Município brasileiro com menos de 20 mil moradores tem renda e qualidade de vida acima da média nacional
O município mostra como cidades menores podem oferecer uma boa vida
Há cidades que nascem por acaso e outras que são desenhadas no papel antes da primeira casa. No interior de São Paulo, um município com menos de 3 mil habitantes e pouco mais de 3 km² reúne águas medicinais, ruas planejadas por urbanistas e um dos maiores índices de desenvolvimento humano do país. Águas de São Pedro, o segundo menor município do Brasil em área, é a prova de que qualidade de vida não tem relação com tamanho.
Por que uma cidade tão pequena tem indicadores tão altos?
O desempenho aparece nos números. Águas de São Pedro tem o segundo maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil, 0,854, atrás apenas de São Caetano do Sul, segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em parceria com o Ipea e a Fundação João Pinheiro. O índice varia de 0 a 1, e qualquer marca acima de 0,8 é classificada como muito alta.
A educação puxa esses números para cima. A taxa de escolarização entre crianças de 6 a 14 anos chega a 100%, a melhor do país, colocando a cidade na primeira posição entre os 5.570 municípios brasileiros, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Ideb dos anos iniciais alcançou 7,1 em 2023, entre os melhores do estado.

Como uma busca por petróleo criou uma cidade de águas curativas?
A origem tem um toque de acaso. Na década de 1920, sondagens na região central paulista procuravam petróleo, mas em vez do combustível encontraram lençóis de água sulfurosa com propriedades medicinais. Onde outros veriam um fracasso, o empresário Octávio Moura Andrade enxergou uma cidade inteira.
Ele comprou as terras ao redor das fontes e contratou o urbanista Jorge de Macedo Vieira, inspirado no conceito europeu de cidade-jardim, que passou cerca de dois anos estudando o terreno, a topografia e o clima antes de desenhar ruas, parques e quarteirões. Até o saneamento foi entregue a um nome de peso, o Escritório Saturnino de Brito, referência nacional na área. O Governo do Estado criou o município de Águas Termais em 19 de junho de 1940, conforme registra a Prefeitura de Águas de São Pedro, e a emancipação veio em 1948.
O que faz das fontes de Águas de São Pedro algo raro?
As águas são o coração da cidade e brotam de graça no centro. No Fontanário Municipal, na Avenida Carlos Mauro, três fontes minerais correm para consumo público, cada uma com uma indicação diferente.
Entre elas está a Fonte da Juventude, apontada como a segunda mais sulfurosa do mundo, atrás apenas de uma fonte no Japão, segundo o portal de turismo do Governo de São Paulo. Suas águas, de cheiro forte e alta concentração de enxofre, são tradicionalmente associadas ao alívio de reumatismo, problemas de pele e inflamações, num ritual terapêutico que atravessa gerações.
Quem busca qualidade de vida e quer conhecer a menor e mais desenvolvida cidade do estado, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 873 mil visualizações, onde Tati Marmon mostra a tranquilidade, os parques e as curiosidades de Águas de São Pedro – SP:
Como é a vida numa cidade sem indústrias nem zona rural?
A escala compacta molda o cotidiano. Com pouco mais de 3 km², totalmente urbanizada, a cidade permite que moradores e visitantes cheguem a pé a quase tudo, das fontes aos parques, num ritmo que raramente se encontra em centros maiores. A poluição é baixa e o verde domina a paisagem.
A rotina gira em torno da Avenida Carlos Mauro, um bulevar arborizado de lojas, cafés e restaurantes que funciona como um centro a céu aberto. Boa parte da economia se apoia no turismo de bem-estar e na formação em hotelaria, impulsionada pela presença do Grande Hotel São Pedro, hoje uma escola-hotel do Senac que atrai estudantes de todo o país.
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Uma cidade planejada para viver bem
Águas de São Pedro mostra que um município minúsculo pode entregar o que muitas metrópoles buscam: educação de ponta, tranquilidade e um projeto urbano pensado para as pessoas. Em poucos quarteirões, a cidade concentra história, natureza e bem-estar.
Vale conhecer de perto o pequeno balneário paulista que, décadas depois de nascer de um sonho, segue no topo das listas de melhores lugares do Brasil para viver.
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