Capital Nacional do Morango por lei federal: a cidade a 65 km de São Paulo que lidera a qualidade de vida no estado e guarda uma rocha de 1.418 metros
Agricultura e qualidade de vida ajudam a formar a identidade do município
Existe um trecho da Serra da Mantiqueira onde o ar muda antes mesmo de a placa aparecer. A 803 metros de altitude e a pouco mais de uma hora da capital paulista, Atibaia reúne um título concedido por lei federal, o primeiro lugar em qualidade de vida entre os municípios médios do estado, e um paredão de granito que serve de rampa para voo livre.
O que a lei federal de 2022 reconheceu nas plantações locais?
O reconhecimento veio na forma de título oficial. A Lei 14.383, sancionada em 27 de junho de 2022, conferiu ao município o título de Capital Nacional do Morango, encerrando uma tramitação iniciada cinco anos antes no Congresso.
A história por trás do título começa com gente que atravessou o oceano. Conforme a Prefeitura de Atibaia, imigrantes japoneses e italianos chegaram à região entre as décadas de 1950 e 1960 e fizeram do cultivo da fruta a base de uma nova vida, colocando a cidade na dianteira da produção paulista com variedades como Camino Real, Camarosa e San Andreas. O Senado Federal registrou que foi ali que nasceu a Produção Integrada de Morango (PIMo), projeto da Embrapa para reduzir o uso de agrotóxicos, e que o município é o único do estado cujos produtores participantes carregam selo de certificação do Inmetro.

Quais rankings colocam a cidade no topo do interior paulista?
Dois estudos recentes explicam a fama. De acordo com a Prefeitura de Atibaia, o município alcançou o primeiro lugar em qualidade de vida entre os principais municípios paulistas, tanto na classificação que reúne saúde, educação e economia quanto na versão ambiental do estudo, que acrescenta o meio ambiente às três áreas. O levantamento é do Núcleo de Estudos das Cidades (NEC), grupo formado por professores da USP de São Carlos, da UFSCar e da Fatec-Jaú.
A cidade também aparece entre as cem mais inteligentes e conectadas do país no Ranking Connected Smart Cities, estudo da consultoria Urban Systems que mede potencial de desenvolvimento, com destaque nos segmentos de economia e segurança. Estar nessa lista significa dividir espaço com capitais como Florianópolis e Vitória, um feito para um município que não chega a 170 mil habitantes e ocupa área menor que a de muitas cidades litorâneas. O mesmo padrão de verde, somado a serviços urbanos, aparece em outros pontos do país, como na capital mais verde do Brasil.

A rocha de 1.418 metros que a população salvou do loteamento
A Pedra Grande é um domo de granito exposto no alto da Serra do Itapetinga, com cerca de 200 mil metros quadrados de superfície e vista que alcança municípios vizinhos em dias limpos. No começo da década de 1980, um projeto de loteamento e a pressão da mineração ameaçaram a encosta, e a reação dos moradores levou o caso ao conselho estadual de patrimônio.
A serra acabou tombada em 1983 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), e em 2010 a área virou o Monumento Natural Estadual da Pedra Grande. Hoje o alto da rocha recebe praticantes de asa-delta, parapente, escalada e rapel, além de quem sobe apenas para ver o vale amanhecer.

Entre morangais, flores e centro histórico: o que ver na cidade
Confira abaixo os pontos que costumam organizar um roteiro de fim de semana:
- Monumento Natural Estadual da Pedra Grande: acesso pela Rodovia Dom Pedro I, com mirante natural, trilhas e rampas de voo livre.
- Festa de Flores e Morangos: realizada em setembro pela Associação Hortolândia de Atibaia, reúne mais de cem mil visitantes, danças de Bon Odori e Taikô e venda direta do produtor.
- Parque Edmundo Zanoni: área verde com lago, pedalinhos e mata preservada dentro da zona urbana.
- Colheita nos morangais: propriedades da zona rural abrem para visita e permitem colher a fruta direto do pé.
- Centro histórico: núcleo fundado em 1665, com casario antigo e igrejas ligadas ao período das bandeiras.
- Mercado de flores: a produção local de plantas ornamentais abastece boa parte do estado e aparece nos viveiros abertos ao público.
Quem quer conhecer a terra das flores e do morango vai curtir este vídeo do canal De fora em Juiz de Fora, com mais de 300 mil inscritos, onde Tati Marmon explora Atibaia.
Como é o clima de Atibaia ao longo do ano?
O que sustenta a fama de clima ameno é a combinação de altitude com serra ao redor: verões chuvosos e sem calor extremo, invernos secos e frios pela manhã, com madrugadas que descem à casa de um dígito. Veja abaixo o comportamento das estações:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. As condições variam de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes de subir a serra.
A serra que ficou perto demais para ser ignorada
Poucos municípios conseguem juntar produção rural reconhecida por lei, indicadores sociais no topo do estado e uma montanha protegida por mobilização popular. A proximidade com São Paulo e Campinas fez o resto, transformando a cidade em destino de quem quer trocar o concreto por ar de serra sem abrir mão de estrutura urbana.
Você precisa subir até Atibaia num fim de semana de setembro, quando os morangos estão no ponto e a Pedra Grande amanhece acima das nuvens.
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