A vila mineira onde OVNIs são avistados há 40 anos e grutas guardam lendas de 300 anos
40 anos de avistamentos de OVNIs e grutas com lendas de 300 anos
No alto da Serra da Mantiqueira, a 1.440 metros de altitude, São Thomé das Letras brota inteira em pedra. As ruas, as casas e os muros nascem do mesmo quartzito branco que forma a montanha sob a vila, palco de avistamentos de OVNIs desde os anos 1980 e de lendas que atravessam três séculos.
O que faz dessa vila uma das mais místicas do Brasil?
A fama mística nasce da geologia. A vila se ergue sobre um imenso depósito de quartzito do neoproterozoico, mineral associado por correntes esotéricas à condução de energia. Desde os anos 1980, grupos espiritualistas listam o lugar como um dos sete pontos energéticos da Terra.
A lenda fundadora é igualmente improvável. No fim do século XVIII, o escravizado João Antão fugiu da fazenda do capitão João Francisco Junqueira e se refugiou em uma gruta no topo da serra. Segundo a tradição oral preservada pela Prefeitura de São Thomé das Letras, um homem de vestes brancas teria entregado a João Antão uma carta com caligrafia perfeita, destinada ao seu senhor. O escravizado, analfabeto, recebeu a alforria, e o capitão mandou erguer uma capela ao lado da gruta. Ao redor dela, nasceu o povoado.

Vale a pena viver na cidade de Pedra do Sul de Minas?
Vale para quem busca silêncio, altitude e ritmo desacelerado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tem 7.107 habitantes em 369,75 km², com densidade de apenas 18,67 hab/km², bem abaixo da média mineira.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal é de 0,667, considerado médio pelo IBGE. A escolarização entre 6 e 14 anos é de 99,73%, e a taxa de cobertura de drenagem urbana chega a 100%, segundo levantamento do Instituto Água e Saneamento. A economia gira em torno da extração da pedra São Tomé e do turismo, com mais de 1,5 mil empregos formais.

Reconhecimento nacional e internacional
O patrimônio da vila tem dois selos oficiais. O Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Centro Histórico foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG) em 1996, e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída em pedra seca sem argamassa, foi tombada individualmente em 1985.
Em 2024, o quartzito da região recebeu o registro de Indicação Geográfica pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), reconhecendo a origem e a qualidade da pedra exportada para a Europa, os Estados Unidos e a Ásia. A vila integra o roteiro turístico oficial da Estrada Real, segundo o portal Minas Gerais Turismo.
O que fazer e onde comer em São Thomé das Letras?
O roteiro mistura mirantes a 1.400 metros, grutas com inscrições rupestres e mais de 30 cachoeiras espalhadas pela serra. Os pontos imperdíveis ficam entre o centro histórico e estradas de terra acessíveis de carro:
- Gruta de São Thomé: cavidade onde a lenda fundadora nasceu, no centro da vila, com inscrições rupestres na entrada e visitação gratuita.
- Casa da Pirâmide: construção de quartzito dos anos 1980 erguida pelo morador Cezar Augusto Bezane, com janelas que oferecem visão de 360 graus e o pôr do sol mais disputado da serra.
- Igreja de Nossa Senhora do Rosário: templo do século XVIII feito em pedra seca, sem uma única gota de argamassa, e tombada pelo IEPHA-MG.
- Cachoeira da Lua: queda no alto da Serra do Gavião, sobre quartzito rosa, cercada por pinturas rupestres com datação estimada em 6 mil anos.
- Vale das Borboletas: cortina d’água de 10 metros entre samambaias, com revoada de borboletas em janeiro.
- Parque Municipal Antônio Rosa: reúne Pirâmide, Cruzeiro, Pedra da Bruxa e Toca do Leão em uma área de preservação no ponto mais alto da vila.
A gastronomia une raízes mineiras a influências da comunidade alternativa que se fixou na serra desde os anos 1980, com pratos servidos em mesas de pedra:
- Picanha na pedra: especialidade dos restaurantes do centro, servida em laje de quartzito aquecida ao ponto que cada visitante prefere.
- Tutu de feijão: clássico mineiro com farinha de mandioca, carne de porco e couve refogada, servido em quase todos os bufês locais.
- Chapati: pão indiano herdado do circuito alternativo, vendido em bares e barracas da Praça Nossa Senhora do Rosário.
- Pizza em forno a lenha: vários fornos funcionam à noite no centro histórico, com massas artesanais e queijos da região.
Quem busca um roteiro de 4 dias em São Thomé das Letras, Minas Gerais, vai curtir esse vídeo do canal Rolê Família, onde o apresentador mostra o que fazer na cidade mística:
Qual o clima de São Thomé das Letras e quando ir?
A altitude garante noites frescas o ano inteiro, com mínimas que podem cair abaixo de 5°C no inverno. A temporada seca, entre maio e setembro, oferece céu aberto para trilhas, grutas e observação de estrelas, enquanto o verão traz cachoeiras com volume cheio.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à vila no topo da Serra da Mantiqueira?
São Thomé das Letras fica a 346 km de Belo Horizonte e a 350 km de São Paulo. O acesso mais comum é pela BR-381 até Três Corações, seguindo pela MG-868 em direção à serra, com trecho final de estrada de terra em bom estado.
Há linhas regulares de ônibus partindo de Três Corações e Caxambu. Os aeroportos mais próximos ficam em Varginha e Pouso Alegre, ambos a cerca de 110 km da vila.
Conheça a cidade que se construiu de pedra e mistério
São Thomé das Letras une quartzito milenar, lendas coloniais e um céu estrelado como poucos lugares do Brasil oferecem. Cada rua de pedra carrega uma camada de tempo, e cada gruta guarda uma história que ninguém terminou de contar.
Você precisa subir a serra e conhecer São Thomé das Letras para sentir o silêncio das alturas e entender por que tanta gente jura ter visto luzes no céu da Mantiqueira.
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