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10 filmes para ampliar o repertório cultural e fortalecer a argumentação na redação
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EdiCase
7 minutos de leitura 25.06.2026 19:04 comentários
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10 filmes para ampliar o repertório cultural e fortalecer a argumentação na redação

Especialistas explicam como o cinema pode ajudar na construção de argumentos mais consistentes para Enem e vestibulares

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Durante a preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e os vestibulares mais concorridos do país, muitos estudantes concentram seus esforços em gramática, interpretação de textos e prática da escrita. No entanto, um bom desempenho na redação também exige a capacidade de mobilizar repertórios socioculturais relevantes para seus argumentos e reflexões. Nesse contexto, o cinema pode ser um importante aliado. 

Segundo o professor de Língua Portuguesa do Sistema Anglo de Ensino, Eloy Gustavo de Souza, o repertório cultural vai muito além dos conteúdos aprendidos em sala de aula. “Os filmes trazem matéria para reflexão. Eles apresentam situações que permitem discutir temas como direitos humanos, desigualdade social, racismo, guerra, justiça e comportamento. Quanto mais repertório o estudante possui, maior é sua capacidade de estabelecer conexões e construir argumentos consistentes”, afirma.

Cuidados ao usar referências cinematográficas nas redações

De acordo com Fernanda Becker, analista pedagógica da plataforma Redação Nota 1000, é necessário estar alerta sobre possíveis equívocos no uso de referências cinematográficas. Em atualizações recentes, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enem, esclareceu que todos os repertórios forçados, considerados como ‘de bolso’ pelo exame, terão nota limitada em dois dos quesitos avaliativos. 

“Por isso, é imprescindível que os estudantes saibam que, para acrescentar uma referência no texto, é preciso ler com atenção a proposta temática para entender o recorte proposto, e ter conhecimento e domínio suficiente da obra para estabelecer relações claras com o tema e argumentos defendidos”, indica.

Filmes para ampliar o repertório cultural

Para ajudar os candidatos que querem ter bom desempenho na redação do Enem e dos vestibulares, Fernanda Becker e Eloy Gustavo de Souza recomendam 10 filmes nacionais e internacionais, voltados para diferentes temáticas, que podem auxiliar na ampliação do repertório sociocultural e ser referência para argumentação. Confira!

1. O Som Ao Redor (2012) – Kleber Mendonça Filho

A trama se passa em um bairro de classe média de Recife (PE), onde a rotina dos moradores começa a mudar com a chegada de um grupo de vigilantes que promete aumentar a segurança da região, após uma série de assaltos a casas e carros. A partir desse conflito, o filme revela tensões sociais e relações de poder que se escondem em um cotidiano aparentemente banal. 

“Pode ser mencionado em temas de redação que abordem a violência urbana, as heranças escravocratas na sociedade brasileira contemporânea e os impactos da especulação imobiliária”, aponta Fernanda Becker.

Onde assistir: Netflix e Telecine.

2. Saneamento Básico, o Filme (2007) – Jorge Furtado

Nesta comédia, dois universos aparentemente distantes se cruzam: arte e políticas públicas. Os moradores de uma pequena cidade no Sul do Brasil enfrentam sérios problemas por conta da falta de saneamento básico. Sem verbas disponíveis para obras na área, a prefeitura oferece um fundo de R$ 10 mil destinado à produção de um curta-metragem. Marina e Joaquim, dois moradores locais, decidem então fazer o filme para conseguir os recursos necessários para a obra. O longa destaca o papel da cultura e os desafios relacionados à infraestrutura básica no país.

Onde assistir: Globoplay, HBO Max, Claro TV+, MUBI e Telecine.

Uma jovem menina ribeirinha com cabelos escuros e ondulados, olhando para cima com uma expressão pensativa ou de expectativa. Ao fundo, ligeiramente fora de foco, um homem de boné e camisa azul segura um remo, indicando que estão em uma embarcação. O cenário é de floresta densa e iluminada pelo sol.
“Manas” pode ser utilizada como repertório em redações que abordem violência contra crianças e adolescentes, desigualdades sociais e violações de direitos (Imagem: Reprodução digital | Paris Filmes)

3. Manas (2024) – Marianna Brennand

A história acompanha uma jovem de 13 anos residente da isolada Ilha do Marajó, arquipélago paraense, que tem sua vida transformada após a partida da irmã mais velha. Com isso, ela passa a carregar novas responsabilidades enquanto começa a perceber tensões, silêncios e situações inquietantes dentro e fora de casa. O longa pode ser citado em temáticas que abordem a adultização precoce e a sexualização infantil, segundo a especialista da Redação Nota 1000.

Onde assistir: Globoplay e Telecine.

