Tricampeã nacional em qualidade de vida, esse município do interior com 4,8 mil habitantes guarda a maior pista de pouso das Américas
O tamanho da pista contrasta com a pequena população do município
Cidade pequena costuma aparecer em ranking nacional por acaso, quase nunca três vezes seguidas. Gavião Peixoto, na região de Araraquara, no interior de São Paulo, é a exceção: com menos moradores que muitos bairros da capital, lidera o principal índice de qualidade de vida do país e ainda abriga, atrás de uma cerca industrial, uma pista de quase 5 km usada para testar caças e cargueiros militares.
Como um município de 4,8 mil moradores lidera o ranking nacional?
O resultado vem do Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, levantamento do Imazon em parceria com a Social Progress Imperative que avalia os 5.570 municípios brasileiros a partir de 57 indicadores sociais e ambientais. Gavião Peixoto ficou em primeiro lugar pelo terceiro ano consecutivo, à frente de Jundiaí e de nomes como Curitiba, melhor capital do estudo, e Nova Lima, em Minas Gerais.
Os componentes que puxaram a nota mostram onde a cidade acerta. Conforme a CNN Brasil, o município alcançou 97,09 pontos em Moradia, 89,99 em Água e Saneamento e 80,46 em Segurança Pessoal, além de nota alta em acesso ao conhecimento básico. É o mesmo padrão observado em outras cidades do interior paulista que gabaritam rankings nacionais: estrutura básica resolvida antes de a cidade crescer.

O que faz uma pista de quase 5 km no meio do interior paulista?
A resposta pousa ali quase todo dia. A Embraer instalou no município, em 2001, uma unidade voltada à montagem final e aos ensaios em voo, e construiu para isso um aeródromo próprio. Segundo o registro do aeródromo Embraer Unidade Gavião Peixoto, a pista principal tem 4.967 metros de comprimento, a mais longa de uso público das Américas.
É nessa faixa de asfalto que decolam projetos conhecidos da indústria de defesa brasileira, como o cargueiro C-390 Millennium, o turboélice de ataque leve A-29 Super Tucano e o caça Gripen, desenvolvido em parceria com a sueca Saab. O efeito na economia local é desproporcional ao tamanho da cidade: conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tem o quarto maior PIB per capita de São Paulo e a 11ª posição entre todos os municípios do país, patamar que nenhuma capital brasileira alcança.

De núcleo colonial a município independente
A origem é bem anterior aos aviões. A cidade nasceu como núcleo colonial em 12 de janeiro de 1907, dentro de uma política do governo paulista de ocupação do interior que também deu origem a Nova Europa, e recebeu o nome do conselheiro Bernardo Avelino Gavião Peixoto, dono das terras às margens do rio Jacaré-Guaçu.
Por quase um século, o povoado permaneceu como distrito de Araraquara. A emancipação só veio em 27 de dezembro de 1995, depois de mobilização dos moradores, com instalação oficial do município no primeiro dia de 1997. Menos de cinco anos depois, a fábrica de aviões mudaria de vez a escala da economia local.
O que ver e comer na cidade da coxinha gigante
O roteiro é curto, e a graça está justamente nisso: quase tudo acontece em ritmo de interior, com o rio como principal ativo natural. Confira abaixo o que costuma atrair visitantes das cidades vizinhas:
- Coxinhas gigantes: salgados que passam de 400 gramas, vendidos no bairro Nova Pauliceia, viraram a marca gastronômica do município e motivo de viagem para quem mora na região.
- Rio Jacaré-Guaçu: delimita parte das divisas da cidade e concentra pesca esportiva e atividades de aventura, como boia-cross e rafting.
- Julinão: a principal festa do calendário municipal, realizada no meio do ano, com shows sertanejos e forte movimento no comércio local.
- Vista do aeródromo: os ensaios em voo da Embraer tornaram comum ver caças e cargueiros cruzando o céu da cidade em dias de teste.
Quem quer entender por que Gavião Peixoto lidera a qualidade de vida no Brasil, vai curtir esse vídeo do canal MAIS 50, com mais de 38 mil visualizações, onde Dimas Moura mostra a cidade:
Como é o clima de Gavião Peixoto ao longo do ano?
O município fica no cerrado paulista, a mais de 600 metros de altitude, com duas estações bem marcadas e uma diferença enorme de chuva entre elas. Veja abaixo como o tempo se comporta em Gavião Peixoto durante o ano:
Médias mensais de chuva com base na climatologia do Climatempo. As condições variam de um ano para outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes de programar a viagem.
Conheça a cidade pequena que virou referência nacional
Gavião Peixoto mostra que qualidade de vida não depende de tamanho, e sim de coisas simples resolvidas: casa com infraestrutura, água tratada, escola sem fila e rua tranquila. A fábrica de aviões trouxe renda incomum para um município desse porte, mas o que sustenta o primeiro lugar no ranking é o básico funcionando.
Você precisa passar um dia no interior paulista, comer uma coxinha do tamanho de um prato e ver um caça cruzando o céu de uma cidade com menos de 5 mil moradores.
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