5 cuidados para hidratar a pele de pessoas com diabetes e prevenir rachaduras
Ressecamento pode favorecer fissuras e infecções; especialistas explicam como manter a pele hidratada e por que os pés exigem atenção especial
A pele seca exige atenção redobrada de quem tem diabetes. Além do desconforto causado pela coceira e pela descamação, o ressecamento pode provocar rachaduras e fissuras que facilitam a entrada de microrganismos. Nos pés, o cuidado é ainda mais importante, pois alterações na sensibilidade podem fazer com que pequenos ferimentos passem despercebidos.
Segundo a dermatologista Dra. Tatyane de Carvalho, a glicemia elevada pode contribuir para a desidratação do organismo, enquanto alterações na barreira cutânea prejudicam a capacidade de a pele reter água. “Quando a glicemia permanece elevada, o organismo tende a eliminar mais glicose pela urina, aumentando também a perda de líquidos e favorecendo a desidratação. Além disso, alterações na barreira cutânea podem comprometer a capacidade da pele de reter água, tornando-a mais áspera, sensível e menos flexível”, explica.
A seguir, confira cuidados que pessoas com diabetes devem ter com a pele.
1. Utilize hidratante diariamente
A aplicação regular de hidratante ajuda a manter a pele macia e flexível, reduzindo o ressecamento e a possibilidade de surgirem fissuras. O ideal é aplicar o produto após o banho, com a pele limpa e levemente úmida, dando atenção especial às regiões mais ressecadas, como pernas, mãos, cotovelos, calcanhares e pés.
“A hidratação precisa fazer parte da rotina de cuidados, principalmente para quem percebe a pele mais seca ou áspera. A escolha de um produto adequado e a aplicação regular ajudam a manter a pele macia e a preservar sua barreira de proteção”, afirma Luana Batista, coordenadora educacional, biomédica e esteticista da Raavi.
2. Observe os ingredientes do hidratante
Alguns ingredientes contribuem para a retenção de água e a proteção da barreira cutânea. A glicerina, por exemplo, ajuda a atrair e reter água na pele, enquanto as ceramidas auxiliam na manutenção de sua barreira protetora. O ácido hialurônico também é utilizado em formulações hidratantes.
A ureia é outro ingrediente comum em produtos destinados à pele ressecada, principalmente em regiões como calcanhares, pernas e cotovelos. A concentração, porém, deve ser escolhida de acordo com a necessidade da pele.
“A ureia também é bastante utilizada, especialmente em áreas com ressecamento intenso e espessamento da pele. A escolha deve considerar a região do corpo, a intensidade do ressecamento e a presença de fissuras ou feridas”, explica a Dra. Tatyane de Carvalho.
Concentrações mais elevadas podem provocar ardência e irritação, especialmente quando existem fissuras, feridas ou áreas inflamadas. Por isso, produtos com ureia não devem ser aplicados sobre lesões abertas sem orientação profissional.

3. Dê atenção especial aos pés
Os pés merecem cuidados diários porque o diabetes pode provocar alterações na sensibilidade e na circulação, além de prejudicar a cicatrização. Com isso, pequenos cortes, bolhas e rachaduras podem passar despercebidos e evoluir para complicações.
“Os pés estão entre as regiões mais vulneráveis às complicações do diabetes devido à possibilidade de alterações na sensibilidade, na circulação e na cicatrização. A neuropatia diabética pode fazer com que a pessoa não perceba pequenos cortes, bolhas, queimaduras ou machucados provocados pelo calçado”, alerta a Dra. Tatyane de Carvalho.
A recomendação é lavar os pés com água em temperatura segura, secá-los cuidadosamente, inclusive entre os dedos, e observar diariamente a presença de alterações na pele. O hidratante pode ser aplicado nos calcanhares, na planta e no dorso dos pés, evitando o espaço entre os dedos, onde o excesso de umidade pode favorecer problemas de pele.
4. Evite produtos que possam irritar a pele
Sabonetes agressivos, esfoliantes abrasivos, produtos com fragrâncias intensas e formulações com alto teor de álcool podem comprometer a barreira cutânea e intensificar o ressecamento. Nos pés, também é necessário ter cuidado com lixas, lâminas e removedores químicos de calos, que podem provocar lesões.
“É aconselhável evitar produtos que possam irritar a pele já sensibilizada. Isso inclui sabonetes bactericidas de uso contínuo, fórmulas com alta concentração de álcool ou fragrâncias muito intensas e esfoliantes físicos ásperos”, reforça a dermatologista Dra. Ana Júlia.
Na rotina de autocuidado, a escolha de cosméticos adequados deve considerar as características da pele. Em caso de sensibilidade, lesões ou dúvidas sobre os produtos, a orientação de um profissional de saúde é importante.
5. Observe alterações e procure ajuda
Coceira persistente, descamação excessiva, vermelhidão, fissuras profundas, bolhas e feridas que demoram a cicatrizar são sinais que merecem avaliação profissional.
“Nos pés, qualquer ferida aberta deve ser avaliada prontamente, mesmo que não provoque dor. Sinais como secreção, aumento de vermelhidão, calor local, inchaço, escurecimento da pele ou febre exigem atendimento médico urgente, pois podem indicar complicações infecciosas ou circulatórias”, alerta a Dra. Ana Júlia.
A hidratação é uma medida importante para preservar a barreira cutânea, mas deve estar associada ao controle da glicemia, à inspeção diária dos pés, ao uso de calçados apropriados e ao acompanhamento médico. O hidratante ajuda a prevenir rachaduras, mas não substitui a avaliação de feridas ou alterações circulatórias e de sensibilidade.
Por Denise Bispo
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