A cidade que desceu ao subsolo e encontrou sua identidade com a única mina de carvão visitável da América Latina
Essa cidade se reinventou com a única mina de carvão visitável do continente
O cheiro de terra úmida e o som metálico de uma locomotiva ecoam nas galerias a metros abaixo do asfalto em Criciúma, no sul de Santa Catarina.
A maior cidade do Sul Catarinense nasceu em cima de carvão, cresceu pelas mãos de sete etnias diferentes e hoje transforma antigas cicatrizes da mineração em parques onde famílias passeiam aos domingos.
Sete povos e um capim que virou nome de cidade
A história começa em 6 de janeiro de 1880, quando 22 famílias vindas do norte da Itália abriram picada pela mata até encontrar um rio cercado por um capim alto que os indígenas chamavam de Kyruy-Syiuâ. Os colonos batizaram o lugar de Cresciuma, em referência à planta. O nome só mudou oficialmente em 1948, por meio da lei estadual nº 247.
Depois dos italianos, chegaram alemães, poloneses, portugueses, espanhóis, africanos e árabes. Essas sete etnias moldaram o sotaque, a culinária e até o calendário da Capital do Carvão. Em 1925, o município se emancipou de Araranguá e, nas décadas seguintes, a descoberta de vastas reservas de carvão mineral acelerou a urbanização e rendeu à cidade o título de Capital Brasileira do Carvão e do Revestimento Cerâmico.

O que existe 300 metros abaixo das ruas da Capital do Carvão?
A Mina de Visitação Octávio Fontana é a única mina de carvão aberta ao público na América Latina e uma das quatro no mundo. Inaugurada em 2011 no terreno da antiga Mina São Simão, que operou até 1994, ela ocupa 15 mil m² no bairro Naspolini. Os visitantes embarcam na locomotiva Arlei Cardoso, réplica de um modelo alemão da década de 1920, e percorrem 300 metros de galerias onde oito estações narram a rotina dos mineiros que desciam ao subsolo em busca do chamado “ouro negro”. Em 2024, o local recebeu mais de 19 mil visitantes.
Qualidade de vida entre parques e uma economia que se reinventou
Com cerca de 227 mil habitantes e um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,788, Criciúma figura entre os cem municípios mais bem avaliados do país. O PIB ultrapassa R$ 8 bilhões, sustentado por uma indústria diversificada que vai da cerâmica à moda e aos plásticos. A Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) funciona como motor de pesquisa e qualificação na região.
O planejamento urbano recente transformou áreas degradadas pela mineração em espaços verdes. O Parque das Nações Cincinato Naspolini, inaugurado em 2011 no bairro Próspera, reúne 109 mil m² com ciclovia, quadras, academia ao ar livre e a locomotiva Terezinha 01, que percorre 800 metros do parque em sete minutos. O espaço recebe cerca de dez mil pessoas por semana e funciona como ponto de encontro da cidade.

O que fazer além das minas na maior cidade do Sul Catarinense?
A Capital do Carvão oferece atrações que vão da história à vida ao ar livre. Algumas ficam a poucos minutos do centro.
- Museu Augusto Casagrande: casarão do século XIX que preserva a memória da colonização italiana e objetos das famílias fundadoras.
- Praça Nereu Ramos: coração do centro, com a Catedral São José ao lado e o Brique do Calçadão aos sábados pela manhã.
- Parque Ecológico José Milanese: área verde com trilhas entre remanescentes de Mata Atlântica.
- Teatro Municipal Elias Angeloni: única sala de espetáculos do sul do estado, dentro do Parque Centenário.
- Estádio Heriberto Hülse: casa do Criciúma Esporte Clube, o Tigre, único time catarinense campeão da Copa do Brasil (1991, com campanha invicta sob o comando de Felipão).
Quem explora SC, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Sincero SC, que conta com mais de 110 mil visualizações, onde o narrador mostra as oportunidades e a bela cidade de Criciúma:
Quando visitar a cidade que nasceu sobre carvão?
O clima subtropical garante estações bem definidas. O verão é quente e úmido, com tardes que passam dos 30 °C. O inverno traz manhãs frias, mas raramente chega a temperaturas extremas. A tabela abaixo ajuda a planejar a viagem.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.
Como chegar à Capital do Carvão?
Criciúma fica a 192 km de Florianópolis pela BR-101, cerca de 2h30 de carro. Ônibus partem da rodoviária da capital catarinense com frequência ao longo do dia. O Aeroporto Diomício Freitas, em Forquilhinha, fica a 15 km do centro e opera voos regionais. Para quem vem do Rio Grande do Sul, a divisa estadual está a 90 km ao sul pela mesma BR-101.
Uma cidade que vale a descida ao subsolo
Criciúma carrega no nome a marca de um capim tupi e no subsolo a memória de quem sustentou famílias inteiras no escuro das galerias. Na superfície, a cidade trocou a fuligem por parques, diversificou a economia e preserva na mesa e nas festas a herança de sete povos que resolveram ficar.
Você precisa descer os 300 metros da Mina Octávio Fontana e depois subir ao Parque das Nações para entender como Criciúma transformou carvão em orgulho.
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