, de acordo com pesquisa da Catho, quanto na vida acadêmica e cultural, já que uma parcela representativa da produção científica e artística mundial é difundida em inglês. 

Com esse cenário, especialistas defendem que a motivação para aprender inglês deve ir além da sala de aula, aproximando os estudantes de situações reais em que o idioma se torne indispensável. Para Maria Daiana, Star Reference do Colégio Excelsior e assessora pedagógica do programa de educação bilíngue Eduall, a escola tem papel fundamental nesse processo.

“O maior motivo para aprender inglês é que ele conecta o cidadão ao mundo. Seja por entretenimento, trabalho ou hobbies, precisamos dessa língua global para estabelecer uma comunicação autêntica e verdadeira entre culturas e nações. O domínio do inglês impacta todas as áreas da vida. Vivemos num mundo cada vez mais conectado, e a língua inglesa é a chave para acompanhar essa evolução”, afirma. 

Mulher usando crachá e sorrindo, sentada em uma sala com uma das mãos levantadas
A formação continuada dos professores é um dos principais pilares para garantir uma educação de qualidade (Imagem: Drazen Zigic | Shutterstock)

4. Formação docente é o ponto de partida para transformar a educação

A capacitação e a formação contínua de professores são pilares centrais para garantir uma educação de qualidade, capaz de transformar o potencial dos estudantes em trajetórias acadêmicas e profissionais consistentes. Mais do que dominar conteúdos, o educador contemporâneo precisa estar preparado para aplicar metodologias ativas, integrar tecnologias de forma crítica e promover um ambiente de aprendizagem acolhedor, desafiador e significativo.   

“Esse processo formativo permite que o professor atue como mediador do conhecimento, estimulando o pensamento crítico, a autonomia e o desenvolvimento socioemocional dos alunos. Investir na formação docente, portanto, é investir diretamente na construção de experiências educativas mais eficazes, alinhadas às demandas do século XXI e comprometidas com a formação integral dos sujeitos”, comenta Aline Castro, diretora pedagógica do Sistema de Ensino pH.  

5. Metodologias evoluem com a tecnologia

Em um cenário marcado por mudanças tecnológicas aceleradas e novas exigências cognitivas, cresce a compreensão de que aprender não depende apenas do conteúdo ensinado, mas também da forma como o conhecimento é construído. A organização do método, a clareza das etapas e o estímulo ao raciocínio são fatores que influenciam diretamente o engajamento e a confiança dos alunos — especialmente na matemática, disciplina que frequentemente concentra desafios emocionais e pedagógicos ao longo da trajetória escolar.  

Para Jalman Lima, gestor de Negócios Acadêmicos da Casio Educação, a reflexão proposta pelo Dia Mundial da Educação passa necessariamente pela revisão das práticas de ensino. “A data nos convida a refletir não apenas sobre o acesso ao ensino, mas sobre a qualidade da aprendizagem que estamos oferecendo. Quando os métodos valorizam a compreensão e o processo, a matemática deixa de ser vista como um obstáculo e passa a cumprir seu papel como ferramenta essencial para a formação dos estudantes”, afirma. 

6. Leitura como base para o desenvolvimento

Para Suria Scapin, editora em Leiturinha, clube de livros infantojuvenil, “a leitura literária desperta a curiosidade e favorece o desenvolvimento da autonomia crítica e do repertório emocional em leitores de qualquer idade. No caso das crianças, a leitura atua como uma ferramenta de aprendizado orgânico, permitindo que o conhecimento seja absorvido por meio da fruição e de forma fluida. As ilustrações também desempenham um papel fundamental nesse processo, pois adicionam camadas narrativas que dialogam com o texto”. 

É importante destacar, explica a profissional, que o aprendizado mais profundo ocorre justamente quando a narrativa não tenta ensinar, mas quando abre espaço para uma leitura ativa, que permite interpretações e questionamentos. “Essa abordagem respeita a inteligência do público infantil e sua capacidade de construir sentidos”, afirma. 

7. Importância do educador

Esther Carvalho, diretora-geral do Colégio Rio Branco, resume: “aprender a conhecer segue sendo fundamental, mas se soma a outras dimensões essenciais: aprender a ser, a conviver e aprender a aprender para construir sentido e perseverar em um mundo cada vez mais complexo”.

Segundo ela, a educação precisa ir além da transmissão de conteúdo, formando indivíduos críticos, autônomos e preparados para lidar com as constantes transformações da sociedade. “Diante desse cenário, o Dia Mundial da Educação reforça a urgência de reconhecer o valor social da escola e dos educadores”, afirma.

Ela também destaca a importância da educação no Brasil e o papel central dos professores nesse processo. “Em um país como o Brasil, marcado por desigualdades, mas também por enorme potência transformadora, é fundamental investir não apenas em estrutura, mas no prestígio e na valorização da profissão docente. A escola não é apenas um espaço que prepara para o futuro, é o lugar onde o futuro é construído diariamente. E garantir que ela cumpra esse papel exige compromisso coletivo, visão de longo prazo e a convicção de que educar é, acima de tudo, um ato de responsabilidade compartilhada e de esperança”, finaliza. 

Por André Taheiji 

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