A cidade que desceu ao subsolo e encontrou sua identidade com a única mina de carvão visitável da América Latina

20.04.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista

A cidade que desceu ao subsolo e encontrou sua identidade com a única mina de carvão visitável da América Latina

avatar
Redação O Antagonista
6 minutos de leitura 22.02.2026 13:29 comentários
Turismo

A cidade que desceu ao subsolo e encontrou sua identidade com a única mina de carvão visitável da América Latina

Essa cidade se reinventou com a única mina de carvão visitável do continente

avatar
Redação O Antagonista
6 minutos de leitura 22.02.2026 13:29 comentários 0
A cidade que desceu ao subsolo e encontrou sua identidade com a única mina de carvão visitável da América Latina
Criciúma destaca-se como a cidade que desceu ao subsolo para consolidar sua identidade (imagem ilustrativa)

O cheiro de terra úmida e o som metálico de uma locomotiva ecoam nas galerias a metros abaixo do asfalto em Criciúma, no sul de Santa Catarina.

A maior cidade do Sul Catarinense nasceu em cima de carvão, cresceu pelas mãos de sete etnias diferentes e hoje transforma antigas cicatrizes da mineração em parques onde famílias passeiam aos domingos.

Sete povos e um capim que virou nome de cidade

A história começa em 6 de janeiro de 1880, quando 22 famílias vindas do norte da Itália abriram picada pela mata até encontrar um rio cercado por um capim alto que os indígenas chamavam de Kyruy-Syiuâ. Os colonos batizaram o lugar de Cresciuma, em referência à planta. O nome só mudou oficialmente em 1948, por meio da lei estadual nº 247.

Depois dos italianos, chegaram alemães, poloneses, portugueses, espanhóis, africanos e árabes. Essas sete etnias moldaram o sotaque, a culinária e até o calendário da Capital do Carvão. Em 1925, o município se emancipou de Araranguá e, nas décadas seguintes, a descoberta de vastas reservas de carvão mineral acelerou a urbanização e rendeu à cidade o título de Capital Brasileira do Carvão e do Revestimento Cerâmico.

Criciúma une a força da indústria carbonífera à única mina de carvão visitável da América Latina // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

O que existe 300 metros abaixo das ruas da Capital do Carvão?

A Mina de Visitação Octávio Fontana é a única mina de carvão aberta ao público na América Latina e uma das quatro no mundo. Inaugurada em 2011 no terreno da antiga Mina São Simão, que operou até 1994, ela ocupa 15 mil m² no bairro Naspolini. Os visitantes embarcam na locomotiva Arlei Cardoso, réplica de um modelo alemão da década de 1920, e percorrem 300 metros de galerias onde oito estações narram a rotina dos mineiros que desciam ao subsolo em busca do chamado “ouro negro”. Em 2024, o local recebeu mais de 19 mil visitantes.

Qualidade de vida entre parques e uma economia que se reinventou

Com cerca de 227 mil habitantes e um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,788, Criciúma figura entre os cem municípios mais bem avaliados do país. O PIB ultrapassa R$ 8 bilhões, sustentado por uma indústria diversificada que vai da cerâmica à moda e aos plásticos. A Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) funciona como motor de pesquisa e qualificação na região.

O planejamento urbano recente transformou áreas degradadas pela mineração em espaços verdes. O Parque das Nações Cincinato Naspolini, inaugurado em 2011 no bairro Próspera, reúne 109 mil m² com ciclovia, quadras, academia ao ar livre e a locomotiva Terezinha 01, que percorre 800 metros do parque em sete minutos. O espaço recebe cerca de dez mil pessoas por semana e funciona como ponto de encontro da cidade.

Criciúma oferece uma imersão histórica e educativa nas profundezas da terra catarinense // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

O que fazer além das minas na maior cidade do Sul Catarinense?

A Capital do Carvão oferece atrações que vão da história à vida ao ar livre. Algumas ficam a poucos minutos do centro.

  • Museu Augusto Casagrande: casarão do século XIX que preserva a memória da colonização italiana e objetos das famílias fundadoras.
  • Praça Nereu Ramos: coração do centro, com a Catedral São José ao lado e o Brique do Calçadão aos sábados pela manhã.
  • Parque Ecológico José Milanese: área verde com trilhas entre remanescentes de Mata Atlântica.
  • Teatro Municipal Elias Angeloni: única sala de espetáculos do sul do estado, dentro do Parque Centenário.
  • Estádio Heriberto Hülse: casa do Criciúma Esporte Clube, o Tigre, único time catarinense campeão da Copa do Brasil (1991, com campanha invicta sob o comando de Felipão).

Quem explora SC, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Sincero SC, que conta com mais de 110 mil visualizações, onde o narrador mostra as oportunidades e a bela cidade de Criciúma:

Quando visitar a cidade que nasceu sobre carvão?

O clima subtropical garante estações bem definidas. O verão é quente e úmido, com tardes que passam dos 30 °C. O inverno traz manhãs frias, mas raramente chega a temperaturas extremas. A tabela abaixo ajuda a planejar a viagem.

