A cidade que virou metrópole no meio do sertão cearense e hoje concentra o maior centro universitário do interior do estado
Universidades atraem estudantes de diferentes pontos do Nordeste
Cidades grandes costumam nascer no litoral ou perto de uma capital. Juazeiro do Norte, a mais de 500 km de Fortaleza, cresceu na direção oposta, ao pé de uma chapada, e virou o centro urbano mais importante do interior do Ceará, com aeroporto próprio e influência sobre quatro estados vizinhos.
Como uma cidade do sertão virou metrópole regional?
Pela posição. Distante das capitais do Nordeste e mais ou menos equidistante de várias delas, a cidade se tornou o ponto de convergência de quem precisa de comércio, estudo ou atendimento médico sem viajar até o litoral. Segundo a Aena Brasil, que administra o aeroporto local, Juazeiro é o município mais desenvolvido da Região Metropolitana do Cariri e o maior centro universitário do interior cearense.
Essa região metropolitana reúne nove municípios em 5.456 km², e três deles, Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha, cresceram até se encostarem, formando a mancha urbana conhecida como Crajubar. O Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes ocupa um terreno de mais de um milhão de metros quadrados e atende passageiros do sul do Ceará, do sertão de Pernambuco, do oeste da Paraíba e do Piauí.

O que a economia local produz além do comércio
Calçado, e em escala nacional. A região do Cariri é considerada o terceiro maior centro da indústria calçadista do Brasil, atrás apenas de Franca, no interior paulista, e de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, conforme a mesma Aena Brasil. A produção se concentra em sandálias e chinelos que abastecem lojas de todo o país.
A cidade também funciona como o maior centro atacadista e varejista do interior do estado, e reúne serviços médicos de alta complexidade que atendem moradores de municípios distantes centenas de quilômetros. Professores e pesquisadores chegam pelo aeroporto atraídos pela Universidade Regional do Cariri (URCA) e pelos estudos com os fósseis da região.

O que a Chapada do Araripe guarda a poucos quilômetros do centro?
Um dos maiores depósitos de fósseis do Cretáceo do mundo. A serra que fecha o horizonte ao sul da cidade preserva registros de plantas e animais com idades entre 150 e 90 milhões de anos, em um estado de conservação que atrai pesquisadores estrangeiros há décadas.
Todo esse território integra o Geopark Araripe, reconhecido em 2006 como o primeiro geoparque das Américas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). De acordo com o Ministério do Turismo, são nove geossítios distribuídos por seis municípios do sul cearense, um deles dentro da zona urbana de Juazeiro do Norte, em um monumento geológico de 650 milhões de anos.
Quem deseja vivenciar a fé no Ceará, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 1 milhão de visualizações, onde Matheus Boa Sorte mostra a devoção e a história de Juazeiro do Norte:
Como é o clima de Juazeiro do Norte ao longo do ano?
O calor manda o ano inteiro, e a diferença está na chuva. O primeiro semestre concentra praticamente todo o volume, enquanto o segundo passa meses com médias de poucos milímetros.
As médias podem variar bastante de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña. Vale conferir a previsão atualizada no Climatempo.
A metrópole que o sertão construiu sozinha
Juazeiro do Norte cresceu longe de qualquer capital e montou por conta própria a estrutura que o interior não costuma ter: universidade, aeroporto, hospitais de referência e um parque industrial que exporta calçado para o país inteiro. Tudo isso encostado em uma chapada que guarda fósseis mais antigos que o próprio Atlântico.
Você precisa subir a Chapada do Araripe pela manhã e voltar para o centro à tarde para entender como duas escalas de tempo tão diferentes cabem na mesma cidade.
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