A cidade de dois mil anos que reabriu sua catedral e devolveu o rio limpo para os moradores nadarem
Essa cidade reúne 130 museus, a catedral recém-restaurada e o rio onde se pode nadar de novo
Capital da França e cidade mais visitada da Europa, Paris combina monumentos de dois milênios, uma cena gastronômica que definiu o conceito de alta cozinha e um rio que, depois das Olimpíadas de 2024, voltou a ser balneável pela primeira vez em quase um século.
Da Lutécia romana à cidade que inventou a vida moderna
Paris nasceu como Lutécia, assentamento da tribo gaulesa dos Parísios na Île de la Cité, a ilha natural do Sena que até hoje abriga a Notre-Dame. Os romanos tomaram o povoado no século I a.C. e construíram termas e um anfiteatro cujas ruínas podem ser visitadas no Quartier Latin. A cidade cresceu ao redor da ilha durante a Idade Média e consolidou-se como capital intelectual da Europa com a fundação da Sorbonne em 1150.
A Paris que o mundo reconhece tomou forma entre os séculos XVII e XIX. Luís XIV ergueu Versalhes, a Revolução de 1789 derrubou a monarquia, e o barão Haussmann demoliu a cidade medieval para abrir os grandes bulevares e as perspectivas monumentais que definem a paisagem atual. A Torre Eiffel, construída em 1889 como estrutura temporária para a Exposição Universal, nunca foi desmontada.

O que percorrer entre a Île de la Cité e a Torre Eiffel
Paris tem 20 arrondissements dispostos em espiral a partir do centro. O visitante pode cruzar dois milênios de história em uma caminhada de poucos quilômetros.
- Catedral de Notre-Dame: reaberta em dezembro de 2024 após cinco anos de restauração desde o incêndio de 2019, a catedral gótica do século XII é o marco zero geográfico da França. A restauração devolveu brilho à pedra calcária e revelou vitrais encobertos por séculos de fuligem. As torres reabriram em setembro de 2025.
- Museu do Louvre: maior museu do mundo, abriga cerca de 38 mil obras. A Mona Lisa atrai multidões, mas é nos corredores menos concorridos, como a galeria onde está a Vênus de Milo, que o museu revela sua verdadeira dimensão.
- Torre Eiffel: os 324 metros de ferro pudelado continuam sendo o monumento pago mais visitado do planeta. Do terceiro andar, em dias claros, o horizonte se estende por 80 km. À noite, 20 mil lâmpadas cintilam a cada hora cheia.
- Museu d’Orsay: instalado em uma estação ferroviária de 1900, abriga a maior coleção impressionista do mundo. O relógio gigante da fachada, visto por dentro, emoldura o Sacré-Cœur ao fundo. Monet, Renoir, Van Gogh e Cézanne ocupam o quinto andar, banhado pela luz do teto de vidro.
- Sacré-Cœur e Montmartre: a basílica de cúpulas brancas no topo de Montmartre é o ponto mais alto de Paris depois da torre. O bairro preserva o clima de vilarejo que atraiu Picasso e Modigliani no início do século XX. As escadarias funcionam como arquibancada natural para o pôr do sol.
- Le Marais e Place des Vosges: o bairro que escapou das demolições de Haussmann conserva mansões do século XVII que abrigam museus como o Carnavalet (história de Paris, entrada gratuita). A Place des Vosges, de 1612, é a praça mais antiga da cidade.
- Praias do Sena: em 2025, três áreas de banho público foram inauguradas no rio (Bras Marie, Bras de Grenelle e Quai de Bercy), legado da despoluição feita para as Olimpíadas. Os parisienses podem nadar no Sena pela primeira vez desde 1923.
Quem planeja viajar para a Europa, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Casal Alencar, que conta com mais de 152 mil inscritos, onde Bruna e Adriano mostram um roteiro completo de 4 dias em Paris:
Os sabores que transformaram comer em forma de arte
A gastronomia francesa foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2010. O conceito de “restaurante” nasceu em Paris no final do século XVIII, quando cozinheiros da aristocracia destronada abriram estabelecimentos para o público. Hoje a cidade tem mais de 40 mil restaurantes.
- Croissant: massa folhada com manteiga, dobrada em 27 camadas, herança austríaca adaptada por padeiros parisienses no século XIX. Todo ano a cidade elege a melhor baguete de Paris, cujo padeiro fornece pão ao Palácio do Eliseu durante um ano.
- Coq au vin: galo cozido lentamente em vinho tinto com cogumelos, cebolas pérola e ervas. Aparece em receituários franceses desde o século XVI e é exemplo da cozinha camponesa que virou clássico nacional.
- Croque-monsieur: sanduíche quente de presunto e Gruyère gratinado com béchamel, criado em 1910 num café do Boulevard des Capucines. Com ovo frito por cima, vira croque-madame.
- Steak-frites: bife grelhado com batatas fritas cortadas à mão, o prato mais pedido nos bistrôs. A fritura dupla que garante o exterior crocante foi sistematizada na França e exportada para o mundo.
- Macaron: duas metades de merengue de amêndoas unidas por ganache, famosos a partir da Maison Ladurée, que os produz desde 1862. A textura ideal depende de um descanso de 24 horas após o recheio.

Quando cada estação pinta a cidade de uma cor diferente
Paris tem clima oceânico temperado com quatro estações bem definidas. Nenhuma delas é ruim o bastante para impedir um passeio.
Dados estimativos baseados no Météo-France. As condições podem variar e devem ser verificadas antes da viagem.
A cidade eterna que está diferente agora
Paris é sempre Paris, mas esta versão é passageira: a Notre-Dame ainda cheira a pedra fresca, o Sena surpreende por ser transparente, e em junho de 2026 o artista JR transformará a Pont Neuf em uma caverna monumental, homenageando Christo quarenta anos depois. Quem for agora encontra a rara coincidência de uma cidade antiga se mostrando como nova.
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