Entre 1942 e 1971, uma cachoeira funcionou como usina na cidade baiana onde rios cercados de mata terminam em praias do Atlântico
Uma cachoeira que já movimentou uma usina hoje atrai visitantes por suas águas refrescantes, ruínas históricas e trilhas que atravessam a floresta até o mar.
Durante quase três décadas, uma queda d’água no meio da Mata Atlântica trabalhou para uma usina. Hoje, na mesma cachoeira de Itacaré, no sul baiano, quem chega procura sombra, água fria e o começo de uma trilha que só termina diante do mar.
O que restou da usina que funcionou na cachoeira?
A antiga estrutura continua no lugar, agora cercada pela vegetação. Segundo a Secretaria de Turismo de Itacaré, a Cachoeira da Usina funcionou como usina entre 1942 e 1971 e ainda guarda as marcas daquele período. O nome ficou, a operação acabou, e a queda passou a ser lembrada pela água refrescante e pelo acesso considerado fácil.
A virada ajuda a entender a própria cidade. O mesmo recurso que um dia serviu ao trabalho hoje sustenta o turismo de natureza, e as ruínas viraram parte do cenário, não uma atração a ser explorada por dentro. Quem passa por ali vê, lado a lado, a estrutura de outra época e a mata que voltou a ocupar o entorno.
Três referências resumem essa história entre rio, mata e mar:
Do porto do cacau à cidade das trilhas
Antes das pranchas e das mochilas, Itacaré viveu do movimento dos barcos. De acordo com o roteiro histórico da prefeitura, os casarões de fachadas simples e coloridas espalhados pelo centro e pela orla lembram o tempo em que a cidade era um porto importante na rota do cacau. De frente para a água, a Igreja São Miguel Arcanjo, fundada pelos jesuítas em 1723, abriga um pequeno museu com relíquias do século XVIII.
O turismo de natureza mudou o uso do território, mas não apagou essa camada antiga. Muitas cachoeiras ficam em áreas privadas ou comunitárias, o que exige se informar sobre acesso, trilhas e possíveis taxas antes de sair. A zona rural também tem pouco sinal de celular, e a cobertura costuma se limitar às praias urbanas e à vila de Taboquinhas.

O que visitar em Itacaré entre rio e mar?
O roteiro alterna cachoeiras escondidas na mata e praias a poucos minutos do centro. Segundo o guia de praias do município, as urbanas têm acesso fácil, enquanto as rurais dependem de trilha ou estrada de terra.
Alguns passeios pedem barco, guia ou planejamento com antecedência. Vale confirmar com a secretaria ou com guias locais se cada trilha está aberta antes de sair.
Cachoeiras, praias e o encontro das águas
Entre quedas d’água, faixas de areia e mirantes, alguns lugares mostram bem a mistura de rio e oceano:
- Cachoeira da Usina: além da história, é ponto de partida de uma trilha até a Praia de Jeribucaçu, feita com acompanhamento de guia local.
- Cachoeira do Cleandro: chega-se de barco pelo Rio de Contas, entre mata fechada e manguezais, com entrada pelo mangue do Rio do Engenho e várias quedas.
- Praia da Concha: águas calmas entre o mar e o encontro com o Rio de Contas, vista para o farol e estrutura de restaurantes.
- Praia da Ribeira: um riacho deságua na areia e forma uma piscina natural; há arvorismo, tirolesa e trilhas para outras praias.
- Praia de Jeribucaçu: acesso por estrada de terra e trilha, com um rio que encontra o mar e cria áreas de água doce e salgada.
- Mirante da Ponta do Xaréu: perto do início da Concha, é um dos pontos de onde se vê o rio se juntar ao oceano no fim da tarde.
Para observar as paisagens e a vida cotidiana de Itacaré depois de conhecer essa história, o vídeo do canal Rolê Família oferece imagens do destino:
Como a cidade funciona hoje entre o centro e a zona rural?
No centro, a orla da Praia da Coroinha reúne pescadores e praticantes de futevôlei durante o dia e vira passeio ao entardecer, com os barcos ancorados ao fundo. Diante dela, o Rio de Contas, depois de atravessar outros municípios baianos, se aproxima do fim do caminho e se abre para o oceano.
Na zona rural, o ritmo é outro. Em Taboquinhas, o rafting no Rio de Contas percorre cerca de 3 km e cinco corredeiras classificadas entre os níveis III e IV, sempre com guias e equipamentos. A Secretaria Municipal de Turismo concentra as informações para quem quer combinar praia, rio e mata no mesmo roteiro.

Como é o clima de Itacaré ao longo do ano?
Itacaré tem calor estável o ano inteiro, com mínimas médias que não descem dos 20°C e máximas entre 24°C e 28°C. A chuva se distribui por todos os meses, com abril e novembro como os mais úmidos e setembro como o mais seco na série de 30 anos.
Itacaré em cada estação
Cada período do ano traz variações pequenas de temperatura e volumes de chuva diferentes:
Faixas baseadas nas médias climatológicas de 30 anos do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte a previsão do Climatempo.
A cachoeira que trocou de trabalho
A Cachoeira da Usina guarda, num só lugar, as duas vidas de Itacaré. A água que durante 29 anos serviu a uma usina hoje marca o início de caminhos que levam até o mar, sem que o nome antigo tenha deixado de existir.
Quem passa pela queda numa manhã de sol vê a estrutura velha meio escondida entre as folhas e ouve a água correndo na mesma direção de sempre, rumo à mata e, mais adiante, ao Atlântico.
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