Terra de Glauber Rocha, premiado como melhor diretor em Cannes: a terceira maior cidade da Bahia virou destino de estudantes de todo o país
Universidades ajudaram a transformar a cidade em destino de estudantes
O cineasta que levou o sertão brasileiro para as telas europeias nasceu bem longe do litoral baiano. Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, viu nascer Glauber Rocha em 1939 e hoje leva o nome dele no aeroporto. A cidade cresceu como centro de comércio, saúde e ensino de uma região com cerca de dois milhões de habitantes.
Por que Vitória da Conquista é chamada de terra de Glauber Rocha?
Porque foi ali que ele passou a infância. O diretor nasceu na cidade em 14 de março de 1939 e viveu no centro até os nove anos, antes de a família se mudar para Salvador. A irmã, a atriz Anecy Rocha, também nasceu no município, em 1942.
A trajetória seguinte transformou o nome em referência do cinema brasileiro. Fundador do Cinema Novo, Glauber assinou Deus e o Diabo na Terra do Sol, de 1964, e Terra em Transe, de 1967, e recebeu o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes em 1969, por O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro. A prefeitura comprou a casa onde ele morou, na Rua 2 de Julho, para abrigar o acervo do cineasta.

O que faz a cidade atrair estudantes de todo o Brasil?
A concentração de instituições públicas em uma cidade de porte médio. Conforme a Prefeitura de Vitória da Conquista, o município reúne três universidades públicas, a UFBA, o IFBA e a UESB, além de mais de seis faculdades privadas e diversas escolas técnicas. Só em Medicina existem três opções de faculdade.
A rede de saúde acompanhou o movimento. A cidade concentra hospitais públicos e privados que atendem toda a região sudoeste do estado e parte do norte de Minas Gerais, e é sede de uma área que reúne cerca de cem municípios. O efeito aparece todo dia na rua: mais de 40 mil pessoas das cidades vizinhas circulam por lá diariamente, atraídas pelo comércio e pelos serviços.
Como o café moldou a economia do planalto?
A lavoura chegou pela altitude. O Planalto da Conquista fica em um patamar elevado do sudoeste baiano, o que garante temperaturas mais amenas do que a média do estado e tornou a região adequada ao cultivo do grão desde muito antes da industrialização.
A produção de café segue como uma das marcas da agropecuária local, ao lado da pecuária que sustentou os primeiros povoados. O cultivo se espalha pelos municípios vizinhos e ajudou a fixar população no campo em uma faixa do estado historicamente marcada pela saída de moradores. Mesmo assim, o peso maior da economia hoje está no comércio e nos serviços, que se tornaram os principais pilares do município e explicam a estrutura urbana desproporcional ao número de moradores.
Quem sonha em descobrir a Bahia, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 198 mil visualizações, onde Matheus Boa Sorte mostra os encantos de Vitória da Conquista:
Quantos habitantes a cidade tem e onde ela fica?
São mais de 343 mil moradores, o que a coloca como a terceira maior da Bahia, atrás apenas de Salvador e Feira de Santana. O território passa de três mil quilômetros quadrados, e o núcleo urbano concentra a maior parte da população.
A posição geográfica explica boa parte da história. O município fica a 509 km de Salvador e é cortado pela BR-116, a rodovia que liga o Nordeste ao Sudeste, além das estaduais BA-262, BA-263 e BA-265. Esse cruzamento de estradas fez da cidade uma parada obrigatória de quem atravessa o interior do país por terra.
Como chegar de avião?
O aeroporto Glauber Rocha fica a 18 km do centro e é apontado pela prefeitura como um dos maiores e mais modernos do interior do Nordeste. As principais companhias brasileiras operam voos diários para a capital baiana e para o Sudeste, o que encurta bastante a viagem de quem vem de São Paulo ou de Belo Horizonte. O terminal atende não só a cidade, mas toda a região sudoeste do estado e o norte mineiro, o que explica um movimento incomum para um aeroporto de interior.
A cidade que batizou o aeroporto com um cineasta
Poucos municípios brasileiros escolhem homenagear um artista no lugar mais visível que têm. Vitória da Conquista fez isso e resume bem o que é: um centro regional de comércio, saúde e ensino que nunca deixou de reivindicar a própria história cultural. A cidade cresceu atendendo os vizinhos e acabou construindo uma vida urbana maior do que o próprio tamanho.
Você precisa conhecer Vitória da Conquista e entender por que o sertão de Glauber Rocha continua tão presente na cidade onde ele nasceu.
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