Cidade do interior paranaense que já respondeu por 51% do café do mundo inteiro e hoje é a maior metrópole regional do Sul fora das capitais
51% do café mundial e hoje a maior metrópole regional do Sul
Em algum momento da década de 1960, mais da metade do café consumido no planeta saía da mesma região em volta de Londrina. A cidade crescia em ritmo de mineração de ouro verde, até que uma geada em julho de 1975 apagou a lavoura e obrigou a segunda maior cidade do Paraná a se reinventar.
Como uma cidade virou a capital mundial do café?
A resposta está na terra roxa e no timing. O solo avermelhado do terceiro planalto paranaense, resultado de derrames basálticos e riquíssimo em minerais, ganhou o apelido em referência ao italiano “rossa” e atraiu famílias de cafeicultores paulistas que já não conseguiam terras em São Paulo. Companhias de colonização vendiam a prazo, com pagamento feito em sacas da safra.
O resultado foi espantoso. Enquanto na década de 1950 o Paraná tinha 300 mil hectares plantados de café, em 1962 o número saltou para 1,6 milhão de hectares, segundo registros do Governo do Paraná. Londrina chegou a ser chamada de Capital Mundial do Café e foi responsável, na década de 1960, por cerca de 51% do café produzido no planeta. O estado respondia por quase 60% da produção nacional.

A geada que mudou tudo
Na madrugada de 18 de julho de 1975, a Geada Negra dizimou os cafezais do norte paranaense em poucas horas. Os troncos queimaram até o nível do solo. A perda estimada na lavoura chegou a 60%. Pequenos produtores abandonaram propriedades, êxodo rural acelerou e a cidade precisou escolher um novo destino econômico.
A diversificação já vinha sendo sinalizada desde geadas menores em 1962, 1966 e 1969. O café deu espaço à soja, ao trigo, à pecuária e, depois, aos serviços. A criação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 1971, quatro anos antes da tragédia climática, foi peça-chave da transição. O campus, instalado no sudoeste da cidade, puxou mercado imobiliário, expandiu a malha urbana e criou massa crítica para uma nova economia.

Vale a pena viver em Londrina?
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Londrina tem 555.937 habitantes pelo Censo 2022, sendo a segunda maior cidade do Paraná, atrás apenas de Curitiba. O PIB municipal atingiu R$ 21,7 bilhões em 2020, o que mais que dobrou em uma década.
A cidade foi classificada pela plataforma Bright Cities como a mais sustentável do Paraná, a 2ª do Sul e a 9ª do Brasil no ranking Cidades Sustentáveis 2023. A economia é hoje de serviços (62,6% do valor adicionado), com indústria em 21,1% e agropecuária em apenas 2,6%, reflexo da transição profunda. A cidade se consolidou como polo regional em saúde avançada, ensino superior e tecnologia, tendo sido classificada pelo instituto israelense StartupBlink como a 28ª cidade brasileira mais atrativa para startups.
O que fazer na Capital Mundial do Café?
O roteiro mistura memória cafeeira, arquitetura moderna e natureza em um mesmo dia. As atrações principais estão a poucos minutos umas das outras.
Pontos turísticos imperdíveis:
- Lago Igapó: complexo de quatro lagos represados do Ribeirão Cambé, inaugurado em 10 de dezembro de 1959. Tem ciclovia, Teatro do Lago, chafariz e pistas de cooper, além de permitir esportes náuticos no Igapó II.
- Museu do Café: inaugurado pelo Sesc Paraná em 2023 em um prédio tombado dos anos 1960. Reúne 750 itens doados pela população sobre o ciclo cafeeiro do norte paranaense.
- Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss: funciona na antiga Estação Ferroviária, tem tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e conta a trajetória dos colonos.
- Catedral Metropolitana de Londrina: também chamada Catedral Sagrada Família, foi construída em 1970 em estilo moderno com formato que lembra um chalé visível de várias partes da cidade.
- Jardim Botânico de Londrina: área verde na zona sul com trilhas, estufas e espécies nativas da Mata Atlântica e do Cerrado.
- Salto do Apucaraninha: cachoeira a cerca de 70 km, próxima à reserva indígena Kaingang, com mirante natural sobre o rio.
- Rota do Café: circuito turístico que conecta fazendas históricas em Rolândia, Santa Mariana, Sapopema, Ribeirão Claro e Carlópolis.
Quem deseja conhecer a “Pequena Londres” paranaense, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Araujos por aí, que conta com mais de 3,2 mil visualizações, onde o casal mostra curiosidades sobre Londrina, como as cabines telefônicas britânicas e o famoso Lago Igapó:
Qual a melhor época para visitar Londrina?
O clima é subtropical úmido, com verões quentes e chuvosos e invernos secos e frescos. A tabela a seguir resume cada estação.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar em Londrina?
A cidade fica a 430 km de Curitiba e a cerca de 540 km de São Paulo. O acesso rodoviário principal é pela BR-369 e pela BR-376, que conectam Londrina ao restante do Paraná e aos estados vizinhos. O Aeroporto de Londrina Governador José Richa opera voos diretos para Curitiba, São Paulo, Campinas e outras capitais, com reforma em andamento que prevê R$ 185 milhões em investimentos.
Descubra a cidade que reinventou o próprio futuro
Londrina guarda no mesmo centro o resquício do ouro verde e a cara de uma metrópole que cresce pela saúde, pela educação e pela tecnologia. Poucas cidades brasileiras saíram de um trauma econômico dessa escala para se tornar capital regional de referência em tão pouco tempo.
Você precisa conhecer Londrina e sentir a história de uma cidade que passou do ouro verde ao conhecimento sem perder o ritmo.
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