Reconstruída em 1974 depois de ser inundada: a pequena cidade que produz energia limpa suficiente para abastecer mais de 4,5 milhões de residências
A Capital Mundial do Bioma Caatinga que lidera a energia eólica no Brasil com 58 usinas
A cerca de 690 km de Salvador, às margens do Rio São Francisco, Sento Sé produz energia limpa suficiente para abastecer mais de 4,5 milhões de residências. A Capital Mundial do Bioma Caatinga foi reconstruída em 1974 pelo Governo Federal depois de ser inundada pela Barragem de Sobradinho.
Por que Sento Sé lidera a geração de energia eólica do Brasil?
O município encabeça o ranking porque abriga 58 parques eólicos em operação, o maior número entre todas as cidades brasileiras. Segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) divulgados pela Secretaria de Comunicação Social do Governo da Bahia, Sento Sé gerou mais de 5,7 mil GWh em 2023, energia equivalente ao consumo anual de 4,5 milhões de residências.
O principal complexo da cidade é o Campo Largo, da Engie Brasil Energia, que soma 687,9 MW de capacidade instalada. Só na segunda fase, operacional desde 2021, são 86 aerogeradores com pás de 72,5 metros de comprimento, torres de 120 metros e rotores de 150 metros de diâmetro, segundo a Engie.
O ranking baiano é completado por Morro do Chapéu, Campo Formoso, Caetité e Pindaí. Juntos, esses dez municípios respondem por quase 79% de toda a geração eólica baiana, e a Bahia foi responsável por 23% da produção nacional em 2024.

A cidade que afundou e ressurgiu planejada pelo governo
Sento Sé tem uma das histórias mais incomuns do Brasil. A antiga cidade, fundada em 1832 por desbravadores portugueses que chegaram do Piauí, foi uma das cinco cidades alagadas pela construção da Barragem de Sobradinho no Rio São Francisco. Em 1974, o Governo Federal planejou e construiu uma nova cidade 62 km de distância da sede original.
Segundo registros da Biblioteca do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a transferência oficial da sede foi determinada pela Lei Estadual 3.347, de 23 de dezembro de 1974. A cidade velha segue submersa no lago de Sobradinho, e a nova Sento Sé completa 52 anos em 2026. Os habitantes locais ainda se chamam de sento-seenses.
O território atual soma 11.980 km², o que faz de Sento Sé o terceiro maior município da Bahia em extensão. A IBGE Cidades registra 40.232 habitantes estimados para 2025 e densidade demográfica de apenas 3,18 habitantes por quilômetro quadrado.
Como é viver cercado por torres e painéis no sertão baiano
A chegada dos parques eólicos mudou a economia local. O Conjunto Eólico Campo Largo 1, inaugurado em dezembro de 2018 com investimento de R$ 2 bilhões, gerou 1.400 empregos durante a construção. A segunda fase, que entrou em operação em 2021 com R$ 1,6 bilhão da Engie, chegou a 2.200 postos de trabalho, com pico de 1.500 trabalhadores simultâneos em mais de 40 frentes de obras.
Segundo a Engie, foram utilizadas 4.600 toneladas de aço e 47 mil m³ de concreto apenas na segunda fase, além da abertura de 75 km de acessos internos e 101 km de redes de média tensão. A autorização para operação dos parques é válida até 2054.
A convivência entre torres de 120 metros e a caatinga preservada virou a nova paisagem do sertão. Pequenos agricultores conseguem renda extra com o arrendamento das terras, e a Secretaria de Comunicação Social do Governo da Bahia destaca que os parques reduziram o êxodo rural. A Engie já investiu R$ 17,1 milhões em projetos sociais na região, incluindo um ateliê de costura e hortas comunitárias.
O que visitar na Capital Mundial do Bioma Caatinga
O município combina energia renovável com turismo ecológico em uma das regiões mais preservadas do semiárido. Entre as atrações principais:
- Parque Nacional do Boqueirão da Onça: criado em 6 de abril de 2018, cerca de 80% do parque está em território sento-seense. Abriga a maior população de onças-pintadas da Caatinga em 349 mil hectares, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
- Ilha da Andorinha: formada em meio ao Rio São Francisco, guarda dunas e praias de água doce, uma combinação rara no interior nordestino.
- Sítios arqueológicos: a região do Boqueirão da Onça guarda aproximadamente 3 mil pontos com inscrições rupestres de até 16 mil anos, considerada a maior concentração de sítios arqueológicos do Brasil.
- Margens do Velho Chico: mais de 300 km de costa fluvial são ideais para pesca de tarrafa, passeios de barco e jet ski.
- Balneário de Maravilha: formado na barragem do Rio Verde, é ponto de lazer tradicional dos moradores da região.
- Cachoeira do Piçarrão: dentro do vasto território municipal, aparece entre serras e cânions próprios para esportes radicais.
Quem tem saudade do sertão, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Tv Carnaúba, que conta com mais de 9,3 mil visualizações, onde Léo mostra a entrada e a catedral de Sento Sé, no Norte da Bahia:
Qual a melhor época para visitar?
O inverno seco é o período mais agradável para visitar a cidade, com dias ensolarados e noites frescas. O verão concentra as chuvas no fim de tarde, que ajudam a renovar a vegetação da Caatinga:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Conheça a cidade que renasceu da água
Sento Sé combina uma história única no Brasil com o protagonismo inesperado na transição energética. É um raro caso de cidade planejada pelo governo, reconstruída depois de submergir, que virou líder nacional em geração limpa sem perder as raízes da Caatinga.
Você precisa conhecer Sento Sé e entender como o sertão baiano virou a maior máquina de energia limpa do país a céu aberto.
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