Como é a vida na ex-menor cidade do Brasil com 932 habitantes que ainda cabe inteira em um vagão de metrô lotado

22.04.2026

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Como é a vida na ex-menor cidade do Brasil com 932 habitantes que ainda cabe inteira em um vagão de metrô lotado

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Como é a vida na ex-menor cidade do Brasil com 932 habitantes que ainda cabe inteira em um vagão de metrô lotado

Ex-menor cidade do Brasil com 932 habitantes cabe em um vagão de metrô

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Como é a vida na ex-menor cidade do Brasil com 932 habitantes que ainda cabe inteira em um vagão de metrô lotado
Borá destaca-se como a 3ª menor cidade do Brasil, onde a vizinhança de 932 habitantes se conhece pelo nome // IMAGEM ILUSTRATIVA

No oeste de São Paulo, um vilarejo que foi o menor município do Brasil por décadas hoje ocupa o 3º lugar nacional em menor população, com ritmo de vida lento e relação íntima entre eleitores e políticos. Borá tem 932 habitantes estimados em 2025, cabe inteira em um vagão de metrô lotado e perdeu o posto para uma cidade mineira.

O vilarejo que foi o menor município do Brasil por 12 anos

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Borá tem 932 habitantes estimados em 2025 e 907 habitantes registrados no Censo de 2022. Em 2010, o município paulista era o menor do Brasil em população, com apenas 805 habitantes, título que ocupou por mais de uma década.

Em 2013, o IBGE apontou Serra da Saudade, no interior de Minas Gerais, como o novo menor município brasileiro. Desde então, Serra da Saudade mantém o posto, com 856 habitantes em 2025. Na nova ordem estatística, Anhanguera (GO) assumiu a 2ª posição com 913 habitantes, enquanto Borá escorregou para a 3ª posição, ainda como o único município paulista com menos de mil moradores.

Borá, o vilarejo que foi o menor município do Brasil por 12 anos // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Cresceu 12,7% em 12 anos e atraiu famílias de volta

Apesar de perder o posto, o vilarejo registrou crescimento populacional acima da média nacional. De acordo com o IBGE, a população passou de 805 habitantes em 2010 para 907 em 2022, um avanço de 12,7% em 12 anos. No mesmo período, outras pequenas cidades brasileiras registraram queda populacional.

A alta está ligada à retomada da usina processadora de açúcar e álcool nos limites do município, no início dos anos 2000, e ao avanço do agronegócio sucroalcooleiro na região. Uma tese de mestrado publicada pela UNESP em 2017 analisou o fenômeno, mostrando como o vilarejo atraiu famílias que haviam saído para cidades maiores e voltaram em busca do ritmo calmo do interior.

Fundação que começou com a família Vedovatti em 1918

A história do município começa com a travessia do rio Borá. Conforme registro do IBGE, o povoamento teve início por volta de 1918, quando a família Vedovatti atravessava as águas do rio Borá para chegar a Sapezal, onde faziam comércio de gêneros alimentícios. Em 1919, chegaram as famílias portuguesas de Manoel Antônio de Souza, Antônio Caldas e Antônio Troncoso.

O distrito foi criado oficialmente em 1934, ainda subordinado ao município de Paraguaçu Paulista. A emancipação veio apenas três décadas depois, com a Lei Estadual 8092 de 28 de fevereiro de 1964, e a instalação formal do município ocorreu em 31 de março de 1965. O nome tem origem tupi, de m’borá, em referência às abelhas nativas que dominavam a mata original da região.

Mais empregos do que habitantes e 100% de escolarização

Os números do vilarejo contrariam a lógica das grandes cidades. Segundo o IBGE, a escolarização de crianças de 6 a 14 anos é de 100%, a maior taxa possível, acima da média de São Paulo. O município tem uma escola pública que atende até o ensino fundamental, com alunos do ensino médio transportados para cidades vizinhas.

A economia é movida pelo agronegócio, com plantio de soja, milho, trigo, feijão, cana-de-açúcar e café, além da pecuária. O resultado é um dado raro na estatística brasileira. De acordo com o IBGE, a cidade tem mais vagas de emprego do que habitantes, com trabalhadores que vêm diariamente de municípios vizinhos, como Paraguaçu Paulista e Adamantina, para trabalhar nas lavouras e na usina sucroalcooleira.

Quem deseja conhecer as curiosidades do interior de São Paulo, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 309 mil visualizações, onde Matheus Boa Sorte mostra como é a vida em Borá, a terceira menor cidade do Brasil:

32 ruas sem semáforos e posto de saúde 24 horas

A estrutura urbana do vilarejo é enxuta. As 32 ruas da cidade não têm semáforos, o que reflete a baixa densidade de tráfego. Não há registros recentes de acidentes fatais na área urbana, segundo reportagens locais que acompanham o cotidiano do município.

O posto de saúde municipal funciona 24 horas, com atendimento básico garantido. Casos de média e alta complexidade são encaminhados para Paraguaçu Paulista e Presidente Prudente, distante cerca de 100 km. Com apenas 118,951 km de área territorial e densidade demográfica de 7,62 habitantes por quilômetro quadrado, a cidade preserva paisagens rurais em quase toda a sua extensão.

Leia também: A cidade no interior de Santa Catarina produz carne suficiente para alimentar o Brasil 14 vezes e quase ninguém sabe onde fica

Relação íntima entre eleitores e políticos locais

A pequena população cria um fenômeno político singular. Em cidades com poucas centenas de eleitores, a relação entre candidatos e moradores é pessoal. Os vereadores conhecem cada família pelo nome, e o prefeito costuma ser visto rotineiramente na padaria, na igreja e no posto de saúde.

Segundo o IBGE, o prefeito atual é Luiz Carlos Rodrigues, eleito em 2024 para o mandato iniciado em 2025. O orçamento municipal realizado em 2024 foi de R$ 28 milhões, divididos entre saúde, educação e infraestrutura básica. O modelo de gestão aproxima-se do que pesquisadores da ciência política classificam como democracia de proximidade, em que cada voto tem peso estatístico significativo e as decisões administrativas ganham rosto individual.

Conheça o vilarejo paulista que resiste ao tempo

A combinação entre 932 habitantes, 32 ruas sem semáforos, escolarização de 100% e um ritmo de vida em que eleitores e políticos se cumprimentam todos os dias transforma Borá em um caso único no interior paulista. Poucas cidades brasileiras conseguem manter um modelo rural tão preservado enquanto crescem 12,7% em uma década.

Você precisa conhecer Borá e entender por que o vilarejo paulista virou sinônimo de resistência ao êxodo rural em plena expansão do agronegócio no oeste de São Paulo.

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