Quem visita o centro pela primeira vez pode estranhar a quantidade de árvores dividindo espaço com avenidas e prédios, resultado de décadas de crescimento em uma cidade planejada longe das capitais
Árvores, parques e avenidas revelam como décadas de expansão transformaram uma cidade planejada sem apagar totalmente o verde do núcleo urbano.
Copas largas avançam sobre avenidas, calçadas e fachadas de edifícios em uma área central que cresceu muito além do desenho original. No norte do Paraná, Londrina combina uma malha urbana planejada nos anos 1930 com arborização antiga, parques e uma população que já supera meio milhão de habitantes.
Como o planejamento inicial ainda aparece no centro de Londrina?
A planta urbana elaborada por Alexandre Razgulaeff em 1932 organizava o núcleo inicial em uma malha predominantemente ortogonal. Ruas, avenidas, praças e a área da igreja foram definidos quando a cidade ainda era um projeto da Companhia de Terras Norte do Paraná.
Esse desenho foi pensado para uma cidade muito menor. A expansão posterior ultrapassou rapidamente seus limites, mas o centro ainda conserva quarteirões regulares, eixos comerciais e referências que nasceram daquele primeiro traçado.

Os números mostram quanto Londrina cresceu?
O contraste é grande. O núcleo originalmente planejado previa apenas algumas dezenas de milhares de moradores, enquanto o IBGE estima 584.465 habitantes em 2026. O município inteiro ocupa 1.647,8 km² e exerce influência sobre boa parte do norte paranaense.
O crescimento também mudou a distribuição da população. No Censo de 2022, apenas 13,9% dos moradores da área urbana estavam na região central; norte, oeste, leste e sul já concentravam a maior parte da população.
Três dados colocam essa mudança de escala em perspectiva:
Por que há tantas árvores dividindo espaço com avenidas e prédios?
A arborização atual mistura exemplares antigos com reposição contínua. O município possui um Plano Diretor de Arborização desde 2013, com regras para plantio, manejo, conservação, retirada e expansão das áreas verdes em calçadas e canteiros.
O trabalho segue ativo: em 2025, o Viveiro Municipal contabilizou 17,3 mil novas árvores entre plantios públicos e mudas distribuídas aos moradores. Até agosto de 2026, outras 8,7 mil haviam sido plantadas ou entregues para plantio.
Quais áreas verdes ajudam a quebrar a paisagem de concreto?
O Parque Arthur Thomas ocupa 85,47 hectares e fica a cerca de três quilômetros da região central. A unidade conserva um dos últimos remanescentes florestais de grande porte dentro da área urbana e reúne trilhas, lago, mata e uma antiga usina hidrelétrica.
O Lago Igapó cria outro tipo de paisagem: seu conjunto possui mais de 4,5 quilômetros de extensão e acompanha o Ribeirão Cambé. Inaugurado em 1959, tornou-se uma das referências visuais e de lazer mais conhecidas de Londrina.
Esses espaços mostram diferentes formas de presença do verde:
A qualidade urbana pode ser medida apenas pela quantidade de verde?
Não. Árvores e parques melhoram a paisagem e podem contribuir com sombra e conforto térmico, mas qualidade urbana envolve também moradia, segurança, mobilidade, saneamento, educação e acesso a serviços. Londrina apresenta resultados diferentes conforme o indicador analisado.
No IPS Brasil 2026, a cidade marcou 67,73 pontos e apareceu entre os dez melhores municípios com mais de 500 mil habitantes, excluídas as capitais. O índice reúne indicadores sociais e ambientais, sem funcionar como uma medida isolada de arborização.
O que o visitante percebe ao caminhar pelo centro hoje?
O contraste mais evidente está na sobreposição de épocas. Quarteirões do traçado antigo convivem com edifícios altos, comércio, calçadão e árvores que cresceram durante décadas, enquanto novas intervenções continuam alterando calçadas, canteiros e vias.
A política municipal de arborização mantém conservação, reposição e expansão como objetivos permanentes. Por isso, a imagem de árvores entre avenidas e prédios não depende apenas do passado: ela continua sendo construída enquanto a cidade cresce.
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