Cidade Árvore do Mundo pela 7ª vez seguida: a capital onde 9 em cada 10 moradores vivem em ruas arborizadas e que aparece como a 4ª melhor capital do país para viver
Árvores fazem parte da rotina de moradores em quase toda a cidade
Em muitas capitais brasileiras, sombra na calçada ainda é exceção. Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, ela virou política pública: a cidade lidera as capitais na proporção de moradores em vias com árvores e renova, ano após ano, um título internacional concedido às cidades que cuidam de forma planejada da própria floresta urbana.
Como Campo Grande virou a capital mais arborizada do Brasil?
O dado vem do Censo 2022: 91,4% dos domicílios da capital ficam em vias públicas com pelo menos uma árvore, o maior índice entre as capitais, segundo a Prefeitura de Campo Grande. A média nacional é de 66%, e a conta considera apenas árvores em áreas públicas, sem incluir quintais.
O reconhecimento internacional reforça a marca. A cidade integra a rede Tree Cities of the World, mantida pela Arbor Day Foundation em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), é a única capital brasileira com o título desde a criação do programa, em 2019, e em 2026 recebeu a certificação pela sétima vez seguida. Para manter o selo, o município precisa comprovar estrutura de gestão, legislação específica, inventário das árvores e investimento contínuo.

Os indicadores que colocam a capital sul-mato-grossense entre as mais bem avaliadas do país mostram o tamanho desse resultado:
Qual a posição de Campo Grande no ranking de qualidade de vida?
No Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, Campo Grande aparece em 4º lugar entre as capitais, com 69,77 pontos, atrás de Curitiba, Brasília e São Paulo e à frente de Belo Horizonte. O estudo avaliou os 5.570 municípios brasileiros com 57 indicadores sociais e ambientais.
O índice não mede riqueza, e sim se os serviços chegam de fato à população, em três dimensões: necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades. Na edição anterior, de 2025, a cidade havia ficado em segundo lugar entre as capitais, o que mostra uma presença estável no grupo das mais bem avaliadas do país.

O que visitar na capital mais verde do país
O principal cartão-postal é o Bioparque Pantanal, inaugurado em 2022 e apontado pelo Governo de Mato Grosso do Sul como o maior aquário de água doce do mundo. O espaço tem 21 mil m² de área construída e mais de 350 espécies de animais.
Fora do aquário, a cidade se revela em avenidas largas e sombreadas, feiras tradicionais e casarões do início do século XX, quase todos a poucos minutos do centro.
Os endereços que mostram a cidade entre árvores e cultura
Para além do aquário, alguns lugares ajudam a entender o jeito de viver da capital:
- Avenida Afonso Pena: principal corredor da cidade, com figueiras históricas no canteiro central que recebem tratamento anual da prefeitura.
- Feira Central: instalada no complexo da antiga estação ferroviária, é o endereço mais tradicional para provar o sobá, prato herdado da imigração de Okinawa.
- Morada dos Baís: sobrado cuja construção começou em 1913, hoje espaço cultural no centro histórico.
- Museu de Arte Contemporânea (MARCO): espaço de arte instalado no mesmo complexo de parque que abriga o Bioparque, bom para combinar os dois passeios.
- Monumento às Araras: escultura com araras azul e vermelha, inaugurada em 1996 em homenagem à preservação da ave.
Quem busca passeios ecológicos em Campo Grande, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Canal Mundo ao Vivo, que conta com mais de 46 mil visualizações, onde a apresentadora mostra o Parque Estadual do Prosa:
A cidade que cresceu com os trilhos da ferrovia
A origem remete a 1872, quando o mineiro José Antônio Pereira e sua comitiva se instalaram na região em busca de terras férteis. O vilarejo cresceu devagar até 1914, ano em que os trilhos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil chegaram e trouxeram migrantes, comércio e um novo ritmo à economia local.
A ferrovia transferiu para Campo Grande parte do movimento comercial que antes passava por Corumbá, e a cidade se firmou como centro do sul do antigo Mato Grosso. Em outubro de 1977, com a divisão do estado, tornou-se capital do recém-criado Mato Grosso do Sul.
Como é o clima de Campo Grande ao longo do ano?
Campo Grande tem verão quente e chuvoso e inverno seco, com dezembro e janeiro acima de 200 mm de chuva e julho e agosto abaixo de 30 mm. As máximas médias ficam perto dos 30°C quase o ano todo, e as noites mais frescas aparecem entre junho e julho, com mínimas de 17°C.
Campo Grande em cada estação
Cada período do ano traz temperaturas e volumes de chuva bem diferentes:
Faixas baseadas nas normais climatológicas de 30 anos do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte o Climatempo.
Uma capital que cresce debaixo da sombra
Campo Grande provou que uma capital pode passar de quase 900 mil habitantes sem abrir mão das árvores que marcam sua paisagem. São sete títulos internacionais seguidos, a melhor arborização entre as capitais e uma posição firme entre as cidades com melhor qualidade de vida do país.
Você precisa caminhar sob as figueiras da Afonso Pena e passar uma tarde no Bioparque para entender por que a capital sul-mato-grossense conquista quem chega pela primeira vez.
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