O arranha-céu mais alto da América do Sul fica nessa capital abraçada por vinícolas centenárias e pela Cordilheira dos Andes
A paisagem urbana ganha um cenário único com montanhas aparecendo atrás dos grandes prédios
Poucas capitais conseguem emoldurar um arranha-céu de vidro com montanhas nevadas. Santiago, capital do Chile, faz isso todos os dias. A cidade fundada em 1541 aos pés de um morro cresceu entre a Cordilheira dos Andes e os vinhedos do Vale do Maipo, e hoje abriga o prédio mais alto de todo o continente sul-americano.
Qual é o arranha-céu mais alto da América do Sul?
É a Gran Torre Santiago, com 300 metros de altura e 64 andares acima do solo. Parte do complexo Costanera Center, no bairro de Providencia, ela foi projetada pelo arquiteto César Pelli, o mesmo das Torres Petronas, e domina o horizonte da cidade, visível de quase qualquer ponto da capital.
No alto da torre funciona o mirante Sky Costanera, instalado nos andares 61 e 62, com plataforma envidraçada e vista de 360 graus. De lá se enxerga a malha urbana de um lado e a linha nevada dos Andes do outro. Vale um esclarecimento, o prédio perdeu em 2020 o posto de mais alto da América Latina para a Torre Obispado, no México, mas segue reinando isolado como o mais alto da América do Sul.

Onde nasceu Santiago?
A cidade começou em um morro. O conquistador espanhol Pedro de Valdivia fundou Santiago em 12 de fevereiro de 1541, aos pés de uma elevação que os povos indígenas chamavam de Huelén, palavra associada a dor. Valdivia rebatizou o local como Cerro Santa Lucía, e ali, entre os dois braços do rio Mapocho, ocorreu a cerimônia de fundação.
O terreno foi escolhido pelo clima ameno e pela proximidade da água. Séculos depois, o morro que já foi sinônimo de dor virou um parque urbano cheio de fontes e jardins, com escadarias de pedra e mirantes que hoje figuram entre os passeios mais fotografados do centro histórico.

Por que o Cerro San Cristóbal é o cartão-postal da cidade?
Porque reúne natureza e vista panorâmica em pleno centro urbano. O morro integra o Parque Metropolitano de Santiago, que soma cerca de 722 hectares e está entre os maiores parques urbanos do mundo, segundo o Chile Travel, plataforma oficial de turismo do país. É o maior pulmão verde da capital.
A subida ao cume pode ser feita a pé, de teleférico ou pelo funicular histórico, em funcionamento desde 1925 e tombado como monumento nacional. No topo, uma estátua branca da Virgem da Imaculada Conceição, com 14 metros de altura, observa a cidade com os Andes ao fundo. Foi ali que o papa João Paulo II celebrou missa em 1984.

Quais vinícolas centenárias ficam perto de Santiago?
O Vale do Maipo, uma das regiões vinícolas mais antigas do país, começa nos arredores da capital e é dominado pelas castas Cabernet Sauvignon e Merlot. Algumas de suas vinícolas mais tradicionais estão a poucos quilômetros do centro e podem ser visitadas em meio período. Confira abaixo:
- Cousiño Macul: fundada em 1856, é a mais antiga vinícola do Chile ainda administrada pela mesma família, hoje na sexta geração, com adegas centenárias dentro da própria cidade.
- Concha y Toro: nascida em 1883 na comuna de Pirque, é a maior empresa de vinhos da América Latina e leva rótulos como o Casillero del Diablo a mais de 140 países.
- Santa Rita: fundada em 1880, é Monumento Nacional e guarda um casarão histórico, um parque centenário e o famoso vinho batizado em homenagem a 120 soldados.
Quem sonha em viajar para o Chile, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Melhores Destinos, que conta com mais de 43 mil visualizações, onde a equipe mostra um roteiro de 4 dias em Santiago:
Como é circular por Santiago entre parques e cerros?
A capital combina metrô e ônibus sob um mesmo cartão, o que torna o deslocamento diário simples mesmo para quem chega de fora. É apontada como uma das cidades mais seguras da América do Sul pelo Serviço Nacional de Turismo do Chile (Sernatur), e boa parte das atrações se conecta pela Linha 1 do metrô.
Cada bairro guarda um ritmo. Bellavista, na base do San Cristóbal, concentra a vida boêmia, os murais e os restaurantes. Providencia e Las Condes reúnem parques, centros culturais e o skyline moderno, enquanto o centro histórico preserva museus e prédios cívicos do século XIX ao redor da Plaza de Armas.
Como é o clima de Santiago durante o ano?
Santiago tem clima mediterrâneo, com estações bem definidas, verões secos e invernos frios e chuvosos. A proximidade das montanhas permite combinar passeios urbanos com neve em poucas horas. Confira abaixo:
As condições variam de um ano para outro por fenômenos como El Niño e La Niña. Temperaturas aproximadas com base no Climatempo.
Como chegar a Santiago saindo do Brasil?
O principal acesso é o Aeroporto Internacional Arturo Merino Benítez, que recebe voos diretos de várias capitais brasileiras, com trajeto médio de quatro a cinco horas. Ele funciona como a principal porta de entrada de turistas internacionais no Chile.
Do aeroporto ao centro, a cidade fica a cerca de 20 km, com ligação por ônibus, transfer e táxi. Uma vez instalado, o visitante encontra na rede de metrô a forma mais prática de alcançar os cerros, os bairros históricos e o ponto de partida rumo às vinícolas do Maipo.
Conheça a cidade que vive entre morros e a cordilheira
Santiago equilibra um passado colonial nascido ao pé de um morro com a energia de uma capital moderna cercada de montanhas. Poucas cidades sul-americanas reúnem, no mesmo horizonte, um arranha-céu de 300 metros, parques enormes e vinhedos de quase dois séculos.
Vale subir ao Cerro San Cristóbal ao entardecer e ver a Cordilheira dos Andes emoldurar a capital chilena, de preferência com uma taça de vinho do Maipo por perto.
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