☀️ Verão
Dezembro – Fevereiro
20°C a 32°C
💧 Chuva alta
O clima quente e úmido domina a região. Aproveite as tardes para curtir os parques e as praias próximas.
🍂 Outono
Março – Maio
15°C a 26°C
☁️ Chuva média
A temperatura começa a ficar mais amena, tornando-se uma ótima fase para explorar a Mina e os museus.
❄️ Inverno
Junho – Agosto
10°C a 20°C
🌤️ Chuva baixa
O inverno traz manhãs frias, mas as tardes são agradáveis. Perfeito para prestigiar a gastronomia e o teatro local.
🌸 Primavera
Setembro – Novembro
14°C a 27°C
☁️ Chuva média
Os dias ficam mais longos e coloridos. Aproveite o clima favorável para a famosa Festa das Etnias e trilhas.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.

Como chegar à Capital do Carvão?

Criciúma fica a 192 km de Florianópolis pela BR-101, cerca de 2h30 de carro. Ônibus partem da rodoviária da capital catarinense com frequência ao longo do dia. O Aeroporto Diomício Freitas, em Forquilhinha, fica a 15 km do centro e opera voos regionais. Para quem vem do Rio Grande do Sul, a divisa estadual está a 90 km ao sul pela mesma BR-101.

Leia também: A cidade mais alta do Brasil: uma Suíça Brasileira onde o frio e a arquitetura europeia a mais de 1.600 metros atraem visitantes o ano inteiro

Uma cidade que vale a descida ao subsolo

Criciúma carrega no nome a marca de um capim tupi e no subsolo a memória de quem sustentou famílias inteiras no escuro das galerias. Na superfície, a cidade trocou a fuligem por parques, diversificou a economia e preserva na mesa e nas festas a herança de sete povos que resolveram ficar.

Você precisa descer os 300 metros da Mina Octávio Fontana e depois subir ao Parque das Nações para entender como Criciúma transformou carvão em orgulho.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

“Desequilíbrio vaidoso e agressivo” de Gilmar “não é hipótese, é fato”, diz Vieira

Visualizar notícia
2

Gilmar quer Zema no inquérito das fake news

Visualizar notícia
3

Maquiador de Michelle sobre Flávio: “Esse estereótipo nunca chegou à Presidência”

Visualizar notícia
4

Gilmar diz não ver crise no STF: “Não concordo com colegas nessa visão”

Visualizar notícia
5

Diálogos de Vorcaro indicam socorro do BRB ao Master antes de negociação

Visualizar notícia
6

“Não temos planos para a próxima rodada de negociações”, diz Irã

Visualizar notícia
7

Trump anuncia captura de cargueiro iraniano

Visualizar notícia
8

Forças Armadas repassaram R$ 137 milhões ao Banco Master via consignados

Visualizar notícia
9

Caiado defende Kassab como vice e articula chapa do PSD para 2026

Visualizar notícia
10

Seif minimiza brigas no PL e fala em união de “nicoletes, micheletes e Bolsonaro raiz”

Visualizar notícia
1

“Desequilíbrio vaidoso e agressivo” de Gilmar “não é hipótese, é fato”, diz Vieira

Visualizar notícia
2

Seif admite falta de votos para barrar Messias no STF

Visualizar notícia
3

Gilmar quer Zema no inquérito das fake news

Visualizar notícia
4

"Taxação do Pix é ideia do Bolsonaro", diz Haddad

Visualizar notícia
5

Turistas ficam 'ilhados' em morro em meio a operação contra traficantes no RJ

Visualizar notícia
6

Crusoé: O aperto de mãos da discórdia de Carlos Bolsonaro

Visualizar notícia
7

Entenda por que detesto e não leio textos de IA

Visualizar notícia
8

Marinho aponta “jurisprudência de exceção” de Flávio Dino no STF

Visualizar notícia
9

"Sinal de que a carapuça serviu", diz Zema sobre Gilmar

Visualizar notícia
10

Fim da escala 6x1: CCJ da Câmara deve votar PEC nesta semana

Visualizar notícia
1

Dino propõe “Nova Reforma do Judiciário” que mal toca no STF

Visualizar notícia
2

Crusoé: PT do Rio declara apoio a Eduardo Paes

Visualizar notícia
3

5 filmes baseados em livros que você precisa assistir

Visualizar notícia
4

Empresário alega “ação judicial truculenta” de Moraes e nega acesso a dados de ministros

Visualizar notícia
5

PGR e AGU rejeitaram ação contra delações desengavetada por Moraes

Visualizar notícia
6

Descubra qual destino brasileiro combina com cada signo do zodíaco

Visualizar notícia
7

Energia por assinatura: o condomínio deixou de pagar conta e passou a financiar o futuro

Visualizar notícia
8

O condomínio que aprendeu a premiar quem sustenta o próprio prédio

Visualizar notícia
9

Zema diz ter “mais um motivo” para levar pré-candidatura “até o final”

Visualizar notícia
10

Oposição manifesta “profunda preocupação” com pedido de Gilmar sobre Zema

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Cidades Criciúma Santa Catarina
< Notícia Anterior

Justiça suspende exclusão de post de Flávio Bolsonaro sobre PT

22.02.2026 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

O pesadelo Alexandre de Moraes

22.02.2026 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Redação O Antagonista

Suas redes

Instagram

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Icone casa

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.