Essa antiga capital brasileira que congelou no tempo e foi reconhecida internacionalmente
Antiga capital reconhecida internacionalmente como patrimônio histórico
Ruas de pedra, casarões de janelas coloridas e lampiões que se acendem ao cair da tarde. A Cidade de Goiás, antiga Vila Boa, preserva mais de 90% de sua arquitetura barroco-colonial original e foi reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Mundial em 16 de dezembro de 2001. A cidade fica a 140 km de Goiânia, no coração do Cerrado brasileiro.
A história que congelou no tempo
Tudo começou em 1727, quando o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva Filho, conhecido como o Anhanguera, fundou o Arraial de Sant’Anna em busca do ouro do Rio Vermelho. Em 1739, o povoado virou Vila Boa de Goiás e se tornou a primeira capital da capitania, segundo registros do Portal Oficial da Prefeitura Municipal de Goiás.
O esgotamento das minas e a transferência da capital para Goiânia, em 1937, deixaram a cidade isolada por décadas. Esse abandono administrativo virou bênção para a preservação: enquanto o resto do Brasil modernizava, Vila Boa manteve suas casas, igrejas e ruas exatamente como o século 18 desenhou.

Quais reconhecimentos a antiga capital acumula?
A antiga Vila Boa coleciona títulos que a colocam entre os patrimônios culturais mais ricos do Brasil. Os principais selos vêm de fontes oficiais brasileiras e internacionais:
- Patrimônio Mundial da UNESCO: inscrito em 16 de dezembro de 2001, conforme registra o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), por testemunhar a adaptação do urbanismo europeu à realidade tropical.
- Tombamento federal pelo IPHAN: o conjunto arquitetônico, paisagístico e urbanístico foi tombado em 1978, com proteções iniciadas ainda na década de 1950.
- Primeiro núcleo urbano oficialmente reconhecido: a oeste da linha do Tratado de Tordesilhas, marcando a expansão colonial para o interior brasileiro.
- Procissão do Fogaréu: reconhecida em 2023 como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de Goiás pela Goiás Turismo.

A noite em que a cidade apaga as luzes
Toda quarta-feira santa, a Cidade de Goiás vive seu ritual mais impressionante. Por volta da meia-noite, todos os lampiões e luzes do centro histórico são apagados. Quarenta farricocos encapuzados surgem com tochas acesas e percorrem becos de pedra, encenando a captura de Cristo pelos soldados romanos.
A tradição foi trazida em 1745 pelo padre espanhol João Perestello de Vasconcelos Spíndola. Interrompida no início do século 20, foi resgatada em 1965 pela Organização Vilaboense de Artes e Tradições (OVAT). Hoje, o cortejo atrai cerca de 20 mil pessoas e tornou-se um dos eventos religiosos mais singulares do Brasil.
O que fazer na cidade da poetisa Cora Coralina
O centro histórico se percorre a pé em poucas horas, mas pede tempo para absorver cada detalhe. As principais paradas concentram igrejas, museus e o casarão da poetisa mais célebre do estado:
- Museu Casa de Cora Coralina: residência de cerca de 1782 onde a poetisa viveu seus últimos anos. Inaugurado em 20 de agosto de 1989, no centenário do nascimento, preserva os tachos de cobre, manuscritos e objetos pessoais de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas.
- Palácio Conde dos Arcos: inaugurado em 1751 como sede do governo da Capitania, reúne pinturas, esculturas e mobiliário dos antigos governadores em 36 cômodos.
- Museu das Bandeiras: instalado na antiga Casa de Câmara e Cadeia, guarda documentos e artefatos da expansão bandeirante no Centro-Oeste.
- Igreja da Boa Morte: abriga o Museu de Arte Sacra com a maior coleção do escultor barroco José Joaquim da Veiga Valle.
- Igreja de Santa Bárbara: na margem direita do Rio Vermelho, oferece vista panorâmica do vale e do casario colonial.
- Chafariz de Cauda: monumento de 1778 em alvenaria de pedra com detalhes em pedra-sabão, marco da entrada do centro histórico.
A culinária goiana é o segundo motivo de viagem para muitos visitantes. Os sabores misturam o Cerrado, técnicas coloniais e doçaria centenária:
- Empadão goiano: prato emblemático recheado com frango, linguiça, ovo, azeitona e guariroba, servido em bancas do Mercado Municipal.
- Pequi: fruto típico do Cerrado, em geral preparado com galinha caipira e arroz.
- Sorvete de castanha de baru: tradição da Praça do Coreto, feito com semente nativa do bioma local.
- Alfenim: doce de açúcar moldado em formatos de pássaros, flores e símbolos religiosos, técnica de origem portuguesa preservada na cidade.
- Doces cristalizados: receita herdada das doceiras vilaboenses, com frutas como caju, mamão e laranja-da-terra.
Quem deseja viajar pela história do Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 84 mil visualizações, onde o canal mostra um roteiro completo pela charmosa Cidade de Goiás, a antiga capital de Goiás:
Qual a melhor época para visitar a Cidade de Goiás?
A melhor janela vai de maio a setembro, quando o Cerrado entra na seca e as temperaturas ficam mais amenas. A Semana Santa, em março ou abril, atrai multidões para a Procissão do Fogaréu. Veja o que esperar de cada estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo da Cidade de Goiás. Condições podem variar.
Como chegar à antiga capital do Cerrado
A porta de entrada é o Aeroporto Internacional de Goiânia (GYN), que recebe voos diretos das principais capitais brasileiras. De lá, são 140 km até a cidade pela rodovia GO-070, em trajeto de cerca de duas horas em estrada asfaltada.
Outra opção é desembarcar no Aeroporto Internacional de Brasília (BSB) e seguir cerca de 320 km de carro, atravessando boa parte do Cerrado. Há linhas de ônibus diretas saindo de Goiânia até o terminal rodoviário da Cidade de Goiás.
Conheça a cidade que o tempo decidiu preservar
A antiga Vila Boa reúne uma combinação rara no Brasil: barroco intacto, tradições centenárias e o ritmo lento do interior goiano. Poucos lugares oferecem um centro histórico tão íntegro a duas horas de uma capital.
Você precisa subir as ladeiras da Cidade de Goiás e caminhar entre casarões, igrejas e becos para entender por que a UNESCO escolheu esse pedaço do Cerrado como Patrimônio da Humanidade.
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