Batizada por um pato selvagem, a 2ª cidade mais inteligente do Brasil reúne 365 empresas de tecnologia a 760 m de altitude
A tecnologia movimenta empregos e novos negócios no município
Nem toda cidade tecnológica começou com um plano ambicioso na mesa de um urbanista. Pato Branco, no sudoeste do Paraná, deve o nome a uma ave de plumagem branca abatida às margens de um rio no início do século XX, e hoje reúne 365 empresas de tecnologia a 760 metros de altitude, além do título de segunda cidade mais inteligente do país entre municípios de até 100 mil habitantes.
De onde vem o nome mais improvável do sudoeste paranaense?
De uma caçada. Nas primeiras décadas do século XX, famílias vindas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina ocuparam o sudoeste paranaense, e um dos desbravadores abateu um pato selvagem de plumagem clara em um afluente do rio Chopim. O curso d’água passou a ser chamado de Pato Branco, e o nome sobreviveu a tudo o que veio depois.
O apelido virou endereço oficial quando o governo federal instalou ali, na década de 1930, um posto de telégrafo na linha entre Ponta Grossa e Barracão. Os operadores se referiam ao lugar como Posto do Rio Pato Branco, e o povoado cresceu ao redor da estação até ser emancipado no início dos anos 1950. Por décadas, foi apenas um entreposto agrícola a cerca de 440 km de Curitiba.

O que transformou uma vila agrícola em referência nacional de tecnologia?
A chegada de uma universidade federal mudou o desenho da cidade. Em 1993, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) instalou no município um câmpus que se tornou o segundo maior da instituição no estado, atrás apenas do de Curitiba, com graduações, mestrados e doutorados que passaram a segurar jovens qualificados na região.
Esse ambiente universitário alimentou uma cadeia de empresas que redesenhou a economia local. Segundo a Prefeitura de Pato Branco, o ecossistema soma cerca de 365 empresas de tecnologia, 126 indústrias de software e 34 startups com alcance nacional e internacional, sustentadas por um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,782, entre os mais altos do Paraná. O Parque Tecnológico, aberto em 2016, abriga incubadoras, laboratórios de pesquisa e negócios voltados a software, hardware e agricultura digital.

Quais reconhecimentos colocam Pato Branco entre as cidades mais inteligentes do país?
São dois selos nacionais conquistados no mesmo ano. Em cerimônia realizada em Campinas, a Prefeitura recebeu o prêmio de segunda cidade mais inteligente do Brasil entre municípios de até 100 mil habitantes, concedido pela Associação Nacional das Cidades Inteligentes, Tecnológicas e Inovadoras (ANCITI), que avalia governança, empreendedorismo, educação, mobilidade e meio ambiente.
No mesmo período, conforme o Governo do Paraná, a cidade recebeu o Selo Ouro de Ecossistemas de Inovação do Connected Smart Cities, ao lado de Londrina, Maringá, Guarapuava e Ponta Grossa, com Curitiba na categoria Diamante. O portal da Plataforma CSC registra ainda a cidade em 15º lugar geral no Brasil e na primeira colocação nacional entre municípios de 50 a 100 mil habitantes, terceira no Sul atrás só de Florianópolis e da capital paranaense. É um movimento parecido com o de outro município que também nasceu ligado a patos e hoje lidera a governança pública no país.

Onde os moradores passam o fim de semana?
A cidade não tem praia nem serra, e compensa com um parque estadual dentro do perímetro urbano, praças que funcionam como sala de estar coletiva e uma quadra de futsal com currículo internacional. Confira abaixo os pontos que valem a parada:
- Parque do Alvorecer: nome popular do Parque Estadual Vitório Piassa, com 107 hectares de Floresta com Araucária, dois lagos, decks, trilhas e ciclovia.
- Praça Presidente Vargas: cartão-postal ao lado da matriz, concentra feiras, apresentações e a decoração natalina que atrai visitantes da região inteira.
- Largo da Liberdade: estrutura de convivência com campo, playground e academia ao ar livre, usada como ponto de encontro no fim de tarde.
- Arena Cláudio Petrycoski: casa do Pato Futsal, clube fundado em 2010 que a Liga Nacional de Futsal registrou como quinta melhor equipe do mundo na eleição do Futsal Planet.
- Museu Histórico José Zanella: acervo de documentos, fotos e objetos que reconstrói a trajetória do município desde o povoado do telégrafo.
Quem busca qualidade de vida e inovação vai curtir esse vídeo do canal Cidades do Interior, com mais de 19 mil inscritos, sobre a estrutura e a tecnologia de Pato Branco:
Como é o clima de Pato Branco durante o ano?
A altitude deixa o inverno mais rigoroso do que se espera de uma cidade no interior do Sul, com geadas frequentes entre junho e agosto. A chuva se distribui bem ao longo dos meses, sem estação seca definida. Veja abaixo o que esperar de cada período:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Conheça a cidade que virou referência de inovação no interior do Sul
Pato Branco entrega o que muita capital ainda promete: universidade federal de peso, emprego qualificado em tecnologia, mata de araucária a poucos minutos do centro e ruas que aparecem com frequência nos elogios de quem mora ali. O nome arranca sorriso, mas os indicadores explicam por que a cidade cresce sem perder o ritmo de interior.
Você precisa subir até os 760 metros do sudoeste paranaense e conhecer a cidade que um pato selvagem batizou e uma universidade transformou.
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