A cidade mineira que impressiona qualquer visitante
A serra domina a paisagem ao redor das ruas históricas
Em Minas Gerais, quase toda cidade histórica nasceu do ouro, mas poucas guardam esse passado com tanta franqueza. Catas Altas, a cerca de 120 km de Belo Horizonte, tem uma igreja barroca que mostra as próprias etapas de construção, um vinho artesanal protegido por decreto municipal e uma serra onde o lobo-guará aparece todas as noites.
O que torna a Matriz de Catas Altas diferente das outras igrejas barrocas?
O interior da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição nunca foi concluído, e é justamente isso que a torna única. Segundo a Prefeitura de Catas Altas, o templo pertence à segunda fase do barroco e permanece inacabado por dentro, o que permite ao visitante ver as etapas da construção e da policromia, a pintura em várias cores aplicada sobre a talha de madeira.
A obra começou em 1729, para substituir uma capela menor que registrou o primeiro batismo da vila em 1712. Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1939, a matriz funciona quase como uma aula aberta: em vez de ver apenas o resultado final, o visitante enxerga o processo que, nas outras igrejas, fica escondido sob o acabamento.

Do ciclo do ouro à emancipação recente, alguns marcos ajudam a contar a história da cidade:
Por que a cidade se chama Catas Altas?
O nome vem do garimpo. No vocabulário da mineração, catas eram as escavações abertas em busca de ouro, e as mais ricas da região ficavam no alto da serra. Quando o metal foi rareando nos leitos dos rios, os mineradores passaram a dizer que as catas estavam altas, e a expressão virou o nome do arraial, cuja fundação é atribuída a Domingos Borges, em 1703.
Um dos vestígios mais impressionantes desse período é o Bicame de Pedra, aqueduto construído em 1792 por escravizados para levar água da serra até a lavagem do ouro. Feito com blocos de quartzito encaixados sem cimento nem argamassa, ele mantém cerca de 200 metros de pé no povoado de Quebra Ossos. Curiosamente, Catas Altas só se tornou município em 1995, depois de pertencer a Santa Bárbara desde 1839.

Como o vinho de jabuticaba virou patrimônio de Catas Altas?
Em 2011, um decreto municipal registrou o modo artesanal de fazer o vinho de jabuticaba, ao lado do vinho de uva e dos licores, como bem imaterial da cidade. A tradição atravessa gerações de famílias produtoras e se tornou o principal símbolo da identidade local.
A celebração maior é a Festa do Vinho, criada em 2001. Conforme a programação oficial da prefeitura, a 25ª edição ocorreu em maio de 2026, com shows, o concurso gastronômico Saboreie com Jabuticaba e a premiação do melhor vinho de jabuticaba produzido na cidade.
O que fazer em Catas Altas e na Serra do Caraça?
O roteiro começa nas ruas de pedra do centro histórico e sobe para a Serra do Caraça, onde fica o Santuário do Caraça, reserva natural dividida entre Catas Altas e Santa Bárbara. Em um fim de semana, dá para combinar igrejas, aqueduto, cachoeiras e um encontro noturno com a fauna do Cerrado.
Barroco, cachoeiras e o lobo da serra
Alguns endereços concentram a melhor experiência para quem visita a cidade pela primeira vez:
- Santuário do Caraça: guarda a primeira igreja em estilo neogótico do Brasil, onde o lobo-guará sobe à noite até o adro para se alimentar diante dos hóspedes.
- Pico do Sol: com 2.072 metros, é o ponto mais alto da Serra do Espinhaço e exige trilha longa com guia.
- Cachoeiras do Caraça: Cascatinha, Cascatona, Bocaina e Belchior têm águas intensamente ferruginosas, segundo o portal de Turismo de Minas Gerais.
- Bicame de Pedra: opção fora do óbvio a cerca de 12 km do centro, com o aqueduto setecentista no meio da paisagem rural.
- Capela de Santa Quitéria: templo do século XVIII que integra o roteiro histórico ao lado da matriz.
- Centro histórico: ruas de pedra, casarões coloniais e o Chafariz de Pedra em frente à igreja matriz.
Quem quer explorar o patrimônio histórico de Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Num Pulo, que conta com mais de 140 mil visualizações, onde Paula e Daniel mostram o que fazer em Catas Altas:
Como é o clima de Catas Altas durante o ano?
Catas Altas tem verões muito chuvosos e invernos secos e frescos. Dezembro concentra cerca de 320 mm de chuva, enquanto julho registra apenas 11 mm, com madrugadas perto de 12°C.
Catas Altas em cada estação
Cada período do ano traz temperaturas e volumes de chuva bem diferentes:
Faixas baseadas na climatologia de 30 anos do Climatempo para Catas Altas. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte a previsão do tempo para Catas Altas.
Uma cidade que mostra o que ainda está por fazer
Catas Altas guarda o barroco mineiro em seu estado mais honesto, com a igreja aberta como um canteiro de obras do século XVIII. Ao redor, o vinho de jabuticaba, o aqueduto de pedra e a serra do Caraça completam um retrato raro de Minas em escala pequena.
Você precisa conhecer Catas Altas, provar o vinho de jabuticaba e esperar a noite cair no Caraça para ver o lobo-guará subir a escadaria da igreja.
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