Famosa pela uva, essa cidade da Serra Gaúcha colhe mais maçã do que qualquer outra fruta e virou a maior produtora de hortifrutigranjeiros do estado
A produção rural vai muito além das uvas associadas à tradição local
Toda cidade carrega uma fama que conta só parte da história. Caxias do Sul ficou conhecida no país inteiro pela parreira e pela festa que leva o nome da uva, mas o caminhão que sai do interior está mais cheio de maçã. A colheita anual passa de 300 mil toneladas entre frutas, hortaliças e grãos, o maior volume de todo o Rio Grande do Sul.
Por que Caxias do Sul colhe mais maçã do que uva?
A diferença está no peso, não na área. Conforme a Festa Nacional da Uva, o município colhe cerca de 113 mil toneladas de maçã por ano contra 78 mil toneladas de uva, ainda que a videira siga ocupando o maior número de hectares plantados.
O resultado vem de uma aposta antiga na diversificação. Toda essa produção se espalha por cerca de 9 mil hectares e 3.500 propriedades, boa parte delas familiares, com cebola, tomate, moranga, pera, ameixa e morango dividindo espaço com as duas culturas principais. É essa variedade que sustenta o título de maior produtor de hortifrutigranjeiros do estado, e não um único cultivo campeão.

O que a chegada dos imigrantes em 1875 deixou na cidade?
Deixou um método de trabalho que atravessou 150 anos. As primeiras famílias vindas do norte da Itália chegaram em 1875, e dois anos depois o território recebeu o nome oficial de Colônia de Caxias, conforme a Prefeitura de Caxias do Sul. O município foi criado em 20 de junho de 1890.
As mesmas mãos que plantavam também consertavam. Pequenas oficinas de ferreiros e funileiros nascidas para atender os colonos foram virando metalúrgicas, e daí saiu a indústria de transformação que hoje divide a paisagem com os parreirais, conforme o perfil socioeconômico divulgado pelo município. Com 463.501 moradores no Censo de 2022, a cidade é a segunda mais populosa do estado, atrás apenas de Porto Alegre.

Como funciona a festa que celebra a colheita desde 1931?
Ela acontece a cada dois anos e ocupa o calendário por quase três semanas. A edição de 2026 marcou os 95 anos do evento, realizado entre 19 de fevereiro e 8 de março, conforme a organização da festa. O Monumento Nacional ao Imigrante foi inaugurado durante uma dessas edições, em 1954.
A programação foi além da parreira. Em março do mesmo ano, a Festa das Colheitas ocupou nove dias com venda direta de maçã, pera, cebola, tomate, goiaba, morango e ameixa, além de pão feito na hora e geleias artesanais, colocando o produtor rural frente a frente com quem compra. É a tradução prática daquele número de 300 mil toneladas.
Quais lugares valem a visita na segunda maior cidade gaúcha?
Boa parte dos endereços fica no centro e pode ser emendada a pé em uma manhã. Confira abaixo os principais:
- Monumento Nacional ao Imigrante: escultura em bronze de 4,5 metros com um casal de agricultores, obra de Antônio Caringi, que abriga uma cripta museológica, conforme a Prefeitura.
- Casa de Pedra: moradia erguida em 1878 pela família Lucchese, transformada em museu de ambiência com móveis e utensílios doados pelas famílias locais.
- Igreja São Pelegrino: guarda afrescos do pintor Aldo Locatelli e portas de bronze em alto relevo que narram a colonização.
- Museu Municipal: prédio histórico no centro com acervo de mais de 12 mil itens ligados à formação da cidade.
- Praça Dante Alighieri: a primeira praça construída no município, onde fica o marco zero, listada pela Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul.
- Praça Regional da Uva: espaço público com videiras que representam cada município produtor da região serrana, além de monumentos ao carreteiro e ao terceiro milênio.
Quem quer conhecer a maior cidade da Serra Gaúcha, vai curtir este vídeo do De fora em Juiz de Fora, com mais de 139 mil visualizações, onde Tati Marmon explora Caxias do Sul.
Como é o clima em Caxias do Sul durante o ano?
A altitude de mais de 800 metros mantém o calor sob controle e a chuva bem distribuída. Outubro reúne a maior média mensal, com 220 mm, e mesmo agosto, o mês mais seco, registra 142 mm, conforme a série histórica do Climatempo. Veja abaixo como cada período se comporta:
Valores aproximados. As condições variam de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, e vale conferir a previsão atualizada no Climatempo.
A serra que colhe muito mais do que uva
A parreira deu o nome da festa e a imagem que o país guardou, mas o que sustenta o interior caxiense é a variedade. Entre pomares de maçã, hortas, cantinas familiares e o centro que preserva a memória dos imigrantes, a cidade construiu uma economia rural que nenhum outro município gaúcho iguala em volume.
Vale subir a serra em março, quando o produtor vende direto na praça, e descobrir que a fruta mais famosa da cidade não é a mais colhida.
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