Metade alemã, metade japonesa: a cidade gaúcha que está conquistando os brasileiros com qualidade de vida
A cidade brasileira metade japonesa e metade alemã
Vigas de madeira encaixadas sem pregos e jardins orientais convivem em um mesmo município no Rio Grande do Sul. Ivoti guarda o maior conjunto de casas em estilo enxaimel do país e também a maior colônia japonesa do estado, a apenas 55 km de Porto Alegre.
Como uma cidade recebeu alemães e japoneses em séculos diferentes?
Tudo começou em 1826, quando famílias vindas da região alemã do Hunsrück abriram picada no vale do Arroio Feitoria. O primeiro nome do lugar era Berghahnerschneiss, a Picada dos Berghahn, em homenagem aos irmãos fundadores. Depois veio Bom Jardim, por causa da abundância de flores nativas, e só na década de 1930 surgiu o atual Ivoti, que significa “flor” em tupi-guarani.
O segundo capítulo veio 140 anos mais tarde. Segundo a Prefeitura de Ivoti, 26 famílias de imigrantes japoneses chegaram entre 1966 e 1967 e se instalaram no atual bairro Palmares, formando a maior colônia nipônica do Rio Grande do Sul. A emancipação política do município aconteceu em 19 de outubro de 1964, com a separação de São Leopoldo.

Vale a pena morar na Cidade das Flores gaúcha?
Os números indicam que sim. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou 22.983 pessoas no Censo 2022, com escolarização de 100% entre crianças de 6 a 14 anos e PIB per capita de R$ 66.957,25 em 2023. O município também manteve qualidade de vida alta, com índice de 0,784 segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
De acordo com a Prefeitura, Ivoti é a 1ª cidade do Vale do Sinos e a 8ª do Rio Grande do Sul em qualidade de vida, segundo o Índice de Progresso Social (IPS), que avaliou 5.570 municípios brasileiros. O indicador considera necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades, aspectos que se refletem nas ruas limpas, ciclovias e baixa densidade de trânsito da cidade.

O que fazer em Ivoti além de ver casas antigas?
O roteiro clássico cabe em um final de semana e mistura arquitetura alemã, cultura japonesa e natureza preservada. Veja o que não pode ficar de fora:
- Núcleo de Casas Enxaimel: no bairro Feitoria Nova, reúne sete casas construídas entre 1826 e 1950. É o maior aglomerado nesse estilo do Brasil segundo a Fundação Nacional Pró-Memória.
- Ponte do Imperador: construída entre 1857 e 1864 sobre o Arroio Feitoria, com recursos destinados por Dom Pedro II. Foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1988.
- Memorial da Colônia Japonesa: prédio de 914 m² inaugurado em 2010, com arquitetura nipônica e acervo sobre a chegada das 26 famílias.
- Museu Cláudio Oscar Becker: instalado em uma das casas do Núcleo desde 1995, reconstitui a vida dos colonos com móveis e utensílios do início do século XX.
- Buraco do Diabo: apelido popular para a área natural do vale, com trilhas e vista do arroio. A lenda diz que o nome surgiu quando um colono viu um tamanduá e se assustou.
A cena gastronômica reflete exatamente a dupla herança. Em um mesmo dia é possível almoçar comida típica alemã e jantar yakissoba feito por descendentes nipônicos.
- Cuca: pão doce com cobertura crocante de farofa de farinha, manteiga e açúcar, clássico das confeitarias de raiz germânica.
- Eisbein: joelho de porco cozido ou assado, servido com chucrute, purê de batata e mostardas.
- Marreco recheado: prato típico da imigração alemã no Vale dos Sinos, com farofa de miúdos e repolho roxo.
- Sushi e temaki: preparados com peixe fresco na Feira da Colônia Japonesa, que acontece no último domingo do mês.
- Yakissoba: macarrão salteado com legumes e carne, servido quente pelas famílias nipônicas em eventos e restaurantes do bairro Palmares.
Quem deseja viajar pela história e cultura sem sair do Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Diogo Elzinga, que conta com mais de 349 mil visualizações, onde Diogo Elzinga mostra as curiosas tradições alemãs e a maior colônia japonesa do Rio Grande do Sul em Ivoti:
Qual a melhor época para conhecer a Rota Romântica?
Ivoti tem clima subtropical úmido, com quatro estações bem marcadas. A primavera e o outono são os períodos mais confortáveis para caminhar entre as casas históricas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao município gaúcho?
Ivoti fica a 55 km de Porto Alegre, na Região Metropolitana da capital. O trajeto mais comum sai pela BR-116 até Novo Hamburgo e segue pela RS-239, num percurso de cerca de uma hora de carro. O aeroporto mais próximo é o Salgado Filho, em Porto Alegre, e a cidade também serve de base para explorar outros destinos da Rota Romântica, como Gramado e Nova Petrópolis.
Conheça a cidade das duas culturas
Ivoti é o tipo de destino que surpreende pela escala. Em 63 km² cabem o maior conjunto enxaimel do Brasil, uma ponte do Segundo Reinado tombada pelo IPHAN e a maior colônia japonesa do Rio Grande do Sul.
Você precisa visitar Ivoti e caminhar entre casas alemãs do século XIX e jardins orientais para entender como duas culturas tão distintas construíram uma mesma cidade.
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