A “Itália Brasileira” com 14 mil habitantes: custo de vida baixo atraindo quem busca segurança e qualidade de vida longe do caos das metrópoles
O cenário tranquilo ajuda a explicar por que tanta gente começa a olhar para o interior
Existem quatro cidades fora da Itália que ganharam oficialmente uma gôndola do governo do Vêneto, e três delas são metrópoles. A quarta é Nova Veneza, no sul de Santa Catarina, a 215 km de Florianópolis, onde a embarcação repousa em um lago artificial no meio da praça central. Com pouco mais de 14 mil habitantes, a cidade virou destino de quem troca o apartamento na capital pelo ritmo de vale cercado de Mata Atlântica.
Por que uma gôndola original de Veneza flutua no centro catarinense?
Porque a província italiana quis marcar o laço com a colônia fundada por seus conterrâneos. A gôndola Lucille chegou em 2006, doada pela Província de Veneza, e é a única embarcação do tipo em toda a América Latina, segundo a Prefeitura de Nova Veneza. Antes de cruzar o Atlântico, ela transportou passageiros pelos canais venezianos.
Hoje, a Lucille fica ancorada em um lago artificial na Praça Humberto Bortoluzzi, ao lado da própria prefeitura, e recebe visitantes atendidos por funcionários vestidos de gondoleiros, conforme o Portal Municipal de Turismo de Nova Veneza. A embarcação não navega, mas virou o ponto de encontro de quem chega à cidade. Depois de um restauro recente, o município instalou câmeras e barreiras a laser para proteger a peça, tratada como patrimônio.

O que garantiu à cidade o título de capital nacional da gastronomia?
Uma cozinha que atravessou gerações praticamente intacta. A Lei 13.678/2018 conferiu ao município catarinense o título de Capital Nacional da Gastronomia Típica Italiana, segundo o Senado Federal. Na tramitação, o relator registrou que cerca de 95% dos moradores descendem dos italianos que chegaram à região em 1891.
O argumento gastronômico tinha lastro de público. A mesma fonte aponta que a Festa da Gastronomia Típica Italiana, realizada desde 2004, atrai cerca de 200 mil visitantes, incluindo turistas estrangeiros, número que multiplica por mais de dez a população local. Polenta, massas caseiras, salame e queijo colonial formam a base do cardápio nos restaurantes do centro, servidos em porções fartas herdadas das nonas.
Onde ver a herança dos imigrantes fora do prato?
A cidade guarda o conjunto de construções mais antigo da colonização italiana da região, tudo a poucos minutos do centro. Confira o que vale entrar no roteiro:
- Casas de Pedra: três construções erguidas com pedra e barro no fim do século XIX, tombadas como patrimônio, segundo o Portal Municipal de Turismo.
- Museu do Imigrante Cônego Miguel Giacca: acervo da colonização em um prédio da última década do século XIX, com entrada e horários no portal oficial.
- Via Centenária: estrada de chão aberta na época da colonização, caminho de acesso às casas centenárias.
- Igreja Matriz São Marcos: templo dedicado ao mesmo santo padroeiro de Veneza, com sinos que marcam a rotina da praça.
Quem quer conhecer um charmoso pedacinho da Itália no sul catarinense, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Beatriz Fontana, que conta com mais de 12 mil visualizações, onde Beatriz Fontana mostra o pórtico, a gôndola e as atracões de Nova Veneza – SC:
O que atrai novos moradores para essa vila do sul catarinense?
A combinação de cidade pequena com emprego perto. O município tem população estimada em 14.004 pessoas e taxa de escolarização de 91,58% entre 6 e 14 anos, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e fica a poucos minutos de Criciúma, a cidade grande mais próxima, o que resolve a parte prática da mudança.
O resto é o que não cabe em indicador: trânsito inexistente, vizinhança que se conhece pelo sobrenome e um dialeto vêneto que ainda aparece nas conversas dos mais velhos. É a mesma lógica que move quem procura destinos de águas cristalinas e qualidade de vida no litoral, só que aqui a paisagem é de serra e parreira.
Como é o clima de Nova Veneza ao longo do ano?
A cidade fica nas encostas da Serra Geral, com verões quentes e úmidos, invernos frios e chuva presente em todos os meses. Veja abaixo o comportamento típico de cada estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. As condições mudam de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes de viajar.
Conheça o pedaço da Itália que cabe no sul de Santa Catarina
Poucos lugares no país conseguem reunir uma embarcação vinda dos canais venezianos, um título de capital nacional escrito em lei e casas de pedra que resistem há mais de um século no mesmo vale. Nova Veneza faz isso em um raio que se percorre a pé.
Você precisa sentar em um restaurante da praça, pedir polenta com galeto e entender por que tanta gente decide ficar depois de chegar só para almoçar.
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