Nota máxima nos dez quesitos e a única entre 20 cidades avaliadas: o que a Firjan viu na vizinha do Rio de Raj
O estudo revelou qualidades que outros levantamentos não conseguem mostrar
Cidade boa de morar costuma ser medida por índices que discordam entre si. Niterói é um caso extremo disso: tirou 100 pontos e conceito máximo em todos os critérios de um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan) e, meses depois, apareceu em 383º lugar no principal ranking nacional de qualidade de vida.
O que a Firjan mediu para dar nota máxima à cidade?
Potencial de influência e atratividade, não serviço público entregue. Segundo o Mapa Rio Soft Power, estudo que analisou 20 municípios fluminenses, Niterói foi a única a alcançar o conceito “Muito Bom” nos dez quesitos avaliados. O Rio de Janeiro ficou em segundo, com 92 pontos, e a vizinha São Gonçalo em penúltimo.
Os indicadores misturam número e leitura qualitativa: PIB, PIB per capita, IDH, densidade empresarial, densidade acadêmica e presença de indústria criativa, cruzados com ativos culturais e identidade urbana. O estudo da Firjan aponta obras como a TransOceânica e o Túnel Charitas-Cafubá, a recuperação das lagoas de Piratininga e Itaipu e o Caminho Niemeyer, maior conjunto de obras de Oscar Niemeyer fora de Brasília.

Por que Niterói aparece em 383º no ranking de qualidade de vida?
Porque o Índice de Progresso Social (IPS Brasil) mede outra coisa: resultado entregue à população, não reputação. Conforme o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o levantamento de 2026 avaliou os 5.570 municípios com 57 indicadores sociais e ambientais tirados de bases públicas.
Niterói registrou 66,78 pontos e a 383ª colocação, ficando atrás da capital, que marcou 67,00 na 339ª posição. O número não é ruim em si: a média nacional foi de 63,40. O incômodo está na trajetória. Em 2024, a cidade era a 133ª e a melhor do estado; na edição seguinte, caiu para a faixa dos 400, quando o índice passou a incluir indicadores de inclusão social.

Onde a cidade vai mal quando o assunto é moradia?
No próprio componente que dá nome ao problema. Moradia é um dos doze componentes do IPS Brasil, dentro da dimensão Necessidades Humanas Básicas, e Niterói recebeu avaliação negativa nele na edição de 2025, ao lado de Inclusão Social e Cuidados Médicos Básicos. Os pontos fracos apontados foram domicílios com piso e rede elétrica adequados.
É um contraste que vale registrar: a mesma cidade que a Firjan descreve como caso exemplar de urbanismo tem parte da população em condição habitacional precária. Reputação urbana e casa digna não são a mesma coisa, e os dois índices medem exatamente essa diferença.
Quanto custa comprar um imóvel em Niterói hoje?
O metro quadrado residencial na cidade estava em R$ 7.730 em abril de 2026, conforme o Índice FipeZAP, calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), com valorização de quase 7% em doze meses e a 29ª posição entre as 56 cidades monitoradas. O patamar coloca Niterói na mesma faixa de capitais como Porto Alegre e Manaus.
A média, porém, esconde a cidade real. Os bairros se comportam como mercados distintos:
- Região Oceânica: Camboinhas, Itacoatiara e Piratininga concentram condomínios fechados e o topo do preço por metro quadrado.
- Zona Sul: Icaraí, Ingá e São Francisco sustentam valor alto pela liquidez e pela proximidade das barcas, mesmo com prédios antigos.
- Bairros de expansão: Santa Rosa, Fonseca e Engenhoca oferecem os preços mais acessíveis, com liquidez menor.
- Centro: em requalificação, aparece como aposta de valorização futura pela vizinhança com as universidades.
Quem quer descobrir praias, mirantes e atrações de Niterói, vai curtir este vídeo do canal Diogo Elzinga, que apresenta um guia completo da cidade no Rio de Janeiro:
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Como é o clima de Niterói ao longo do ano?
O verão é quente e chuvoso, o inverno é seco e ameno. Julho, o mês mais seco, tem média de 48 mm de chuva.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Duas medidas para a mesma cidade
Niterói construiu nas últimas décadas um projeto urbano que a Firjan considera exemplar: túnel, ciclovia, lagoa recuperada, um acervo de Niemeyer à beira da Baía de Guanabara. Nada disso é fachada, e o reconhecimento veio de um estudo com metodologia aberta.
Ao mesmo tempo, o índice que mede o que chega à ponta coloca a cidade abaixo da capital e aponta moradia entre os pontos frágeis, enquanto o metro quadrado sobe acima da inflação. Quem pensa em se mudar para lá faz bem em olhar os dois retratos: o que a cidade projeta e o que ela ainda deve à parte dos próprios moradores.
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