O menor país do mundo tem cerca de 10 mil habitantes e quer mudar o seu nome
10.000 habitantes e uma nome não desejado
O menor país insular do mundo, com pouco mais de 10 mil habitantes e apenas 21 km² de território, aprovou em maio de 2026 uma emenda constitucional para trocar o próprio nome: o parlamento de Nauru, república localizada no Oceano Pacífico Sul, votou por unanimidade a favor de passar a se chamar Naoero, que é como o povo local chama a ilha na própria língua. A mudança ainda depende de um referendo nacional para entrar em vigor.
O que é Nauru e por que tão poucos conhecem esse país?
Nauru é uma ilha de apenas 21 km² no Oceano Pacífico Sul, a cerca de 3 mil quilômetros a nordeste da Austrália, e integra a sub-região da Micronésia. Para ter uma ideia do tamanho, Fernando de Noronha tem 26 km², ou seja, é maior do que todo o território nauruano. O país tem cerca de 10 mil a 12 mil habitantes e é reconhecido pela Wikipédia como o menor país insular do planeta.
A ilha foi habitada por micronésios e polinésios há pelo menos 3 mil anos, mas só foi avistada por europeus em 1798, quando o capitão britânico John Fearn a chamou de “Pleasant Island”, ou “Ilha Agradável”. Depois disso, passou por mãos alemãs, australianas, japonesas e neozelandesas antes de conquistar a independência em 1968. Essa sequência de colonizações é exatamente o pano de fundo da discussão sobre o nome.

Qual é a diferença entre Nauru e Naoero, e de onde vem cada nome?
A língua oficial do país é o Dorerin Naoero, falado pela grande maioria dos habitantes. O nome correto na língua local sempre foi Naoero, e há quem defenda que ele deriva da palavra nauruana Anáoero, que significa “vou à praia”. O problema é que, ao longo dos séculos de colonização, estrangeiros não conseguiam pronunciar “Naoero” e passaram a usar “Nauru”, uma simplificação feita por conveniência, não por escolha do povo. Isso ficou registrado no nome oficial do país ao longo de mais de 50 anos de independência.
O governo deixou isso bem claro no comunicado que acompanhou a proposta: a troca de nome busca “honrar de forma mais fiel a herança, a língua e a identidade da nação”, segundo declaração do presidente David Adeang divulgada pela RNZ Pacific. O raciocínio é direto: se o nome nasceu de uma limitação fonética de estrangeiros, não faz sentido mantê-lo quando o país é livre para escolher.
Leia também: A cidade que mais conquista novos moradores no litoral, graças à sua qualidade de vida e praias tranquilas
Como aconteceu a votação no parlamento de Nauru?
A proposta foi apresentada pelo presidente David Adeang em janeiro de 2026 e chegou a plenário no dia 12 de maio de 2026. Na sessão, todos os 16 parlamentares presentes votaram a favor da emenda constitucional, cumprindo com folga o quórum de dois terços exigido pela constituição do país, conforme confirmado pela RNZ Pacific.
Mas a aprovação no parlamento é só a primeira etapa. Como a mudança exige alteração na constituição, o governo de Nauru é obrigado a convocar um referendo nacional para concluir o processo. A data ainda não foi divulgada. Se os eleitores aprovarem a mudança, o nome Naoero passará a constar em documentos oficiais, símbolos nacionais, aeronaves e navios do país, e na identidade internacional, inclusive na Organização das Nações Unidas.
Outros exemplos ajudam a entender o contexto. Veja um resumo dos casos mais recentes:
Qual é a história de Nauru que explica a força desse gesto?
Para entender o peso simbólico da mudança, é preciso conhecer o que o país atravessou. Nauru foi colonizada pela Alemanha em 1888, capturada pela Austrália na Primeira Guerra Mundial, ocupada pelo Japão entre 1942 e 1945 e só conquistou a independência em 1968, depois de décadas sob tutela da Liga das Nações e depois da ONU. O país chegou a ter o segundo maior PIB per capita do planeta graças à extração de fosfato, mineral usado em fertilizantes, mas as reservas se esgotaram nos anos 1990 e o país entrou em colapso econômico.
Hoje, cerca de 80% do território está inabitável por conta dos estragos da mineração, e o país depende fortemente da Austrália. Mudar o nome para Naoero é, nesse contexto, um ato de afirmação cultural num cenário de vulnerabilidade: o país não tem muito território nem riqueza, mas tem língua, identidade e memória viva.
Veja um comparativo dos principais marcos da trajetória de Nauru:
| Período | Evento | Status |
|---|---|---|
| 1888Colonização alemã | Nauru é anexado pela Alemanha e incorporado à Nova Guiné Alemã | Colonial |
| 1914 a 1968Tutela aliada | Passa por Austrália, Reino Unido, Nova Zelândia e ocupação japonesa na Segunda Guerra | Tutela |
| 1968Independência | Nauru torna-se república independente e mantém o nome imposto por estrangeiros | Livre |
| 1970 a 1990Boom do fosfato | País chega ao segundo maior PIB per capita do mundo; reservas se esgotam na sequência | Esgotado |
| 2026Mudança de nome | Parlamento aprova emenda; referendo nacional ainda precisa ser convocado | Em curso |
O que muda se o referendo aprovar Naoero e por que isso importa?
A mudança não é cosmética. Se o povo aprovar em referendo, o nome Naoero substituirá Nauru em todos os documentos oficiais, símbolos nacionais, aeronaves, navios e na representação internacional, inclusive nas Nações Unidas. Na prática, isso envolve atualização de passaportes, certidões, registros comerciais, uniformes e material escolar, além de comunicação a organismos como a ONU e comitês olímpicos. O governo citou Essuatíni, Türkiye e Chuuk como exemplos de países que fizeram o mesmo. A data do referendo ainda não foi anunciada.
A história de Nauru é também uma história sobre o que sobra de uma nação depois que colonizadores levam quase tudo: levaram o nome original, devastaram o solo com mineração e criaram uma dependência econômica que persiste até hoje. Recuperar o nome Naoero não devolve o fosfato nem reconstrói o território, mas reafirma que a identidade cultural de um povo não precisa ser ditada pela conveniência de quem chegou de fora. Com 21 km² e cerca de 10 mil habitantes, Nauru mostra que tamanho não define a força de um gesto.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)