Com 155 mil hectares de dunas e paisagens de outro planeta, essa cidade maranhense virou Patrimônio Mundial da UNESCO
A cidade funciona como principal entrada para um cenário natural único no mundo
Um deserto que se enche de lagoas de água doce durante metade do ano soa como paradoxo, mas existe e ganhou reconhecimento planetário. Barreirinhas, no litoral do Maranhão, é a porta de entrada terrestre e fluvial para o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, área que a UNESCO declarou Patrimônio Natural da Humanidade em julho de 2024. A cidade que já foi apenas ponto de passagem para tropeiros virou base de uma das paisagens mais raras do planeta.
Como a cidade nasceu às margens do Rio Preguiças?
A ocupação começou no século XVIII, quando colonos portugueses se estabeleceram nas margens do Rio Preguiças. Segundo a versão preservada pela Câmara de Cultura local, o nome vem das paredes de barro que apareciam ao longo do rio, chamadas popularmente de “barreirinhas”. Em 1841, o povoado foi oficialmente fundado e passou a servir como ponto de parada para viajantes que seguiam para o interior maranhense.
Ao longo do século XIX, a economia girou em torno do cultivo de algodão e do comércio ribeirinho. A virada aconteceu na segunda metade do século XX, quando a região das dunas passou a ser conhecida fora do estado. Até a década de 1960, os próprios moradores chamavam a área apenas de “morrarias” ou “as dunas”, sem o nome que hoje corre o mundo.

Por que a UNESCO reconheceu os Lençóis como Patrimônio Mundial?
A decisão foi anunciada em 26 de julho de 2024, durante a 46ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Nova Délhi, na Índia. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o parque foi reconhecido pela combinação rara entre campos de dunas móveis e lagoas de água doce formadas pelo vento e pela chuva, ambiente único no planeta.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o parque ocupa 155 mil hectares, área maior que a cidade de São Paulo, em uma zona de transição entre três biomas: Cerrado, Caatinga e Floresta Amazônica. Foi a primeira inclusão brasileira na categoria natural em 23 anos.

Quantos visitantes o parque recebeu em 2024?
O ICMBio registrou 440 mil visitantes no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses ao longo de 2024, marca que colocou a unidade como a sexta mais visitada entre os parques nacionais brasileiros. Os números vêm subindo desde o fim da pandemia e receberam novo impulso após o reconhecimento internacional.
A pressão do turismo, contudo, trouxe desafios. Os três municípios do entorno, Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão e Primeira Cruz, somam pouco mais de 96 mil habitantes, enquanto o interior da unidade abriga cerca de 1.500 famílias distribuídas em 68 núcleos populacionais. O ICMBio firmou acordo com o governo do Maranhão para reforçar infraestrutura e proteção da área.

O que fazer em Barreirinhas e nos Lençóis?
A cidade concentra pousadas, restaurantes e agências que operam os passeios oficiais dentro do parque. O acesso principal se faz por veículos 4×4 ou por barcos que sobem o Rio Preguiças, com paradas em vilarejos que preservam modos de vida ribeirinhos.
- Circuito Lagoa Azul: passeio de meio período em veículo 4×4 saindo de Barreirinhas, o mais tradicional do parque.
- Circuito Lagoa Bonita: rota que inclui vista panorâmica do topo da duna de chegada, considerada uma das mais impressionantes.
- Rio Preguiças: passeio de lancha com paradas no Farol de Mandacaru, no povoado de Vassouras e no encontro entre rio e mar em Caburé.
- Vila de Atins: pequeno povoado de pescadores, base para acessar lagoas menos concorridas e ponto de kitesurf entre agosto e outubro.
- Festas juninas de Barreirinhas: em junho, danças tradicionais e o Bumba Meu Boi tomam a cidade, unindo natureza e cultura popular nordestina.
A cozinha local aposta em peixe fresco e frutos do mar. O arroz de cuxá, prato símbolo do Maranhão, aparece nos restaurantes ribeirinhos ao lado de camarões, caranguejos e sobremesas de frutas típicas do cerrado.
Quem sonha em conhecer os Lençóis Maranhenses, vai curtir esse vídeo do canal POR ONDE INDO – Rony & Bruna, com mais de 35 mil visualizações, que mostra como é viver e passear em Barreirinhas:
Qual é a melhor época para ver as lagoas cheias?
A geografia dos Lençóis funciona em dois tempos: a chuva enche as lagoas entre janeiro e maio, e o sol as revela em toda a força entre junho e setembro. Fora dessa janela, várias lagoas famosas ficam secas e a paisagem muda de personagem.
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Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Barreirinhas?
O trajeto mais comum parte de São Luís, a cerca de 250 km, pela BR-135 e a MA-402. Segundo o Ministério do Turismo, a rodovia conhecida como Translitorânea encurtou a viagem para cerca de quatro horas de carro. Vans e ônibus regulares saem diariamente do aeroporto, da rodoviária e de hotéis da capital. Voos comerciais também operam para Barreirinhas em temporada de alta.

Descubra o deserto de água doce do Maranhão
Barreirinhas é a chave para uma paisagem que só existe nesta esquina do Brasil, onde o vento desenha dunas por milhões de anos e a chuva enche buracos que viram piscinas cristalinas. A UNESCO chegou depois; o fenômeno já estava lá.
Você precisa subir uma duna dos Lençóis ao amanhecer para entender por que o mundo virou os olhos para essa cidade maranhense.
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