O Caribe secreto que apenas 800 pessoas por dia podem pisar nesta ilha brasileira que guarda gravuras de 5 mil anos
O “Caribe de Floripa” que é Patrimônio Arqueológico e limita 800 visitantes por dia
A poucos minutos de barco da Praia do Campeche, na costa leste de Florianópolis, existe uma ilha onde o número de visitantes é controlado como em poucos lugares do Brasil. A Ilha do Campeche recebe no máximo 800 pessoas por dia, abriga a maior concentração de gravuras rupestres e oficinas líticas do litoral brasileiro e foi tombada como Patrimônio Arqueológico e Paisagístico Nacional pelo IPHAN em 2000.
Por que só 800 pessoas podem entrar por dia?
O limite foi estabelecido pela Portaria IPHAN nº 691/2009 e reforçado por um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Ministério Público Federal. Durante a alta temporada (dezembro a março), a capacidade é de 800 visitantes. Na baixa temporada, o número cai para 770. A restrição protege os dez sítios arqueológicos da ilha, que guardam mais de 100 petróglifos (gravuras em rocha) e nove estações de oficinas líticas, onde povos antigos fabricavam ferramentas por fricção de pedras, areia e água.
Desde 2025, a Prefeitura de Florianópolis exige um bilhete gratuito emitido pelo site oficial para acessar a ilha. O horário de permanência é das 9h às 17h, não é permitido pernoite nem entrada de animais. Em 2025, a ilha também foi transformada em Monumento Natural Municipal (Mona), ganhando mais uma camada de proteção ambiental.

Gravuras rupestres de até 5 mil anos no litoral catarinense
Vestígios encontrados na Ilha do Campeche datam de aproximadamente 4.800 a.C., segundo o IPHAN. Foram identificados registros de três povos distintos: sambaquieiros (pescadores-coletores), ceramistas do grupo Taquara-Itararé e os Carijós, que habitavam o litoral catarinense quando os europeus chegaram. A ilha possui a maior concentração de oficinas líticas e gravuras rupestres de todo o litoral brasileiro, conforme atesta o Instituto Ilha do Campeche.
Em 2024, o IPHAN investiu cerca de R$ 178 mil no recadastramento, cercamento e sinalização de todos os sítios arqueológicos. Cinco deles receberam cercamento e dez ganharam placas com informações sobre a história e o tombamento.
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O que fazer no Caribe de Floripa?
A única praia acessível aos visitantes é a Enseada, com areia clara e águas transparentes que renderam à ilha o apelido de Caribe de Floripa. O Skyscanner incluiu a ilha entre as 20 praias mais belas do Brasil. As experiências disponíveis no local:
- Trilha Curta: percurso leve com acesso a painéis de gravuras rupestres e mirantes. Acompanhamento obrigatório de monitor credenciado pelo IPHAN.
- Trilha Leste: caminhada moderada pelo interior da ilha com observação de fauna e sítios arqueológicos menos visitados.
- Trilha Norte: a mais longa, com passagem por mata nativa, costões rochosos e vista panorâmica do litoral de Florianópolis.
- Trilha Subaquática: mergulho de observação com equipamento incluso e acompanhamento de mergulhadores profissionais. Duração de cerca de 1h20.
- Enseada: banho de mar em águas cristalinas, convívio com quatis silvestres e contemplação dos costões.
Quem sonha em conhecer as águas cristalinas de Florianópolis, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vou Levar Na Viagem, que conta com mais de 2 mil visualizações, onde a apresentadora mostra como funciona a travessia e as trilhas arqueológicas na Ilha do Campeche:
Quando visitar a Ilha do Campeche?
O acesso funciona o ano inteiro, mas a frequência de barcos varia com a estação. O verão é a alta temporada, com saídas diárias. Na baixa temporada, os barcos operam principalmente nos fins de semana e feriados:
Temperaturas aproximadas com base em Florianópolis. Consulte a previsão atualizada no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a uma ilha com vagas contadas?
As embarcações autorizadas partem principalmente das praias da Armação, do Pântano do Sul, do Campeche e do Canal da Barra da Lagoa, todas em Florianópolis. A travessia mais curta sai da Praia do Campeche e leva cerca de 10 minutos. Antes de embarcar, é necessário emitir o bilhete gratuito no site da Prefeitura de Florianópolis e apresentar documento de identidade. Somente embarcações com selo de vistoria da prefeitura podem fazer o transporte.
Um patrimônio que só existe porque tem limite
A Ilha do Campeche prova que restringir o acesso é o que mantém um paraíso de pé. As gravuras de 5 mil anos sobrevivem porque 800 é o número que separa a preservação do desgaste.
Você precisa emitir seu bilhete, cruzar o mar em poucos minutos e pisar numa ilha onde o tempo não se conta em horas, mas em milênios de história gravada na rocha.
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