Areia branca que não esquenta os pés e até 36 mil lagoas de água doce: o maior campo de dunas da América do Sul fica no litoral do Maranhão
A areia branca e as águas transparentes criam uma paisagem diferente no litoral
Poucas paisagens do planeta mudam de forma a cada ano como um mar de areia que recebe chuva de clima tropical. Nos Lençóis Maranhenses, no litoral do Maranhão, o vento empurra as dunas e a água da chuva enche os vales entre elas, criando lagoas azuis e verdes que nunca reaparecem exatamente no mesmo lugar nem com o mesmo desenho.
Como se formam as lagoas entre as dunas?
Tudo começa com a chuva. Entre janeiro e junho, a água que cai do céu e o lençol freático que sobe sob a areia preenchem as depressões entre as dunas, e mais de 36 mil lagoas podem se formar ao mesmo tempo, segundo a exposição sobre o parque publicada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). No auge da cheia, algumas chegam a 5 metros de profundidade.
A escala ajuda a entender o espanto de quem chega. A área protegida soma 155 mil hectares, quase o tamanho da cidade de São Paulo, e abriga o maior campo de dunas da América do Sul. Vistas do alto, as ondulações de areia lembram lençóis amassados, imagem que deu nome à região, e algumas cadeias de dunas em formato de meia-lua, as barcanas, chegam a 75 km de extensão.

Os números que explicam por que a paisagem nunca é a mesma completam esse retrato:
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Quais cidades e vilas dão acesso aos Lençóis Maranhenses?
Cinco municípios levam ao parque, e dois concentram a maior parte dos visitantes. Barreirinhas, a 257 km de São Luís e com mais de 65 mil moradores, tem a melhor estrutura de hotéis, restaurantes e agências, enquanto Santo Amaro do Maranhão, a 240 km da capital, fica a cerca de 20 minutos das dunas e vive da pesca e do turismo. Humberto de Campos, Primeira Cruz e Paulino Neves completam o mapa de acessos.
Entre as vilas, Atins se destaca por ficar espremida entre o mar e o Rio Preguiças, onde o voo dos guarás tinge o fim de tarde de vermelho. Desde 2024, o conjunto de dunas e lagoas figura entre os sítios naturais reconhecidos como Patrimônio Mundial, conforme anúncio do Governo Federal.

O que fazer entre dunas, rios e vilas de pescadores
Cada cidade-base abre caminho para um conjunto diferente de lagoas, e muitas das mais bonitas nem têm nome. Os passeios clássicos misturam subidas na areia, banhos de água doce e pôr do sol no alto das dunas.
Lagoas e passeios por cidade-base
Quem divide a viagem entre duas ou três bases encontra experiências bem distintas:
- Circuito Lagoa Bonita: saindo de Barreirinhas, começa com uma subida íngreme apoiada por corda e termina num ponto alto de onde se avistam dezenas de lagoas.
- Circuito Lagoa Azul: o roteiro mais famoso de Barreirinhas, com lagoas de tons intensos e paradas para banho ao longo do trajeto.
- Lagoa das Emendadas: em Santo Amaro, só se chega a pé, numa caminhada de cerca de quatro horas entre ida, volta e mergulhos.
- Lagoas da Gaivota e da Andorinha: as mais próximas de Santo Amaro, com o carro parando quase na beira da água.
- Rio Preguiças de lancha: passa por Vassouras, onde macacos curiosos recebem os visitantes, pelo farol de Mandacaru e pela praia do Caburé, faixa de areia entre o rio e o oceano.
- Canto de Atins: praia tranquila famosa pelo camarão grelhado servido em restaurantes de família, perto de lagoas acessíveis a pé.
As dunas e as lagoas que formam a paisagem dos Lençóis Maranhenses aparecem neste vídeo do canal Rolê Família, que apresenta passeios e lugares para conhecer nesse destino do litoral maranhense:
Como chegar e se deslocar até as lagoas?
A porta de entrada é o aeroporto de São Luís, e de lá a viagem até Barreirinhas leva cerca de quatro horas por estrada asfaltada, de carro, van ou ônibus. Santo Amaro fica a 100 km de Barreirinhas, e Atins pode ser alcançada de lancha pelo rio, segundo o guia do Melhores Destinos.
Dentro do parque, só circulam caminhonetes 4×4 credenciadas, as jardineiras, com bancos adaptados na carroceria. A partir de Barreirinhas, o sacolejo pela areia pode durar uma hora, enquanto em Santo Amaro os trajetos são mais curtos. Não há sombra nem pontos de venda entre as dunas, então chapéu, roupa com proteção solar e água fazem diferença, e a areia branca, que não esquenta mesmo sob sol forte, permite caminhar descalço. A paisagem encontrada ao fim do trajeto, porém, depende de quanto choveu nos meses anteriores.
Qual é a melhor época para visitar os Lençóis Maranhenses?
As chuvas se concentram de janeiro a junho, e a combinação de sol firme com lagoas cheias costuma aparecer de junho a agosto, de acordo com as dicas do Melhores Destinos. A partir de setembro, o nível da água cai, mas as lagoas maiores de Santo Amaro resistem até outubro, e entre novembro e janeiro fica bem mais difícil vê-las cheias.
Lençóis Maranhenses em cada estação
Cada período do ano traz temperaturas e volumes de chuva bem diferentes na região:
Faixas baseadas nas médias climatológicas de 30 anos de Barreirinhas, principal cidade-base da região, publicadas pelo Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte o Climatempo.
Uma paisagem que se refaz a cada chuva
Nos Lençóis Maranhenses, o visitante não encontra um cenário pronto, e sim um desenho que o vento e a água refazem todos os anos. A lagoa que encantou alguém numa temporada pode sumir na seguinte, e outra, ainda sem nome, ocupar o seu lugar entre as dunas.
Você precisa ver essas lagoas de perto pelo menos uma vez, de preferência subindo uma duna no fim da tarde e deixando a próxima descoberta por conta do vento.
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