Receitas aprendidas com mães e avós viraram Patrimônio Cultural do Brasil, e uma cidade gaúcha foi atrás de quem ainda sabe prepará-las
A tradição dos doces artesanais atravessa gerações de famílias gaúchas
Numa tarde de sábado de agosto, mesas individuais ocuparam um casarão da praça central e receberam doces feitos por quem vive desse ofício. A cena aconteceu em Pelotas, onde o Museu do Doce estreou sua primeira feira de doceiras e passou a procurar, com a ajuda dos moradores, quem mantém esse saber vivo na cozinha de casa, de geração em geração.
Como foi a primeira feira de doceiras do Museu do Doce?
Com 20 mesas abertas a produtoras selecionadas, numa programação especial do centro histórico. Segundo a Prefeitura de Pelotas, o Museu do Doce, ligado à Universidade Federal de Pelotas (UFPel), ofereceu 20 vagas para doceiras venderem seus produtos no sábado, 15 de agosto de 2026, das 13h às 18h, durante a Semana do Patrimônio, no Casarão 8 da Praça Coronel Pedro Osório.
Foi a estreia do formato. A diretora do museu e professora de Museologia da UFPel, Nóris Leal, apresentou a feira como uma forma de preservar o saber-fazer doceiro e divulgar esse patrimônio, e adiantou que outras edições estão sendo planejadas, ainda sem calendário confirmado. No mesmo dia, o casarão ficou aberto até as 22h, dentro da programação noturna dos museus da cidade.

Três marcos dão a dimensão dessa tradição para a cidade e a região:
Quem guarda as receitas da tradição doceira?
Pessoas comuns, espalhadas por cidades e propriedades rurais da região. Conforme o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Museu do Doce passou a mapear os chamados detentores do saber-fazer em Pelotas e na Antiga Pelotas, que reúne Capão do Leão, Arroio do Padre, Turuçu e Morro Redondo, num projeto financiado pelo instituto.
A lista de quem pode ser indicado mostra como a tradição é diversa. Entram doceiras e doceiros que aprenderam com a família, agricultores que plantam frutas e fazem doces, agroindústrias familiares e produtores artesanais que mantêm técnicas passadas entre gerações. A tradição, reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil em 2018, reúne vertentes diferentes, como os doces finos e os doces coloniais de frutas, e não se resume a um único tipo de receita.

Por onde passear no centro histórico de Pelotas?
Pela praça central e seu entorno, onde casarões e prédios públicos antigos ficam próximos uns dos outros. O roteiro cultural do turismo de Pelotas reúne esses endereços.
A visita ao museu ajuda a entender a história, enquanto confeitarias e docerias são negócios privados, cada um com seus produtos e horários. Feiras como a de agosto são pontuais e dependem de novas edições.
Do Museu do Doce às charqueadas
Estes endereços resumem a cidade dos casarões e dos doces:
- Museu do Doce: casarão na praça central dedicado à tradição doceira, com exposições e eventos. Confira os horários antes da visita.
- Praça Coronel Pedro Osório: praça pública cercada por edifícios antigos, coração do centro histórico.
- Mercado Central: espaço de produtos e alimentação, com lojas que seguem horários próprios.
- Bibliotheca Pública Pelotense: edifício histórico que mantém serviço cultural aberto ao público, conforme o funcionamento.
- Charqueadas históricas: propriedades ligadas à economia do século XIX, visitadas em roteiros específicos e mediante autorização.
Uma volta pela cidade gaúcha está no vídeo do canal Por Onde INDO, de Rony e Bruna:
O que vem depois do mapeamento?
Uma sequência de etapas que vai até 2027. O levantamento de detentores foi de junho a 8 de outubro de 2026, e a previsão é publicar os dados em novembro no site do Museu do Doce, com imagens, textos e vídeos também num aplicativo. As informações devem servir de base para uma nova exposição, também prevista para começar em novembro.
Em paralelo, oficinas ministradas pelas próprias doceiras e doceiros seguem por 12 meses a partir de agosto, e ações educativas em escolas e no museu começam em fevereiro de 2027. O Iphan também constrói com a comunidade um plano de salvaguarda, e o mapeamento atualiza quem produz e transmite esses saberes antes da revalidação do título, prevista para 2028. São projetos em andamento, não resultados prontos.
Como é o inverno em Pelotas?
O inverno em Pelotas é frio e úmido, com máximas médias abaixo de 18°C e mínimas de 11°C em julho. A chuva se distribui pelos doze meses, e setembro concentra o maior volume médio, perto de 149 mm.
Pelotas em cada estação
As quatro estações são bem marcadas no extremo sul do país:
Faixas calculadas a partir das médias mensais da climatologia do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña, e as médias não substituem a previsão do dia.
As mesas que podem voltar ao casarão
Naquela tarde de agosto, o casarão da praça virou ponto de encontro entre quem faz e quem prova. Cada mesa trazia o trabalho de uma produtora diferente, com receitas e modos de fazer próprios.
A feira passou, mas o movimento continua nos fogões da cidade e no mapeamento conduzido pelo museu. Se as próximas edições se confirmarem, Pelotas terá transformado uma tarde de sábado num jeito novo de mostrar que patrimônio também se aprende em casa.
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