4. A Filha do Palhaço (2022) – Pedro Diógenes

A obra narra a história de uma jovem de 14 anos que reencontra o pai, com quem teve pouco contato ao longo da vida, e decide passar uma semana com ele. Durante esse período, ambos colocam à prova uma relação que nunca, até então, teve tempo e espaço para se desenvolver. “Pode ser mencionada em temas que contemplem a ausência paterna, relações entre pais e filhos e LGBTfobia”, diz Fernanda Becker.

Onde assistir: Apple TV.

5. A Felicidade das Coisas (2022) – Thais Fujinaga

A trama acompanha a história de uma mulher, mãe de dois filhos, prestes a dar à luz ao terceiro. De férias em uma casa simples no litoral, seu grande sonho é construir uma piscina em casa, plano que é constantemente interrompido por problemas financeiros e pela ausência do marido. “Pode ser referenciado em assuntos acerca da sobrecarga feminina, da ausência paterna e da relação entre consumo e felicidade”, sugere a analista pedagógica.

Onde assistir: Embaúba Play e Filmicca.

Em primeiro plano, um jovem soldado com o rosto sujo de terra sorri de forma contida enquanto segura uma maçã vermelha com as duas mãos, perto do peito. Ele veste uma jaqueta clara manchada e um lenço vermelho no pescoço. Ao fundo, vários outros soldados uniformizados caminham em um campo aberto sob a luz do dia.
“Filhos da guerra” contribui para reflexões sobre identidade, sobrevivência, preconceito e os efeitos das ideologias extremistas na sociedade (Imagem: Reprodução digital | Les Films du Losange, CCC Filmkunst, Telmar Film International, Les Films du Losange e Zespol Filmowy “Perspektywa”)

6. Filhos da guerra (1991) – Agnieszka Holland

Embasado em uma história real, o filme acompanha um jovem judeu que, durante a Segunda Guerra Mundial, precisou assumir diferentes identidades para sobreviver à ocupação da Polônia por soviéticos e nazistas. “Ao retratar sua trajetória entre a Juventude Comunista e a Juventude Hitlerista, a obra expõe as contradições dos regimes totalitários e questiona as teorias raciais defendidas pelo nazismo”, detalha Eloy Gustavo de Souza.

7. Tempos de viver (1994) – Zhang Yimou

Por meio da trajetória de uma família, o filme percorre alguns dos momentos mais marcantes da história da China no século XX, como a Guerra Civil Chinesa, a invasão japonesa, a Revolução de 1949 e a Revolução Cultural. “Ao retratar os impactos desses eventos na vida cotidiana, a obra convida à reflexão sobre os custos humanos dos conflitos políticos e dos regimes autoritários”, indica o especialista do Anglo.

8. Glória feita de sangue (1957) – Stanley Kubrick

Misturando elementos de filme de guerra e drama judicial, a obra denuncia os abusos cometidos pelos altos comandos militares durante a Primeira Guerra Mundial. Segundo Eloy Gustavo de Souza, ao trazer soldados transformados em bodes expiatórios para encobrir erros estratégicos, o filme promove uma reflexão sobre poder, injustiça e responsabilidade em tempos de conflito.

Onde assistir: Prime Video.

Uma fotografia em preto e branco com um grupo de homens em uma sala, enquadrados do peito para cima. Eles vestem camisas sociais, gravatas e paletós da época. Com fisionomias sérias e preocupadas, a maioria deles olha fixamente na mesma direção, em um ambiente de forte tensão e concentração.
“12 homens e uma sentença“ é uma referência importante para discussões sobre justiça, responsabilidade, ética e os impactos dos preconceitos nos processos de julgamento (Imagem: Reprodução digital | Orion-Nova Productions)

9. 12 homens e uma sentença (1957) – Sidney Lumet

Considerado um dos maiores clássicos do gênero jurídico, o filme acompanha 12 jurados encarregados de decidir o destino de um jovem acusado de assassinato. O professor de Língua Portuguesa explica que, à medida que o debate avança, preconceitos, interesses pessoais e julgamentos precipitados vêm à tona, promovendo uma reflexão sobre justiça, responsabilidade e a importância da presunção de inocência.

Onde assistir: Prime Video.

10. A primeira coisa bela (2010) – Paolo Virzi

Sob a perspectiva do filho da protagonista, o filme aborda de forma sensível os impactos do machismo na vida das mulheres. A trama acompanha Anna Michelucci, cuja beleza e ingenuidade a tornam alvo de julgamentos, interesses e preconceitos, promovendo uma reflexão sobre desigualdade de gênero, objetificação feminina e relações familiares. 

Por Tiago Loiola

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