Cidade onde o mar mantém temperatura agradável durante o ano todo e as piscinas naturais permitem banhos relaxantes diariamente
O litoral combina águas agradáveis e piscinas naturais que convidam a aproveitar o mar
Nem toda praia urbana entrega água morna e rasa a poucos passos do calçadão. Em Recife, capital de Pernambuco, uma barreira de rocha submersa a algumas dezenas de metros da areia segura o mar e forma piscinas naturais na maré baixa. É a mesma formação que deu nome à cidade e desenhou o porto que originou tudo.
Por que o mar de Recife é morno o ano inteiro?
A explicação combina posição no mapa e formato do fundo. A capital pernambucana fica a pouco mais de oito graus ao sul da linha do Equador, faixa em que a temperatura da água do Oceano Atlântico varia pouco entre os meses, sem as quedas bruscas que marcam o litoral do Sudeste em pleno inverno.
O segundo fator é local. Quando a maré recua, a linha de arrecifes retém lâminas de água rasa que ficam expostas ao sol, e essas poças aquecem mais rápido que o mar aberto. O resultado são tanques naturais de fundo claro que se formam e desaparecem todos os dias, no ritmo das marés, sem depender da estação do ano.

O que são os arrecifes que batizaram a cidade?
São rochas de arenito de praia, formadas por areia e cascalho cimentados por carbonato de cálcio ao longo de milhares de anos, e não corais, como muita gente imagina. A cidade nasceu justamente por causa delas: a barreira criava um porto abrigado no meio da costa aberta, usado no período colonial para escoar a produção que descia da vizinha Olinda.
A formação tem reconhecimento formal. Segundo a Prefeitura do Recife, os arrecifes da praia de Boa Viagem integram a lista dos sítios geológicos brasileiros, a orla soma 8 km de extensão e as águas e areias são monitoradas pela Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH). O banho deve ficar restrito ao interior das piscinas, conforme a sinalização da orla.

O que fazer entre a orla e o centro histórico?
O roteiro da cidade cabe em poucos quilômetros e mistura praia, museu e mesa. Confira abaixo as paradas principais:
- Praia de Boa Viagem: orla urbana com calçadão contínuo, quiosques e as piscinas que se abrem na maré baixa em frente aos arrecifes.
- Marco Zero e Recife Antigo: praça com a rosa dos ventos de Cícero Dias e ponto de partida para a Rua do Bom Jesus, a Sinagoga Kahal Zur Israel e o Paço do Frevo.
- Instituto Ricardo Brennand: conjunto em estilo de castelo no bairro da Várzea, com acervo de armaduras e armas brancas reunido pelo colecionador que dá nome ao lugar.
- Centro de Artesanato de Pernambuco: antigos armazéns portuários ao lado do Marco Zero reunindo peças de artesãos de todo o estado.
- Bolo de rolo e cartola: o doce de massa fina enrolada com goiabada e a sobremesa quente de banana com queijo coalho são as duas assinaturas da cozinha local.
- Porto de Galinhas: bate-volta a cerca de 60 km, no município de Ipojuca, com piscinas formadas sobre recifes de coral.
Quem sonha em explorar as belezas e a cultura do Nordeste, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Fabi Cassol | Minha Praia Viajar, que conta com mais de 383 mil visualizações, onde Fabi Cassol mostra um roteiro completo de 4 dias em Recife e Olinda:
Que títulos internacionais a capital pernambucana acumula?
O mais conhecido está no ritmo das ruas. Segundo o Ministério do Turismo, o frevo foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 2012, sob a designação Frevo, Arte do Espetáculo do Carnaval do Recife. Do mesmo tronco cultural nasceu o Galo da Madrugada, considerado o maior bloco de carnaval do mundo pelo Guinness Book desde 1994.
A vizinhança também tem selo. O centro histórico de Olinda, fundado em 1535 e a cerca de 7 km do Recife Antigo, está inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, com vinte igrejas barrocas, conventos e dezenas de capelas espalhadas pelas ladeiras. Outra capital nordestina com acervo parecido aparece na ilha com dois títulos da UNESCO.

Como o clima de Recife se comporta ao longo do ano?
A capital tem clima tropical úmido, com temperaturas altas e estáveis em todos os meses e variação concentrada no volume de chuva. O período mais chuvoso vai do outono ao inverno, com pico em junho. Confira abaixo o comportamento de cada período:
Médias aproximadas com base na climatologia do Climatempo, com dados estaduais da Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC). As condições mudam de um ano para outro por causa de fenômenos naturais como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes de viajar. A tábua de marés define o horário das piscinas.
Uma capital que se explica pela pedra debaixo da água
Recife reúne uma combinação difícil de repetir: piscinas de água morna dentro da malha urbana, um centro histórico tombado a poucos minutos da orla, um ritmo reconhecido pela UNESCO e um patrimônio mundial na cidade ao lado. Tudo isso cabe num raio curto, servido por aeroporto internacional.
Você precisa checar a tábua de marés, descer até Boa Viagem no fim da manhã e entrar nas piscinas que os arrecifes abrem todos os dias.
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