Única cidade brasileira construída dentro de um vulcão extinto, com águas termais curativas e a qualidade de vida garantida
Águas a 45 °C brotam de um vulcão extinto há 80 milhões de anos no sul de Minas
A 1.186 m de altitude, rodeada por montanhas que desenham a borda de uma antiga caldeira gigante, Poços de Caldas está sobre uma das formações geológicas mais raras do planeta. A água sulfurosa brota quente do subsolo, o clima de serra refresca a rotina e o IDH de 0,779 reforça o que muita gente percebe ao chegar: viver na cidade combina bem-estar, natureza e qualidade de vida.
Por que a cidade nasceu dentro de um vulcão extinto?
Há cerca de 80 milhões de anos, durante o período Cretáceo, uma intrusão de rochas alcalinas elevou o solo da região mais de 500 m acima do entorno. Depois, o magma esfriou, o centro afundou e surgiu a caldeira circular onde hoje está a cidade. O Complexo Alcalino de Poços de Caldas tem aproximadamente 30 km de diâmetro e cerca de 800 km² de área, sendo considerado um dos maiores maciços alcalinos do mundo, segundo debate realizado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
As serras que emolduram a paisagem correspondem às bordas dessa antiga caldeira. A atividade vulcânica terminou há dezenas de milhões de anos, e a estrutura é classificada por cientistas como extinta, sem risco de reativação. A mesma geologia também explica as águas sulfurosas, as jazidas de bauxita, urânio e terras raras e o solo fértil que favorece a produção de cafés especiais na região.

Vale a pena morar na cidade termal do sul de Minas?
Os indicadores mostram que sim. Na edição 2025 do levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), com ano-base 2023, Poços de Caldas liderou o ranking de desenvolvimento socioeconômico de Minas Gerais, com índice geral de 0,8457 e 54ª posição entre 5.550 municípios brasileiros, conforme divulgado pela Prefeitura de Poços de Caldas. A cidade foi a única mineira entre as 100 melhores do país nesse estudo.
O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil de 2025 também colocou o município entre os 10% mais bem avaliados do país, com nota 64,84 e 505ª colocação geral. A estrutura de saúde inclui hospital regional, unidades básicas espalhadas pelos bairros e instituições de ensino superior que ajudam a manter jovens na cidade. Com cerca de 171 mil habitantes e clima ameno durante o ano inteiro, a serra atrai aposentados e famílias que buscam uma rotina mais tranquila.

Uma das poucas cidades brasileiras com selo máximo no turismo
Poços de Caldas segue na categoria A do Mapa do Turismo Brasileiro, a mais alta em uma classificação que vai de A a E, de acordo com a Prefeitura. Em Minas Gerais, apenas Belo Horizonte e Uberlândia aparecem no mesmo patamar. A plataforma Booking também incluiu a cidade entre os oito destinos tendência do Brasil, após registrar alta expressiva no volume de reservas.
O modelo de concessão dos atrativos turísticos, firmado com a Citur, foi finalista do Prêmio Associação Mineira de Municípios (AMM) de Boas Práticas em Gestão do Turismo em 2025. O contrato prevê reforma e manutenção dos principais pontos turísticos por 35 anos, com melhorias já percebidas no Complexo do Cristo Redentor, na Fonte dos Amores e no Véu das Noivas.
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O que fazer em Poços de Caldas além dos banhos termais?
A cidade reúne mais de 20 atrações, muitas delas acessíveis a pé a partir da região central. Entre os lugares que merecem entrar no roteiro, estão:
- Thermas Antônio Carlos: inauguradas em 1931, foram o primeiro estabelecimento termal moderno do Brasil. A água sulfurosa chega às banheiras a 37 °C e o prédio neoclássico é tombado pelo patrimônio estadual. São mais de 50 serviços disponíveis, segundo o Governo de Minas Gerais.
- Cristo Redentor e teleférico: o monumento de 30 m fica no alto da Serra de São Domingos, a 1.686 m de altitude, com vista ampla da caldeira. O teleférico percorre 1.500 m sobre a mata e o Parque do Cristo recebeu cerca de 442 mil visitantes em 2023.
- Fonte dos Amores: inaugurada em 1929, abriga escultura em mármore do italiano Giulio Starace e funciona como ponto de partida da trilha até o Cristo.
- Cascata das Antas: formada pelo Rio das Antas, reúne três quedas d’água próximas às ruínas da primeira hidrelétrica da cidade, construída em 1898.
- Pedra Balão: formação rochosa de origem vulcânica equilibrada sobre uma base estreita, com 10 m de altura e vista para a serra.
- Recanto Japonês: jardim temático com casa de chá, lago de carpas e arquitetura inspirada no Japão em meio à vegetação da serra, dentro do Parque José Affonso Junqueira.
Quem tem curiosidade de conhecer uma estância hidromineral única e cheia de história, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 240 mil visualizações, onde a apresentadora mostra o teleférico, as águas termais e os antigos cassinos de Poços de Caldas – MG:
Quando visitar a serra e o que aproveitar em cada estação?
O clima de altitude mantém temperaturas agradáveis ao longo do ano, com média anual próxima de 18 °C. O inverno seco costuma ser a alta temporada, mas cada estação oferece um tipo de experiência:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade construída dentro da caldeira
De São Paulo, são cerca de 260 km pela Rodovia Anhanguera, seguindo depois pela SP-340 e pela BR-146, em uma viagem de aproximadamente 3h30. De Belo Horizonte, o trajeto de 450 km passa pela Fernão Dias (BR-381) e pela BR-267, levando em torno de 6 horas. Também há ônibus diretos saindo das duas capitais e do Rio de Janeiro, a 480 km. O Aeroporto de Viracopos, em Campinas, fica a cerca de 170 km e costuma ser a opção aérea mais próxima.
A serra que aquece por dentro e por fora
Poucas cidades no mundo conseguem ligar águas quentes, cristais, cafés especiais e paisagens de montanha a uma mesma origem geológica. Poços de Caldas transforma uma herança vulcânica de 80 milhões de anos em qualidade de vida, turismo de referência nacional e um ritmo de cidade que convida a ficar.
Vale subir a serra e sentir Poços de Caldas de perto, a cidade onde a água quente nasce da terra e o tempo parece andar mais devagar entre montanhas que já foram vulcão.
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