Alemães chegaram em 1826, japoneses em 1966: a Cidade das Flores gaúcha onde casas enxaimel e uma colônia nipônica dividem o mesmo vale
A imigração alemã e japonesa deixou marcas na cultura e na história do município
Em poucos lugares do Brasil duas imigrações tão distantes se encontram na mesma rua. Ivoti, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, guarda casas de vigas cruzadas erguidas por colonos alemães e, a poucos minutos dali, uma comunidade japonesa que chegou há 60 anos e ajudou a desenhar a cidade de hoje.
Como alemães e japoneses formaram a mesma cidade?
A primeira camada é alemã. O núcleo da Feitoria Nova, primeiro assentamento do futuro município, surgiu em 1826, dois anos depois da chegada dos imigrantes a São Leopoldo. As famílias abriram lavouras na encosta, construíram casas em enxaimel, técnica em que uma trama de madeira aparente sustenta paredes de tijolo ou barro, e fizeram do lugar uma típica vila colonial.
O segundo capítulo começou logo depois da emancipação, em 1964. A partir de 1966, a cidade recebeu 26 famílias de imigrantes japoneses, como registra estudo publicado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Com apoio de uma agência de colonização japonesa, o grupo comprou 120 hectares de terra no Vale das Palmeiras, segundo pesquisa da revista Humanidades e Inovação, e passou a cultivar a terra ao lado dos descendentes de alemães.

Alguns números ajudam a enxergar a cidade que nasceu desse encontro:
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O que faz da Feitoria Nova um bairro vivo, e não só um cenário antigo?
As casas enxaimel continuam em uso. No núcleo, a Casa Amarela funciona como café e restaurante, a Casa do Artesão reúne peças locais e a Casa da Cultura abriga o setor de turismo da cidade, de acordo com o guia Viagens e Caminhos.
O caminho até lá passa pela Ponte do Imperador, erguida em pedra entre 1857 e 1864 sobre o Arroio Feitoria, com recursos enviados por Dom Pedro II. Atravessá-la a pé, com as casas coloridas surgindo do outro lado, é o jeito mais bonito de entrar na história da cidade.

Onde a herança japonesa aparece no dia a dia de Ivoti?
No bairro Palmares, a Rua Sakura já anuncia a mudança de paisagem. Ali fica o Memorial da Colônia Japonesa, prédio de arquitetura nipônica que conta a trajetória das famílias chegadas em 1966, com objetos e documentos ligados às famílias pioneiras.
A presença japonesa vai além do memorial. Ela aparece na produção agrícola do vale e na convivência cotidiana entre sobrenomes alemães e japoneses, que transformou uma pequena cidade colonial em um exemplo raro de encontro entre culturas.
Roteiro entre o núcleo enxaimel e o Vale das Palmeiras
Entre a herança alemã e a japonesa, alguns lugares resumem a experiência na Cidade das Flores, como a Prefeitura de Ivoti apresenta o município:
- Núcleo de Casas Enxaimel: conjunto de casas de vigas aparentes na Feitoria Nova, com café, artesanato e espaço para eventos.
- Casa Amarela: construção eclética de 1907 que serve almoço de quarta a domingo e café colonial aos sábados e domingos.
- Ponte do Imperador: travessia de pedra do século XIX que liga o centro ao núcleo histórico.
- Museu Cláudio Oscar Becker: instalado em uma das casas enxaimel, mostra o cotidiano dos primeiros colonos alemães.
- Memorial da Colônia Japonesa: a história da imigração japonesa contada pelas próprias famílias, no bairro Palmares.
- Rua Sakura: endereço que marca a presença nipônica e um bom ponto para começar o passeio pelo lado japonês da cidade.
As histórias e as tradições alemãs e japonesas de Ivoti aparecem neste vídeo, que apresenta aspectos da formação cultural e da identidade dessa cidade do interior gaúcho:
Como planejar a visita entre a Feitoria Nova e o bairro japonês?
O ideal é dividir o dia em dois momentos. Pela manhã, o centro e a colônia japonesa; à tarde, a Ponte do Imperador e o núcleo enxaimel, que ganha movimento nos fins de semana. Os cafés e o museu do núcleo têm horários próprios, concentrados nos fins de semana, por isso vale conferir antes de sair.
Como as atrações ficam em bairros diferentes, o carro facilita o roteiro, embora o trecho entre a ponte e o núcleo seja feito melhor a pé. A cidade tem chuva bem distribuída ao longo do ano, então guarda-chuva e calçado confortável ajudam em qualquer estação.
Qual é a melhor época para visitar Ivoti?
Ivoti pode ser visitada o ano inteiro, mas outono e primavera trazem temperaturas mais amenas para caminhar entre o núcleo e os jardins da cidade. O verão é quente, com tardes que chegam a 28°C, enquanto o inverno tem madrugadas frias, ótimas para o café colonial.
Ivoti em cada estação
Cada período do ano traz temperaturas e volumes de chuva bem diferentes:
Faixas baseadas nas médias climatológicas de 30 anos do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte a previsão do tempo para Ivoti.
Uma cidade feita de dois sotaques
Ivoti não precisou escolher entre a Alemanha e o Japão. Os colonos de 1826 deixaram as casas de vigas cruzadas; as famílias de 1966 trouxeram outra forma de cultivar a terra e celebrar a vida em comunidade.
Você precisa conhecer Ivoti e atravessar a Ponte do Imperador para descobrir como duas culturas tão distantes aprenderam a dividir o mesmo vale.
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