Maior que o estado de Sergipe, esse paraíso entrou no top 6 do Brasil com dunas no Cerrado e nascentes onde ninguém consegue afundar
Fervedouros criam uma sensação curiosa de flutuação nas águas cristalinas
No imaginário de muita gente, o Cerrado é feito de capim seco e árvores retorcidas. No leste do Tocantins, o Jalapão embaralha essa imagem com dunas alaranjadas, rios de água transparente e nascentes que empurram o corpo para cima, numa região de estradas de terra que ainda guarda ar de expedição e virou um dos destinos de natureza mais lembrados pelos viajantes brasileiros.
Por que é impossível afundar nos fervedouros do Jalapão?
Porque a água sobe do subsolo com força. Os fervedouros são nascentes em que a água do lençol freático brota com pressão através da areia, num fenômeno chamado ressurgência, que cria piscinas naturais onde é praticamente impossível afundar, como explica o Sebrae. A areia do fundo fica em movimento constante, como se fervesse, daí o nome.
A região abriga dezenas de fervedouros, cada um com diâmetro, profundidade e intensidade de fluxo próprios, concentrados nos arredores de Mateiros, São Félix do Tocantins e Ponte Alta do Tocantins. Para preservar as nascentes, as visitas costumam ser feitas em pequenos grupos e com guias locais, em tempo limitado.

O Jalapão também impressiona pelo tamanho e pelo reconhecimento recente entre viajantes:
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Qual a posição do Jalapão entre os destinos de natureza do país?
O Jalapão ficou em 6º lugar entre os melhores destinos de ecoturismo do Brasil no Prêmio Melhores Destinos 2025/2026, votação com mais de 20 mil votos de viajantes. A região apareceu à frente da Chapada dos Veadeiros, do Amazonas e do Pantanal.
A classificação chama atenção porque o acesso continua difícil. A região tem cerca de 34 mil km², área maior que a do estado de Sergipe, e boa parte dos passeios depende de veículos 4×4 por estradas de areia. O coração dela é o Parque Estadual do Jalapão, criado em 2001 com cerca de 158 mil hectares, onde ficam nascentes de afluentes do Tocantins e do São Francisco.

O capim que brilha como ouro e ganhou selo oficial
Nas veredas do Jalapão cresce o capim dourado, uma planta cujas hastes secas ganham brilho metálico. Trançadas com fios de buriti, viram bolsas, chapéus, brincos e mandalas vendidos em toda a região.
Em 2011, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu a Indicação Geográfica ao artesanato em capim dourado da Região do Jalapão, na modalidade Indicação de Procedência, tema analisado em artigo da revista Sustentabilidade em Debate, da Universidade de Brasília (UnB). A colheita segue um calendário controlado, a partir de setembro, para garantir que a planta continue nascendo.
O que fazer no Jalapão em uma viagem de 4 a 6 dias?
Os roteiros costumam partir de Palmas e combinar fervedouros, cachoeiras e dunas em circuitos de vários dias. Mateiros concentra boa parte das atrações e das pousadas.
O ritmo da viagem é ditado pelo sol: subidas cedo para ver o amanhecer, banhos de rio no meio do dia e o fim de tarde reservado às paisagens mais famosas.
Paisagens que justificam a estrada de terra
Entre dunas, serras e águas cristalinas, alguns pontos aparecem em quase todo roteiro pela região:
- Dunas do Jalapão: montes de areia fina e alaranjada formados pela erosão da serra, com pôr do sol considerado o mais bonito da região.
- Serra do Espírito Santo: trilha até o topo com vista ampla das dunas e do Cerrado, feita de preferência ao amanhecer.
- Cachoeira da Formiga: poço de água verde-esmeralda e transparente, um dos banhos mais disputados da viagem.
- Cachoeira da Velha: grande queda d’água da região, conhecida pelas descidas de rafting.
- Pedra Furada: formação de arenito com abertura natural, cenário clássico para fotos no fim da tarde.
- Artesanato de capim dourado: lojas de artesãs em Mateiros vendem bolsas, chapéus e bijuterias feitas com a planta.
Quem sonha em explorar as belezas do Tocantins, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 750 mil visualizações, onde Mateus Boa Sorte mostra as dunas, fervedouros e cachoeiras do Jalapão:
Como é o clima do Jalapão ao longo do ano?
O Jalapão tem calor o ano inteiro e duas estações bem marcadas: chuvas de novembro a março e uma seca intensa no meio do ano. Em Mateiros, junho, julho e agosto registram médias de chuva próximas de zero.
Jalapão em cada estação
Cada fase do calendário traz temperaturas e volumes de chuva bem diferentes:
Faixas baseadas na climatologia de 30 anos do Climatempo para Mateiros, calculada a partir de dados de reanálise. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte a previsão do Climatempo para Mateiros.
O Cerrado que surpreende quem chega
O Jalapão reúne o que parece contraditório: areia de deserto, água em abundância e uma planta que vira ouro nas mãos das artesãs. É um destino que exige estrada de terra e paciência, e devolve paisagens que poucos lugares do país conseguem oferecer.
Você precisa conhecer o Jalapão, flutuar num fervedouro e ver o sol se pôr sobre as dunas no coração do Tocantins.
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