O vilarejo dos imortais com 3 mil habitantes onde 15 pessoas passaram dos 100 anos e 171 já passaram dos 90
A vila com 15 pessoas com mais de 100 anos e 171 com mais de 90 entre 3 mil habitantes
No norte da ilha principal de Okinawa, uma placa de pedra na entrada de um vilarejo traz uma frase que virou marca da comunidade: aos 80 anos você ainda é jovem, e aos 90, se os ancestrais convidarem para o céu, peça que esperem até os 100. Não é folclore. Ogimi tem cerca de 3 mil moradores e abriga uma das mais altas concentrações de centenários do planeta.
A pequena comunidade reconhecida pela OMS como a região mais longeva do mundo
Localizada na porção norte da ilha principal da província de Okinawa, em uma área montanhosa coberta pela floresta subtropical de Yanbaru, Ogimi é uma vila pequena com economia tradicional baseada em agricultura familiar e artesanato. Em 1987, foi declarada oficialmente Vila da Longevidade do Japão por concentrar a maior proporção de idosos do país, e em 1996 recebeu da Organização Mundial da Saúde (OMS) o reconhecimento como Região de Maior Longevidade do Mundo.
Os números atuais impressionam mesmo para os padrões japoneses. Segundo reportagem da National Geographic, na contagem mais recente, Ogimi tinha 15 centenários e 171 moradores na faixa dos 90 anos em uma população de 3 mil pessoas. Dados do Censo japonês de 2015 indicam que 32,5% dos moradores têm mais de 65 anos e 4,2% passam dos 90, contra média nacional japonesa de 1,6% nessa última faixa.

O que o estudo dos centenários da ilha descobriu em 50 anos de pesquisa
O Okinawa Centenarian Study (OCS) acompanha os idosos da província desde 1975 e é a maior pesquisa do gênero já realizada. Até 2015, mais de mil centenários haviam sido examinados pelos pesquisadores, com idades confirmadas pelos registros familiares oficiais (koseki) mantidos em prefeituras e cartórios das vilas.
Os achados mostram um perfil incomum: os centenários de Okinawa são mais magros, mais baixos e apresentam menor incidência de doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer e demência em comparação com outras populações estudadas. Segundo o professor Craig Willcox, da Okinawa International University e co-investigador principal do estudo, cerca de dois terços da longevidade da região estão ligados à dieta e estilo de vida, e o restante a fatores genéticos.
Quem busca os segredos da longevidade, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Drew Binsky, que conta com mais de 3,4 milhões de visualizações, onde Drew Binsky explora a ilha de Okinawa, no Japão, onde as pessoas vivem mais de 100 anos:
A dieta de batata-doce roxa, tofu e shikuwasa que sustenta a vila
Antes da Segunda Guerra Mundial, a alimentação tradicional de Okinawa era uma fusão de influências chinesas, japonesas e do sudeste asiático, chamada localmente de champuru, que significa mistura. O alimento básico não era o arroz branco do Japão continental, mas variedades coloridas de batata-doce, especialmente a roxa, acompanhada de vegetais cozidos no vapor, tofu, sopa de missô e pequenas porções de peixe.
Segundo dados do Okinawa Centenarian Study, antes da década de 1960 os habitantes consumiam de 10% a 15% menos calorias do que o recomendado pelas diretrizes oficiais. A regra continua presente em uma frase repetida na mesa pelos mais velhos: hara hachi bu, parar de comer quando se está 80% satisfeito.
O cítrico shikuwasa é uma das marcas da vila. Pequena fruta verde semelhante a um limão, é cultivada principalmente em Ogimi, que responde por cerca de 60% da produção total japonesa, segundo a COOL JAPAN VIDEOS. A fruta é rica em nobiletina, flavonoide associado em estudos a benefícios contra inflamação e doenças crônicas.

Moai, ikigai e o tecido bashofu: as redes que prendem a vida em Ogimi
Pesquisadores apontam que a longevidade da vila não se explica apenas pela mesa. Os moradores mantêm dois conceitos sociais centrais. O moai é um grupo de apoio mútuo formado por amigos com interesses em comum, que se reúne regularmente para conversar e dividir as despesas e os afetos da vida. Takashi Inafuku, líder de um dos distritos da vila, contou à National Geographic que participa de dois moais, um com colegas de escola e outro com ex-colegas de trabalho.
O segundo conceito é o ikigai, traduzido aproximadamente como razão para se levantar de manhã. O termo ganhou popularidade global após o livro Ikigai do espanhol Héctor García, lançado em 2016 a partir de uma viagem do autor a Ogimi, e que vendeu mais de 5 milhões de exemplares em diferentes idiomas, segundo o portal oficial Countryside Stays Japan.
A vila também guarda o bashofu, tecido feito com fibras da bananeira do bairro de Kijoka, designado Patrimônio Cultural Imaterial Importante do Japão em 1974. Cada planta leva cerca de três anos para crescer e fornece apenas 20 gramas de fibra, sendo necessárias 200 plantas para tecer um único rolo do pano.
Quem busca descobrir o Japão além do óbvio, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rota Livre Pelo Mundo, que conta com mais de 71 mil visualizações, onde o canal mostra o lado real e surpreendente de Okinawa:
Yanbaru, Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2021
Em 26 de julho de 2021, a área de Yanbaru, que engloba as vilas de Ogimi, Higashi e Kunigami, foi inscrita na lista de Patrimônio Mundial Natural da UNESCO. A região é um dos mais ricos santuários de biodiversidade do Japão, com espécies endêmicas e formação florestal subtropical preservada. A integração entre comunidade humana e natureza é parte da explicação para a saúde da vila.
Para o pesquisador Dan Buettner, autor que popularizou o conceito de Blue Zones, Ogimi é o coração de uma das cinco regiões do mundo onde as pessoas vivem mais e melhor. As outras quatro são Sardenha (Itália), Nicoya (Costa Rica), Ikaria (Grécia) e Loma Linda (Califórnia, Estados Unidos).
Você precisa conhecer a vila dos imortais
Ogimi não é destino turístico tradicional. É um lugar pequeno, sem grandes atrações comerciais, onde a vida segue lenta entre hortas, oficinas de tecelagem e cafezinhos com idosos sorridentes. Está a cerca de 90 km do Aeroporto de Naha, em direção ao norte da ilha principal de Okinawa, em uma das paisagens mais preservadas do Japão.
Você precisa conhecer Ogimi e entender por que pesquisadores do mundo inteiro vão até essa pequena comunidade tentar descobrir o que faz seus moradores chegarem aos 100 ainda subindo em árvores para colher fruta.
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