Tem a maior taxa de abastecimento de água entre todas as cidades grandes do Brasil: o município paulista de 30 km² que supera capitais em saneamento e tem PIB por morador acima da média nacional
O território reduzido concentra uma estrutura urbana de grande escala
Quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) escolheu onde anunciar os dados de saneamento do Censo 2022, não foi para uma capital. Foi para Diadema, no Grande ABC paulista, cidade que aparece no topo do país no acesso à água tratada e que faz isso concentrando quase 400 mil pessoas num território menor que muitos bairros de São Paulo.
Como um município tão pequeno virou referência nacional em saneamento?
Universalizando os três serviços ao mesmo tempo. Segundo a Agência de Notícias do IBGE, o Censo 2022 apurou que 99,8% dos moradores da cidade recebiam abastecimento de água por rede geral, 98,8% tinham esgotamento sanitário por rede coletora ou pluvial e 99,7% contavam com coleta de lixo.
A comparação com o país explica o tamanho do feito. No Brasil inteiro, apenas 82,9% da população tinha água por rede geral e somente 62,5% vivia em domicílios ligados à rede de esgoto, patamar que deixa quase 50 milhões de pessoas em situação precária. Foi por causa desses números que o instituto realizou a divulgação nacional dos resultados dentro do próprio município, em parceria com a prefeitura e com o Consórcio Intermunicipal Grande ABC.

Quanta gente vive em cada quilômetro quadrado da cidade?
Quase treze mil pessoas. De acordo com o IBGE, o Censo 2022 registrou 393.237 habitantes e densidade de 12.795,69 habitantes por km², a segunda maior entre os 645 municípios paulistas, num território de pouco mais de 30 km².
Essa combinação é o que torna o desempenho no saneamento incomum. Levar rede de água e de esgoto a bairros que cresceram rápido e de forma adensada custa mais e exige obra em espaço apertado, situação diferente da de cidades pequenas, onde chegar perto de 100% de cobertura é bem mais simples, como o próprio IBGE fez questão de destacar ao apresentar os dados.

O que os números mostram sobre a economia local?
Um município industrial que gera renda acima da média do país. Ainda segundo o IBGE, o PIB por habitante da cidade era de R$ 53.985 em 2023, valor superior à média nacional de R$ 51.693 registrada no mesmo ano.
O orçamento acompanha o porte econômico. As receitas municipais realizadas em 2024 passaram de R$ 2 bilhões, o que coloca a cidade entre as trinta maiores arrecadações do estado e entre as cem maiores do Brasil, dinheiro que sustenta a rede de serviços de um município cuja industrialização começou nos anos 1950, quando ainda era distrito de São Bernardo do Campo.
Quem tem curiosidade sobre Diadema vai curtir este vídeo do canal Cidades do Mundo, com mais de 2,2 mil visualizações, que apresenta diferentes pontos da cidade paulista.
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Como é o clima em Diadema ao longo do ano?
A cidade fica na parte alta da Grande São Paulo, perto da serra, e por isso chove muito no verão e faz frio de verdade nas madrugadas de inverno. Janeiro chega a acumular quase cinco vezes o volume de agosto. Veja abaixo o comportamento das médias:
Médias climatológicas de Diadema segundo o Climatempo. Os valores variam de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada no próprio Climatempo.
A cidade apertada que resolveu o básico antes das grandes
Saneamento universalizado costuma ser notícia em município pequeno, onde a conta fecha com menos esforço. Diadema chegou perto disso com quase 400 mil moradores empilhados em 30 km², e superando capitais brasileiras em acesso à água tratada.
Vale olhar para Diadema quando o assunto for infraestrutura urbana no Brasil, porque poucas cidades desse porte entregam o básico a praticamente toda a população.
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