Mais empregos formais do que moradores e escolarização de 100%: o único município paulista com menos de mil habitantes
O tamanho reduzido contrasta com resultados pouco comuns para um município tão pequeno
O interior de São Paulo costuma ser lembrado pelas cidades médias que cresceram com o café e a indústria. Borá, a cerca de 500 km da capital, seguiu outro caminho: manteve pouco mais de 900 moradores, 21 ruas e uma economia agrícola que gera mais postos de trabalho do que gente vivendo ali. É a menor cidade paulista em população e uma das três do país com menos de mil habitantes.
Como uma cidade de 900 moradores emprega mais gente do que tem população?
Porque o trabalho vem do campo ao redor, não da rua principal. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município registrou 1.223 pessoas ocupadas em postos de trabalho formais, número maior que a própria população, com salário médio de 2,5 salários mínimos.
A explicação está nas lavouras e na pecuária que ocupam praticamente todo o território. Soja, milho, cana-de-açúcar e gado sustentam a arrecadação de um município que fica no meio do caminho entre Presidente Prudente e Assis. O resultado é uma cidade que enche durante o dia com trabalhadores das fazendas e esvazia à noite, invertendo a lógica das cidades-dormitório das grandes regiões metropolitanas.

O que torna Borá um caso único no mapa de São Paulo
O tamanho da população, que não se repete em nenhum outro dos 645 municípios paulistas. O IBGE contabilizou 907 habitantes no Censo de 2022, o que mantém a cidade como a única do estado abaixo da marca de mil moradores e a segunda menor do Brasil, atrás apenas de Serra da Saudade, em Minas Gerais.
Ser pequena não significa ficar para trás nos indicadores. O mesmo levantamento do IBGE mostra que a taxa de escolarização entre 6 e 14 anos chegou a 100% em Borá, colocando o município na primeira posição do estado nesse quesito. O caso lembra o de outra cidade paulista de pouquíssimos moradores que também aparece bem em rankings nacionais apesar do tamanho reduzido.
Quando um alqueire doado virou o começo da cidade?
No fim de 1923, quando José da Costa Pinto cedeu um alqueire de suas terras para que ali fosse erguida a Capela Santo Antônio. Conforme a Prefeitura de Borá, o povoamento havia começado em 1918, com a família Vedovatti atravessando as águas do rio Borá para comerciar gêneros alimentícios, e ganhou reforço em 1919 com a chegada de três famílias portuguesas que abriram as primeiras picadas até Paraguaçu Paulista.
A emancipação veio décadas depois. A mesma fonte registra que a Lei Estadual nº 8092, de 28 de fevereiro de 1964, elevou o distrito à categoria de município, desmembrado de Paraguaçu Paulista, com instalação oficial em 31 de março de 1965. Quem nasce ali é chamado de boraense.
Onde ficam as cachoeiras que cabem em um passeio de meio dia?
Todas a poucos minutos do centro, em estradas vicinais que cortam as fazendas da região. Confira abaixo os atrativos listados pela Prefeitura de Borá:
- Cachoeira do Tancão: a mais próxima da área urbana, a cerca de 1,5 km do centro, no sentido de Paraguaçu Paulista.
- Cachoeira do Monjolo: fica logo adiante da anterior, na saída da cidade, e forma um conjunto que costuma ser visitado na mesma parada.
- Cachoeira do Jorjão: no caminho da Usina Ibéria, dentro da Fazenda Santa Isaura, em área particular, o que exige autorização prévia.
- Serra da Bunka: elevação na divisa com Lutécia e Paraguaçu Paulista, ponto alto de uma paisagem quase toda plana.
- Praça Santo Antônio: o centro da vida boraense, com canteiros bem cuidados e o prédio da prefeitura de frente para o jardim.
Quem gosta de cidades fora do óbvio vai curtir este vídeo do canal Rota 408 – Cidades do Brasil, com 93 mil inscritos, que passeia por Borá.
Como é o clima de Borá ao longo do ano?
O oeste paulista tem verões quentes e chuvosos e invernos secos, com noites que surpreendem pela queda de temperatura. As chuvas se concentram entre o fim e o começo do ano, quando a lavoura mais precisa de água. Veja abaixo como o tempo se comporta em Borá durante o ano:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. As condições mudam de um ano para outro por causa de fenômenos naturais como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes de viajar.
A menor cidade paulista que trabalha como uma grande
Borá desmonta a ideia de que município pequeno significa município parado. São mais vagas formais do que moradores, escolarização completa na faixa obrigatória e uma economia agrícola que sustenta tudo isso em 21 ruas.
Você precisa passar um fim de semana em Borá para entender como uma cidade inteira consegue caber em uma caminhada de dez minutos sem perder o que importa.
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