A cidade paranaense com 100 cachoeiras gigantes que produz 12% do feijão-preto do Brasil e onde 80% da população é descendente de ucranianos
Maior produtora de feijão‑preto do Brasil e capital dos ucranianos
Em uma mesma esquina, a missa é rezada em ucraniano, a feira vende pêssankas pintadas à mão e a estrada leva a quedas d’água de até 196 metros. Prudentópolis, no centro-sul do Paraná, acumula quatro títulos ao mesmo tempo: Terra das Cachoeiras Gigantes, Capital do Feijão Preto, Capital da Oração e Ucrânia Brasileira.
Por que a cidade é chamada de Ucrânia Brasileira?
A resposta está no fim do século XIX, quando cerca de 1.500 famílias ucranianas foram trazidas ao Paraná em imigração incentivada pelo governo brasileiro. Elas se fixaram na região entre os rios São João, dos Patos e Ivaí, e ali ergueram comunidade, igrejas e escolas em seu idioma.
Hoje, segundo a Paraná Turismo, o município é o mais ucraniano do Brasil, com cerca de 80% da população descendente dos imigrantes. A cidade é irmã de Ternopil, no oeste da Ucrânia, e preserva o idioma no dia a dia, nas escolas e em missas de rito bizantino ucraniano. O artesanato mantém tradições como o bordado e as pêssankas, ovos de galinha e ganso pintados à mão.

A Terra das Cachoeiras Gigantes
A formação geográfica acidentada, com cânions profundos formados pelos rios São João, dos Patos e Ivaí, gerou a maior concentração de cachoeiras altas do sul do Brasil. Prudentópolis tem mais de 100 quedas d’água catalogadas, com altura variando entre 64 e 196 metros.
O Salto São Francisco, com 196 metros, é a queda mais alta da região sul e uma das maiores do país. Outras gigantes, como o Salto São João (84 metros) e o Salto Barão do Rio Branco (64 metros), integram o roteiro. As cachoeiras ficam em parques estaduais e propriedades privadas, todas a pelo menos 10 km do centro da cidade.
Quem sonha em ver as cachoeiras gigantes, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal TV Paraná Turismo, que conta com mais de 15 mil visualizações, onde a apresentadora explora as belezas naturais e a cultura ucraniana em Prudentópolis:
Como uma cidade virou a capital do feijão-preto?
Prudentópolis produz 40 das 350 mil toneladas anuais de feijão-preto do Brasil, o que representa 12% de todo o grão que vai para a mesa dos brasileiros, segundo a Secretaria de Turismo do Paraná, com base em dados da Secretaria da Agricultura e Abastecimento (SEAB). Isso faz do município o maior produtor nacional do grão.
A escala é celebrada todo mês de agosto na Festa Nacional do Feijão Preto (Fenafep), criada em 2010 e que já recebe mais de 60 mil visitantes por edição. No evento é preparada a maior feijoada do planeta, feita em uma panela que pesa mais de 50 toneladas e entrou no Livro Guinness dos Recordes. Em sua primeira edição, a feijoada alimentou 30 mil pessoas. O município também é grande produtor de mel e erva-mate.
O que fazer em Prudentópolis?
O roteiro combina natureza, espiritualidade e gastronomia eslava em até três dias. As principais atrações estão listadas abaixo.
Pontos turísticos imperdíveis:
- Salto São Francisco: 196 metros de altura, a queda mais alta do sul brasileiro, no cânion do rio do mesmo nome.
- Monumento Natural Salto São João: queda de 84 metros com centro de visitantes, anfiteatro e acesso gratuito, administrado pelo Instituto Água e Terra (IAT) do Paraná.
- Ninho do Corvo: Reserva Particular do Patrimônio Natural com 25 hectares, oito quedas d’água, tirolesas de 170 metros e rapel em cânion.
- Recanto Perehouski: área de lazer com três saltos de pequeno porte, camping e restaurante de comida ucraniana em meio à Mata Atlântica.
- Salto Barão do Rio Branco: 64 metros de altura no rio dos Patos, com escadaria de 478 degraus até a base.
- Igreja de São Josafat e Convento dos Freis Basilianos: arquitetura de rito bizantino ucraniano, celebrações em ucraniano e um dos símbolos da imigração eslava.
- Memorial Ucraniano: inaugurado em 1989, marca a chegada dos imigrantes no fim do século XIX.
Gastronomia local que vale a parada:
- Varéneke: pastel de massa recheado com batata e requeijão, repolho azedo ou feijão, servido com nata ou molho de galinha.
- Holupti: folha de repolho recheada com arroz, quirera e carne moída, semelhante ao charuto árabe.
- Cracóvia: embutido nobre de porco defumado, com receita criada pelo morador local Dionizio Opuchkevitch na década de 1960.
- Hrin: molho picante de raiz-forte com beterraba, acompanhamento tradicional de carne suína.
- Pêssanka: embora seja artesanato e não comida, costuma estar junto da mesa festiva da Páscoa ucraniana.
Quem quer descobrir as maravilhas da Ucrânia brasileira, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Localizando Check-in, que conta com mais de 4,1 mil visualizações, onde Érica e Lucas mostram as cachoeiras gigantes, a cultura e a culinária de Prudentópolis:
Qual a melhor época para visitar?
O clima subtropical de altitude, com a cidade a cerca de 840 metros, divide o ano entre verões quentes e chuvosos e invernos frescos e mais secos. O mês mais chuvoso é janeiro, com 178 mm de média. A tabela resume cada estação.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar em Prudentópolis?
A cidade fica a 205 km de Curitiba e a cerca de 100 km de Ponta Grossa. O acesso principal é pela BR-277 e pela BR-373, ambas em bom estado de conservação. O trajeto de carro desde a capital paranaense leva em média 3 horas. Não há aeroporto comercial no município, sendo os mais próximos os de Curitiba, Londrina e Foz do Iguaçu. A locomoção dentro do município exige carro próprio ou agência, já que as cachoeiras se espalham por estradas rurais.
Descubra a pequena Ucrânia do interior paranaense
Prudentópolis é o tipo de lugar que dificilmente cabe em uma só definição. É a cidade que tem o maior salto do sul, a maior feijoada do mundo e a maior comunidade ucraniana do Brasil, tudo dentro dos mesmos 2.240 km².
Você precisa conhecer Prudentópolis e sentir a força de uma cidade que guarda no mesmo endereço a tradição eslava, o grão preto da mesa brasileira e algumas das quedas d’água mais altas do país.
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