Essa é a cidade mais quente do Brasil, onde o calor molda a rotina
A capital brasileira com recorde de 44,2°C cercada por três biomas
Em 19 de outubro de 2023, o termômetro de uma estação oficial chegou a 44,2°C. O número entrou para a história de Cuiabá como o maior já registrado pelo Instituto Nacional de Meteorologia na cidade. Mas a capital de Mato Grosso guarda outras esquisitices: fica no centro geodésico da América do Sul, é cercada por três biomas e nasceu por causa de uma única coisa, o ouro.
Por que Cuiabá ficou conhecida como a cidade mais quente do Brasil?
A resposta tem três camadas e nenhuma delas é exagero. A primeira é geográfica: a cidade está no interior continental, longe da influência do mar e a 1.600 km dos oceanos Pacífico e Atlântico. A segunda é climática: o clima tropical com estação seca prolongada deixa os meses de agosto e setembro com umidade abaixo de 20% e céu sem nuvens.
A terceira tem nome, sobrenome e termômetro. No dia 19 de outubro de 2023, durante uma onda de calor que atingiu o Centro-Oeste, a estação meteorológica oficial do INMET marcou 44,2°C, o maior valor da história da capital desde 1911. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) chegou a emitir aviso de nível laranja durante o episódio, com perigo confirmado para a região Centro-Oeste.
Os bairros mais antigos guardam pistas da adaptação ao clima. Telhados altos, paredes claras, varandas largas e quintais sombreados pelas mangueiras explicam por que a cidade conviveu com o calor por séculos antes do ar-condicionado.

O marco de 1909 que fixou a cidade no centro geográfico do continente
Bem no meio da capital existe um obelisco de mármore branco com cerca de 20 metros de altura. Ele guarda no interior um marco menor, de alvenaria, construído em 1909 pelo artesão Júlio Caetano. As coordenadas gravadas são 15°35’56” sul e 56°06’05” oeste, e foram determinadas por uma equipe comandada pelo Marechal Cândido Rondon.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registra o ponto como Marco Simbólico do Centro Geodésico da América do Sul, e o Exército Brasileiro confirmou os cálculos de Rondon em 1975. Cuiabá fica equidistante a 1.600 km do Pacífico e do Atlântico, o que torna a capital o ponto central do continente, segundo material publicado pelo Ministério do Turismo.
O local ganhou ironia histórica: a praça que abriga o monumento, hoje chamada Pascoal Moreira Cabral, era conhecida como Campo d’Ourique e funcionava como ponto de enforcamento de condenados no período colonial.
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A única capital brasileira cercada por três biomas distintos
Poucas capitais conseguem reunir tanta diversidade ambiental em raio curto. A vizinhança de Cuiabá é composta por três dos seis biomas brasileiros, e cada um guarda seus próprios recordes ecológicos.
Confira a distância de cada um a partir do centro:
- Pantanal: a 115 km, considerado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera.
- Cerrado: domina o entorno imediato da capital, com vegetação típica de árvores tortas e gramíneas.
- Amazônia: começa a aparecer ao norte do estado, com floresta densa e rios caudalosos.
- Chapada dos Guimarães: a 70 km, transição entre Cerrado e Pantanal com cachoeiras e formações rochosas.
A confluência dos três biomas faz da capital mato-grossense um caso raro no planeta, com fauna que vai de onças-pintadas a tuiuiús, ariranhas e tamanduás-bandeira em distância de poucas horas de carro.
Quando ir à capital mato-grossense?
O calor faz parte da identidade da capital, mas algumas épocas pesam mais que outras. O período seco vai de maio a setembro, com céu firme e temperaturas que passam dos 40°C com facilidade. A estação chuvosa começa em outubro e segue até abril, com pancadas de fim de tarde que aliviam o termômetro.
Confira a divisão por estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Vale a pena conhecer o coração geográfico da América do Sul
Cuiabá não é uma capital qualquer. Combina recorde de 44,2°C, marco geodésico de mais de cem anos, três biomas em raio curto e um centro histórico tombado por uma das instituições federais mais antigas do país.
Você precisa conhecer Cuiabá pelo menos uma vez e sentir o que é estar exatamente no meio da América do Sul, com o Pantanal de um lado e a Chapada dos Guimarães do outro.
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