Essa cidade do interior cresceu 1.152% e hoje atrai novos moradores do Brasil inteiro
Cidade do interior cresceu 1.152% e atrai moradores do Brasil inteiro
No meio do cerrado mato-grossense, a 350 km de Cuiabá, uma cidade que não existia até os anos 1980 hoje produz 1% de todos os grãos do Brasil. Lucas do Rio Verde ergueu-se sobre uma gleba de quase 200 mil hectares e, em três décadas, cresceu mais do que qualquer outro município do país.
Como uma fila de 203 famílias gaúchas deu origem à cidade?
A resposta começa em 1981, num acampamento de sem-terra chamado Encruzilhada Natalino, no interior de Ronda Alta, no Rio Grande do Sul. Foi de lá que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) deslocou 203 famílias de agricultores em direção ao cerrado mato-grossense para ocupar lotes em uma área de 197.991 hectares.
Conforme registra o site da Prefeitura de Lucas do Rio Verde, junto às famílias gaúchas chegaram 85 posseiros que já habitavam a região e 50 colonos do interior de São Paulo. Em 5 de agosto de 1982 nascia a agrovila, ainda parte do município de Diamantino. Seis anos depois, em 4 de julho de 1988, a cidade conquistou a emancipação política com 5.500 moradores. O nome veio em homenagem a Francisco Lucas de Barros, seringalista que conhecia a região, somado ao rio que corta o território.

O salto demográfico que nenhum município brasileiro repetiu
Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram a velocidade da transformação. Em três décadas, a cidade saltou de 6.644 moradores em 1991 para 83.798 em 2022, um avanço de 1.152% e a maior taxa entre todos os municípios brasileiros no período. A estimativa para 2025 já ultrapassa 92 mil habitantes.
| Ano | População | Marco |
|---|---|---|
| 1988 | 5.500 | Emancipação política |
| 1991 | 6.644 | Primeiro Censo do município |
| 2010 | 45.545 | Consolidação do agronegócio |
| 2022 | 83.798 | 1º crescimento do país |
| 2025 | 92.256 | Estimativa IBGE |
Por que 0,04% do território brasileiro produz 1% dos grãos do país?
A resposta está em duas safras por ano e em uma cadeia industrial que cresceu colada às lavouras. Conforme dados da Prefeitura de Lucas do Rio Verde, o município ocupa apenas 0,04% do território nacional, mas responde por mais de 1% da produção brasileira de grãos, com destaque para soja, milho e algodão.
Na safra 2025/2026, o município cultivou 147.097 hectares de milho com produtividade média de 7.250 kg por hectare, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). A partir dos anos 2000, a cidade agregou indústrias de carnes de aves e suínos à cadeia de grãos. O modelo verticalizado puxa o emprego: o número de empresas ativas dobrou entre 2021 e 2024, passando de 6,3 mil para cerca de 12,7 mil. O PIB per capita superou R$ 98 mil em 2021, colocando o município entre os mais prósperos do país.

O legado do assentamento na cidade que virou modelo
O monumento original da Encruzilhada Natalino está em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e o Museu Histórico Municipal preserva o quadro que reproduz a peça. A história contada no acervo lembra que duas levas de famílias chegaram da região Sul para fundar a base populacional do município no início dos anos 1980.
O movimento que começou no cerrado bruto hoje sustenta a região Médio-Norte de Mato Grosso, formada por 21 municípios, com 444 mil moradores e responsável por 20% do PIB estadual. Lucas do Rio Verde também já foi escolhida para sediar a segunda edição do Fórum da Indústria de Mato Grosso, organizado pela Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), que classificou a cidade como modelo de industrialização do estado por agregar valor à produção agrícola dentro do próprio território.
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Conheça a cidade que nasceu de um assentamento
Lucas do Rio Verde mostra como um projeto de assentamento federal pode virar referência nacional em produtividade em apenas quatro décadas. A cidade saiu do cerrado para liderar rankings que envolvem desde população até geração de empregos, sem perder o vínculo com a história das famílias que abriram os primeiros lotes.
Você precisa conhecer Lucas do Rio Verde e entender como o ponto mais distante de Mato Grosso virou estudo de caso obrigatório para quem quer compreender o avanço do agronegócio brasileiro.
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