Veneza Brasileira: a cidade onde dois rios atravessam as ruas e o passeio é eleito um dos melhores do mundo pelo The Guardian e The Wall Street Journal
A “Veneza Brasileira” apontada pelo The Guardian e The Wall Street Journal como um dos melhores do mundo
Dois rios atravessam as ruas de Morretes e formam pequenas ilhas no meio do centro histórico. Esse traçado rendeu à cidade o apelido de Veneza Brasileira e ela ainda é ponto de chegada do passeio de trem apontado pelo The Guardian e pelo The Wall Street Journal como um dos melhores do mundo.
Por que chamam Morretes de Veneza Brasileira?
Os rios Nhundiaquara e Marumbi não passam pelo lado da cidade, eles passam por dentro. Serpenteiam entre praças e ruas de paralelepípedo, formam pequenas ilhas e criam pontes que, ao pôr do sol, refletem a luz dourada nos casarões coloniais das margens. O efeito é tão marcante que o passeio de gôndola pelo Nhundiaquara se tornou uma das atrações do centro histórico.
Fundada em 1733, Morretes prosperou pelo ouro, depois pela erva-mate e pela cana-de-açúcar. Já no século XIX, o nome da cidade chegou a ser trocado para Nhundiaquara, palavra tupi que significa “buraco do peixe”, mas em 1870 voltou ao nome original, em alusão aos três morros que cercam a sede municipal. O casario preservado desde então forma um dos centros históricos mais íntegros do litoral paranaense.

O barreado que virou patrimônio gastronômico do Brasil
Poucas cidades do Brasil têm um prato tão inseparável da sua identidade. O barreado é carne bovina cozida por no mínimo oito horas em panela de barro lacrada com goma de farinha de mandioca, servida com banana e farinha branca. A técnica de “barrear” a panela, vedando a tampa para manter o vapor, deu nome ao prato. Em 2022, o barreado tornou-se o 100º produto brasileiro a receber a Indicação Geográfica do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), reconhecimento que protege o modo de preparo tradicional com mais de 200 anos. Em 2023, a plataforma TasteAtlas elegeu o prato como a terceira melhor receita com carne e bacon do mundo.
A estimativa do Governo do Paraná é de que os 11 restaurantes certificados sirvam entre 2.500 e 3.000 pratos de barreado por fim de semana. Quase metade da população local, cerca de 48%, depende direta ou indiretamente do turismo gerado pelo prato e pelo trem.

O que fazer na Veneza do Paraná?
Morretes é compacta e o centro histórico se percorre a pé. Estas são as principais paradas, segundo fontes locais e o Governo do Estado do Paraná:
- Centro histórico e rio Nhundiaquara: passeio de gôndola, feiras de artesanato, casarões coloniais e restaurantes às margens do rio. O casarão mais antigo da cidade abriga o Hotel e Restaurante Nhundiaquara, com paredes do século XVII.
- Igreja Matriz Nossa Senhora do Porto: construída em 1812 e inaugurada em 1850, guarda um sino português de 1854 no campanário.
- Parque Estadual Pico do Marumbi: a cerca de 15 km do centro, reúne oito picos de diferentes graus de dificuldade e é considerado o berço do montanhismo no Brasil.
- Estrada da Graciosa: rodovia histórica que sobe a Serra do Mar entre mata fechada, quedas d’água e neblina, usada como alternativa cênica de retorno a Curitiba.
- Cachaça artesanal de Morretes: produzida desde a fundação da cidade em 1733 e reconhecida com Indicação Geográfica pelo INPI. As destilarias do centro vendem garrafas diretamente ao turista.
Quem busca história e charme no Paraná, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Paz, Amor e Viagem, que conta com mais de 138 mil visualizações, onde os apresentadores mostram por que Morretes parece uma verdadeira pintura:
O trem mais famoso do Brasil começa aqui
A Estrada de Ferro Paranaguá-Curitiba, inaugurada em 5 de fevereiro de 1885, conecta Curitiba a Morretes em cerca de 4 horas de descida pela Serra do Mar. O trajeto passa por 13 túneis, mais de 30 pontes e viadutos e atravessa a maior extensão preservada de Mata Atlântica do país. Os jornais The Guardian e The Wall Street Journal listaram o passeio entre os melhores do mundo. A Serra Verde Express opera o trem diariamente na alta temporada e às sextas, sábados e domingos no restante do ano, com saída às 8h30 da Estação Rodoferroviária de Curitiba.
Quem sonha em fazer o passeio de trem mais famoso do Brasil, vai amar este vídeo do canal Fabi Cassol | Minha Praia Viajar, com mais de 398 mil visualizações, onde Fabi Cassol mostra a descida da serra de Curitiba até Morretes:
Quando ir e o que fazer em cada estação
Morretes tem chuvas frequentes ao longo do ano, especialmente no verão. A tabela abaixo resume o perfil de cada época, com base nos dados do Climatempo:
Temperaturas aproximadas. Condições podem variar. Consulte o Climatempo antes de viajar.
Como chegar à cidade das pontes e rios
Morretes fica a 70 km de Curitiba pela BR-277, com acesso alternativo pela histórica Estrada da Graciosa. De trem, o trajeto pela Serra Verde Express sai de Curitiba às 8h30 e chega a Morretes em cerca de 4 horas. Não há aeroporto na cidade; o mais próximo é o Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, a cerca de 80 km.
Uma cidade que cabe numa tarde e dura na memória
Morretes não precisa de muito tempo para convencer. Os rios que cortam o centro, o barreado fumegando na panela de barro e o som do trem descendo a serra compõem uma experiência que poucos lugares do Brasil conseguem reunir num só destino.
Você precisa descer a Serra do Mar de trem, almoçar barreado com os pés na beira do Nhundiaquara e entender por que essa cidade pequena do Paraná tem o apelido de cidade italiana.
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